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Segunda-feira, 29 de maio de 2017

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Ministro ameaça deixar de importar produtos do Chile caso haja retaliação à carne brasileira

Da Redação - Érika Oliveira

20 Mar 2017 - 17:54

Foto: Rogério Florentino Pereira / Olhar Direto

Ministro ameaça deixar de importar produtos do Chile caso haja retaliação à carne brasileira
O ministro da Agricultura e Pecuária, Blairo Maggi (PP), afirmou que o País poderá deixar de importar produtos do Chile, como a maça e o salmão, caso haja retaliação à carne que é produzida no Brasil. A fala do ministro diz respeito a possibilidade do País vizinho, a exemplo da União Europeia, interromper a importação da proteína animal em função da deflagração da Operação Carne Fraca.

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“Daqui para frente tudo pode acontecer, mas nós também temos os nossos argumentos. Nós somos importadores de vários produtos do Chile, como peixes, frutas. Os produtores brasileiros vivem reclamando que nós devemos criar barreiras quanto a isso. Comercio é assim, não tem só bonzinho e às vezes tem que ser na cotovelada. Se eu tiver que ter uma reação mais forte para proteger o mercado brasileiro, não tenham dúvidas que eu farei”, disse o ministro durante entrevista coletiva na tarde desta segunda-feira (20).

O ministro afirmou que ainda não foi informado oficialmente sobre a decisão do Governo chileno de embargar ou não a importação da carne brasileira, mas disse que espera cautela do País, até por conta dos tratados comerciais firmados entre os países que fazem parte do Mercosul. O Chile, apesar de não fazer parte do bloco econômico, participa como País associado.

O Chile é o 7º maior importador da proteína animal que é produzida no Brasil. 30% da carne consumida no país tem procedência brasileira.

“Nós temos uma relação comercial muito boa [com o Chile], então, se eles tiverem alguma restrição que nos entreguem isso circunscrito nesse sentido. Eles precisam, no mínimo, ter a calma de nos deixar auditar os procedimentos. O que eu não gostaria de ver no Chile é a suspensão total, por isso eu devo esperar o que vai acontecer”.

Até o momento, 21 empresas que possuem o SIF - Serviço de Inspeção Federal que atesta a qualidade da produção dos produtos de origem animal no Brasil – estão sob regime especial de fiscalização do Ministério da Agricultura. Destas 21 empresas, 3 tiveram irregularidades comprovadas pela operação "Carne Fraca" e seguem interditadas.

Conforme Blairo Maggi, a União Europeia, que exporta produtos de 4 SIF’s das 21 que estão sob audição do MAPA, a China e a Coréia do Sul já se manifestaram no sentido de embargar às carnes brasileiras.

“Eu torço e rezo”

Durante a coletiva, o ministro destacou sua preocupação quanto a outros países seguirem essa tendência e também reagirem no sentido de romper relações comerciais com o Brasil.

“Nós temos embargos em andamento de alguns países e, obviamente eles têm autonomia e liberdade de fazer as fiscalizações e as averiguações que acharem necessários. O que nós temos que provar é que o nosso sistema não foi quebrado, nós tivemos um problema pontual”, disse o ministro.

Questionado sobre a real possibilidade de todos esses países optarem por parar de comprar a carne brasileira, Maggi afirmou que, nesse caso, ocorreria um “desastre”.

“A China é um grande importador, a comunidade europeia além de ser um grande parceiro é também o nosso cartão de visita. Quem vende para a Europa vende facilmente para outros países. Eu torço, eu rezo, eu penso e trabalho para que isso não venha a acontecer”, pontuou.

A operação

A operação da Polícia Federal denominada "Carne Fraca" foi deflagrada na manhã desta sexta-feira, 17 de março, em sete Estados (São Paulo, Distrito Federal, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Goiás), com o objetivo de desarticular organização criminosa liderada por fiscais agropecuários federais e empresários do agronegócio.

A operação é considerada a maior já desarticulada pela Polícia Federa. Estão envolvidos na ação aproximadamente 1100 policiais federais no cumprimento de 309 mandados judiciais, sendo 27 de prisão preventiva, 11 de prisão temporária, 77 de condução coercitiva e 194 de busca e apreensão, em residências e locais de trabalho dos investigados e em empresas supostamente ligadas ao grupo criminoso.

As ordens judiciais foram expedidas pela 14ª Vara da Justiça Federal de Curitiba (PR). Gravações telefônicas divulgadas obtidas pela Polícia Federal e divulgadas nesta sexta-feira, 17 de março, apontam que vários frigoríficos nos Estados investigados comercializavam carne estragada tanto para o mercado interno quanto para o mercado externo.

Em torno de 30 empresas frigoríficas estão envolvidas na operação "Carne Fraca". Entre as empresas, segundo documentos divulgados pela Polícia Federal, estão a BRF, que controla as marcas Sadia e Perdigão, e a JBS, além de frigoríficos pequenos das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

De acordo com a Polícia Federal, agentes públicos utilizando-se do poder fiscalizatório do cargo, mediante pagamento de propina, atuavam para facilitar a produção de alimentos adulterados, emitindo certificados sanitários sem qualquer fiscalização efetiva.

As investigações ocorreram durante dois anos e dentre as ilegalidades praticadas no âmbito do setor público, denota-se a remoção de agentes públicos, com desvio de finalidade para atender interesses dos grupos empresariais. Conforme a Polícia Federal, tal conduta dos agentes públicos permitia a continuidade delitiva de frigoríficos e empresas do ramo alimentício que operavam em total desrespeito à legislação vigente. 

 

10 comentários

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  • Katia Hormazabal
    06 Abr 2017 às 18:29

    Ridículo o que esse ministro disse.... Eu faria o mesmo. Suspenderia a importação e só voltaria a importar caso estivesse tudo esclarecido em relação a nossa carne. Meu esposo é Chileno e conheço não só o povo Chileno como o Chile também. O Chile é um país pequeno sim, em relação ao Brasil, mas muito mais moderno e sério que o Brasil... Ridícula a sua fala... Katia Hormazabal.

  • Rogerio
    21 Mar 2017 às 09:31

    Se o chile parar de comprar é porque houve motivo ! agora quererboicotar os produtos do chile com qual argumento? não houve nenhum escândalo com os produtos chilenos

  • Fm
    21 Mar 2017 às 05:41

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  • Luiz Otavio
    21 Mar 2017 às 03:45

    quem e ministro de Temer não merece credibilidade

  • welmiton pereira duarte
    20 Mar 2017 às 23:16

    Com esses desdobramentos da operação carne fraca está mais do que provado que não é confiável exportar carne do Brasil, daí chega um ministro que ao meu ver parece que tomou chá de cogumelo e se acha no direito de querer impor alguma coisa, alguém diz para esse sujeito prepotente que carrega um título de ministro da agricultura desse País, que o mínimo que ele deve fazer é pedir um milhão de desculpas para os países ao qual o Brasil mantêm acordos comercias, e implorar de joelhos para que esses países não venham impor duras sanções ao Brasil.

  • Orlando
    20 Mar 2017 às 22:38

    Multa, cassação de alvará de funcionamento, reparação ao erário dos danos causados, fechamento das empresas e cadeia aos envolvidos nesse grave crime de lesa pátria e à saúde das pessoas, pois a vida humana não tem preço!

  • GALDENCIO
    20 Mar 2017 às 20:44

    Bolsonaro 2018.

  • Bruno
    20 Mar 2017 às 19:04

    Por que só o Chile? Espero que trate os paises igualmente. Retalie a China, Coreia do Sul e qualquer outro que suspender. O sr. só fala grosso contra países menores?

  • iron
    20 Mar 2017 às 18:25

    Só dando risada de uma declaração desta partino de um ministro, mas afinal estamos em um país administrado por poucos.

  • Marcos
    20 Mar 2017 às 18:20

    Saída imperialista e arcaica é muito constrangedora para um ministro. Ao mesmo tempo esperada devido outras atitudes. Só se esqueceram que o Chile não sacaneou seu povo com carnes estragadas entre outras sacanagens. Lamentável a palavra do nobre ministro.

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