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Sábado, 25 de março de 2017

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Mapa não concorda com forma como informações foram divulgadas, mas apoia investigação da PF, diz Novacki

Da Redação - Viviane Petroli

19 Mar 2017 - 14:32

Foto: Carlos Silva/Mapa

Mapa não concorda com forma como informações foram divulgadas, mas apoia investigação da PF, diz Novacki
O secretário-executivo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Eumar Novacki, voltou a reiterar neste final de semana que a pasta federal apoia a investigação da Polícia Federal quanto à operação "Carne Fraca", porém não concorda com o modo como as informações foram divulgadas. Na avaliação de Novacki, a polícia fez um grande alarme para um problema pontual uma vez que das quase 5 mil unidades frigoríficas/industriais com Selo de Inspeção Federal (SIF) do Brasil, apenas 21 estão sendo investigadas e que só três foram interditadas.
 
Neste final de semana três funcionários da Consultoria Jurídica do Ministério da Agricultura seguiram para Curitiba (PR) com o intuito de obterem laudos periciais dos produtos relacionados na operação, como os que comprovariam as fraudes nos três frigoríficos fechados nesta sexta-feira (17). A viagem foi uma determinação do ministro Blairo Maggi. Conforme o Ministério, o processo tem 350 páginas.

Leia mais:
- Mapa não descarta novas operações como “Carne Fraca” e afirma temer fechamento de mercado externo
 
- Temer e Blairo se reúnem com países importadores de carne brasileira após operação da PF; EUA e Europa pediram esclarecimento

A reportagem do Agro Olhar tentou contato com a Polícia Federal em Curitiba (PR), onde as investigações foram realizadas, porém não obteve sucesso.
 
Entre sexta-feira, 17, e sábado, 18, diversos países solicitaram explicações do governo brasileiro quanto às fraudes e irregularidades apontadas pela Polícia Federal na operação "Carne Fraca", como adulteração em alimentos como salsicha e mortadela, além de frango. Além da União Europeia, entraram com pedidos de esclarecimentos, os Estados Unidos, China, Arábia Saudita e Malásia.
 
Neste domingo, 19, o presidente Michel Temer e o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, se reúnem às 17h (horário de Brasília) com embaixadores de países importadores de carne brasileira com o objetivo de prestar esclarecimentos.
 
Durante coletiva de imprensa na sexta-feira, 17, Novacki observou que o corpo técnico do Ministério da Agricultura é altamente qualificado e que o sistema de inspeção federal é robusto, sendo submetido a avaliações constantes, incluindo as de autoridades sanitárias estrangeiras por parte de 150 países importadores de carnes brasileiras.
 
A operação da Polícia Federal denominada "Carne Fraca" foi deflagrada na manhã desta sexta-feira, 17 de março, em sete Estados (São Paulo, Distrito Federal, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Goiás), com o objetivo de desarticular organização criminosa liderada por fiscais agropecuários federais e empresários do agronegócio.
 
Na sexta-feira o secretário-executivo do Ministério, Eumar Novacki, revelou que intervenções da pasta ocorreram no frigorífico da BRF de Mineiros (GO), de abate de frangos, e nas unidades da Peccin em Jaraguá do Sul (SC) e em Curitiba (PR), que produzem embutidos (mortadela e salsicha). Quanto aos 33 servidores do Ministério, Novacki salientou que estão sendo abertos processos administrativos e que os mesmos foram afastados de suas funções.
 
Novacki ainda salientou que as primeiras denúncias que culminaram a operação "Carne Fraca" ocorreram há quase sete anos e que há dois anos foram iniciadas as investigações.
 
A operação
 
A operação Carne Fraca é considerada a maior já desarticulada pela Polícia Federal. Estiveram envolvidos na ação aproximadamente 1100 policiais federais no cumprimento de 309 mandados judiciais, sendo 27 de prisão preventiva, 11 de prisão temporária, 77 de condução coercitiva e 194 de busca e apreensão, em residências e locais de trabalho dos investigados e em empresas supostamente ligadas ao grupo criminoso.
 
As ordens judiciais foram expedidas pela 14ª Vara da Justiça Federal de Curitiba (PR). Gravações telefônicas divulgadas obtidas pela Polícia Federal e divulgadas nesta sexta-feira, 17 de março, apontam que vários frigoríficos nos Estados investigados comercializavam carne estragada tanto para o mercado interno quanto para o mercado externo.
 
Em torno de 30 empresas frigoríficas estão envolvidas na operação "Carne Fraca". Entre as empresas, segundo documentos divulgados pela Polícia Federal, estão a BRF, que controla as marcas Sadia e Perdigão, e a JBS, além de frigoríficos pequenos das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste.
 
De acordo com a Polícia Federal, agentes públicos utilizando-se do poder fiscalizatório do cargo, mediante pagamento de propina, atuavam para facilitar a produção de alimentos adulterados, emitindo certificados sanitários sem qualquer fiscalização efetiva.
 
As investigações ocorreram durante dois anos e dentre as ilegalidades praticadas no âmbito do setor público, denota-se a remoção de agentes públicos, com desvio de finalidade para atender interesses dos grupos empresariais. Conforme a Polícia Federal, tal conduta dos agentes públicos permitia a continuidade delitiva de frigoríficos e empresas do ramo alimentício que operavam em total desrespeito à legislação vigente.

5 comentários

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  • Nelson
    20 Mar 2017 às 07:37

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  • Carlos Nunes
    19 Mar 2017 às 20:21

    A informação foi totalmente equivocada...não é carne fraca, É CARNE PODRE COM SALMONELA. Só DEUS sabe quanto tempo o brasileiro tá comendo essa carne, sem saber. Tomara que a União Européia, os Estados Unidos, exigem uma auditoria em toda a carne do Brasil...eles não aceitam isso de jeito nenhum. Só o brasileiro mesmo para comer carne podre, com salmonela, papelão, e outras coisas mais, que a gente nunca vai saber o que é. Parabéns a PF.

  • Luiz
    19 Mar 2017 às 18:43

    Esta faltando fiscalização rigorosa em todo tipo de alimento e não só carne. Eu sinto que existe uma comodidade nesse setor. Umas das causas do aumento do câncer, em minha opinião, são os enlatados mal fiscalizados. Vamos aproveitar essa deixa da carne e fiscalizar todo alimento comercializado nos supermercados e pequenos mercados e feiras. Os açougues também devem ser fiscalizados principalmente deve-se exigir que os caminhões que descarregam as carnes tenham o nome do local de procedência e o telefone porque a maioria não tem identificação

  • marlene
    19 Mar 2017 às 18:01

    o MAPA ainda acredita em papai noel, acorda gente a realidade nua e crua está ai totalmente exposta pela PF

  • Marcos
    19 Mar 2017 às 15:25

    Se dependesse do mapa nós nem estaríamos sabendo disso! Esse problema certamente não é de hoje. Tem várias matérias na internet a mais de três anos.

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