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Quinta-feira, 23 de novembro de 2017

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Governo estuda construir hidrelétricas que vão inundar área de floresta cinco vezes maior que Cuiabá

Da Redação - Lázaro Thor Borges

31 Ago 2017 - 10:52

Foto: Reprodução

Governo estuda construir hidrelétricas que vão inundar área de floresta cinco vezes maior que Cuiabá
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) autorizou na última terça-feira (29) a realização de pesquisas para a construção de duas hidrelétricas no norte de Mato Grosso, na fronteira com o estado do Amazonas. As hidrelétricas Quebra Remo e Inferninho serão construídas entre unidades de conservação e terras indígenas.

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De acordo com previsão da própria Aneel, as hidrelétricas poderão inundar uma área de 665 Km², região cinco vezes maior que a área urbana de Cuiabá que é de 126,9 Km². Os Estudos de Viabilidade Técnica e Econômica (EVTE) são anteriores ao licenciamento ambiental e servirão para entender qual a rentabilidade do empreendimento e calcular a previsão da produção de energia elétrica conforme a vazão dos rios.

O grupo responsável pelos estudos é a empresa paranaense Intertechne Consultores, que assinou projetos das hidrelétricas como a de Belo Monte e do rio Teles Pires em conjunto com grandes construtoras. Uma terceira usina, a de Sumaúma, já teve os estudos de viabilidade autorizados, mas a Intertechne até o momento não entregou os resultados à Aneel.

Caso o projeto saia do papel, as Usinas de Quebra Remo e Inferninho vão atingir pelo menos duas áreas indígenas e outras oito unidades de conservação. A UHE Quebra Remo, instalado no Rio Ariupuanã, poderá atingir principalmente a Terra Indígena Arara do Rio Branco, inundando 21,2 Km² da região.

A UHE Infeninho, instalada no Rio Roosevelt, poderá alcançar a Terra Indígena Tenharim do Igarapé Preto, no Amazonas e outras oito unidades de conservação, seis delas em Mato Grosso. São elas: Estação Ecológica do rio Roosevelt, Parque Estadual do Tucumã, Estação Ecológica do rio Madeirinha,  Reserva Extrativista Guariba – Roosevelt e Floresta estadual de Manicoré no estado do Amazonas, além do Parque Estadual do Guariba e do Parque Nacional dos Campos Amazônicos, ambos no estado vizinho.

Conflitos

Um relatório técnico feito pela Eletrobras identificou alguns percalços que os empreendimentos deverão enfrentar nos próximos anos. Em relação a UHE Quebra Remo, localizada no município de Colniza, existe a previsão de conflitos com a Fundação Nacional do Índio pela inundação de partes das TI Serra Morena (29,95km²), da TI Aripuanã (45,92km²) e Parque Indígena Aripuanã (45,56k,²) além de interferências com os modos de vida das comunidades indígenas.

“Também são esperados conflitos pelo aumento do desmatamento e da pressão antrópica de ocupação, pela abertura de frentes de colonização e de produção agropecuária, com a consequente degradação socioambiental (conflitos fundiários e aumento da violência). A abertura e melhoria de estradas e interferência com a rodovia MT-206, também devem ser fontes de conflitos.”, afirma trecho do relatório.

No que se refere à UHE Inferninho, que deve ser instalada na divisa entre Mato Grosso e o Amazonas, o relatório aponta que além da inundação das áreas de conservação existe a previsão de que a usina também afete áreas de interesse do turismo ambiental e de pesca esportiva.

O relatório aponta o risco de intereferência em áreas de mineração. A usina de Inferinho também poderá provocar aumento do desmatamento e da "pressão antrópica" sobre a área ocupada. Outro possível problema é o aumento de violência, em um município que já possui longo histórico de conflitos por terra, como foi o caso da chamada Chacina de Colniza. 

12 comentários

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  • yvens Nozier
    02 Set 2017 às 22:40

    obligado Meu Deus

  • Arildo Jose Gobetti
    02 Set 2017 às 07:33

    Deveria haver um estudo tecnico no sentido de encontrar a possibilidade de construir usinas hidrelétricas no leito do Mar. Poupando assim os impactos desfavoráveis ao meio ambiente quando se constroi em rios. Deve haver possibilidade de sucesso um estudo nesse sentido. Fica a dica...

  • Zé Galera
    01 Set 2017 às 13:55

    Cada uma que vejo: Área cinco vezes maior que a área urbana de Cuiabá, como se essa cidade/capital fosse parâmetro para uma hidrelétrica, que produzirá energia elétrica por cerca de 500 anos! Além disso a matéria diz estarem entre unidades de conservação e reservas indígenas. Por ventura existem índios em suas terras vivendo sem energia elétrica, TV a cabo, parabólicas, telefones celulares, freezers, geladeiras, Hilux, carne de boi, frango, peixe, dentistas, médicos, medicamentos etc, cujos bens e produtos precisam de energia elétrica?

  • Ademir
    01 Set 2017 às 11:47

    E onde está os modelos do futuro, chega de hidrelétrica, temos sol o ano todo e em abundância, cadê os incentivos para fazendas de usinas solares, pesquisem, não precisa acabar com florestas, e sim ter inteligência, Mato Grosso ter o maior potencial de energia solar do Brasil, e se disser que não vão derrubar florestas para inundações, vem até dinheiro de fora, de ongs, de fundos perdidos, de quem quer proteger o pouco de florestas e pulmão que ainda tem pelo mundo e nós somos referência e podemos ser mais inteligentes com este potencial nas mãos, que são nossa moeda de troca, sustentar florestas e ganhar incentivos para gerar eletricidade por outros meios, como a energia solar!!!

  • RAFAEL CESAR
    01 Set 2017 às 11:24

    Se ligam as termelétricas reclamam da poluição, se fala de usinas nucleares todo mundo pira, agora se fala de hidrelétrica que energia mais limpa os ambientalistas reclamam, mas é tão bom ter ar-condicionado, chuveiro eletrico, microondas, geladeira etc... bando de hipócritas acham que a energia vem do nada.....

  • Osvaldo moises
    01 Set 2017 às 10:47

    Eu sou a favor as construções de hidrelétricas sim o Brasil cada dia está afundando trabalhadores sem emprego e ainda tem pessoas pensando contra.... índio não tem terra índio está e andando caminhonetes novas aqui na amazônica são donos de grandes garimpos isto os que críticas não está vendo e nada .........

  • Teresa
    01 Set 2017 às 00:36

    É inadmissível que os governantes continuem a atuar contra os interesses coletivos, atendendo a lobbies de grandes corporações. É preciso dar um basta à este bacanal.

  • Maria
    31 Ago 2017 às 18:29

    AS CONSTRUÇÃO DAS HIDRELÉTRICAS NÃO É UMA BOA SOLUÇÃO PARA A PRODUÇÃO DE ENERGIA, POIS SEU IMPACTO AMBIENTAL É MUITO MAIOR DO QUE OS BENEFÍCIOS.

  • Jânio Geraldo dos santos
    31 Ago 2017 às 15:54

    Leitores boa tarde, eu acho muito importante a construção dessas usinas hidrelétricas, mas isso é do interesse do governo, ou para o consumidor, mas se for do interesse do governo é melhor que fica no papel, A rasão é quanto mais usinas construída no Brasil mas caro fica as tarifas, eu vejo assim, eu já trabalhei em várias construção de usinas hidrelétricas, são elas nova ponte, usina de Corumbá Go, Igarapava SP, usina cana brava Go, usina de irape mg, usina de Dardanelos MT, usina de santo Antônio Rondônia e usina de Belo monte, bom até agora só fala em aumento de tarifas, se não baixar é melhor que fica só no papel, eu mesmo só ficou minha saúde nessas usinas, aposentar, tá difícil com a crise de desemprego, aí que não aposenta mesmo, porque você não consegue o tempo nessesario, obrigado pela atenção.

  • Agonandra
    31 Ago 2017 às 12:23

    AS HIDRELÉTRICAS NÃO É A MAIOR SOLUÇÃO PARA A PRODUÇÃO DE ENERGIA, POIS SEU IMPACTO AMBIENTAL É MUITO MAIOR DO QUE OS BENEFÍCIOS.

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