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Quarta-feira, 26 de julho de 2017

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Samba enredo da escola Imperatriz Leopoldinense gera revolta em meio ao agronegócio

Da Redação - Viviane Petroli

06 Jan 2017 - 14:03

Foto: Reprodução

Samba enredo da escola Imperatriz Leopoldinense gera revolta em meio ao agronegócio
O samba enredo da escola “Imperatriz Leopoldinense”, que neste Carnaval homenageia a região do Parque Nacional do Xingu e tem como tema "Xingu - O clamor que vem da Floresta", tem gerado revolta no setor do agronegócio mato-grossense e brasileiro. A música exalta o povo indígena ao mesmo tempo em que faz uma crítica ao agronegócio brasileiro, considerado hoje o único setor a segurar a economia do Brasil.

O samba enredo é de composição de Moisés Santiago, Adriano Ganso, Jorge do Finge e Aldir Senna. Nele os indígenas são exaltados como os guardiões da floresta e que o "jardim sagrado" foi descoberto pelo "caraíba" que hoje "sangra o coração do meu Brasil". A letra ressalta ainda, em tom de crítica ao agronegócio, que "o belo monstro rouba as terras dos seus filhos / devora as matas e seca os rios / tanta riqueza que a cobiça destruiu".

A composição do samba vem sendo repudiada por entidades ligadas ao agronegócio, a exemplo da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ). 

Leia mais:
Escola de samba do RJ canta sobre os indígenas do Xingu e critica agronegócio no carnaval 2017

De acordo com a ABCZ, ao criticar "duramente" o agronegócio a escola de samba Imperatriz Leopoldinense "mostra total despreparo e ignorância quanto à história brasileira e à realidade econômica e social do país".

Em nota assinada pelo presidente Arnaldo Manuel Machado Borges, a entidade afirma que "Antes de mais nada, é preciso esclarecer e reforçar que o país do samba é sustentado pela pecuária e pela agricultura".

A ABCZ lembra ainda que os "monstros", como o produtor rural está sendo "chamado" pela escola de samba, são responsáveis por 20% do Produto Interno Bruto (PIB) Nacional. Em 2014, de acordo com último dado do PIB, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), somente em Mato Grosso a agropecuária representa 21% do PIB do Estado de R$ 101,2 bilhões. Sozinha a agricultura é responsável por 17,2% do volume das contas regionais.

A Associação Brasileira dos Criadores de Zebu afirma ainda ser “Inaceitável que a maior festa popular brasileira, que tem a admiração e o respeito da nossa classe, seja palco para um show de sensacionalismo e ataques infundados pela Escola Imperatriz Leopoldinense".

Tijuca homenageou Sorriso e seu agronegócio

Em 2016, o município de Sorriso, capital da soja no Brasil, foi homenageado pela escola de samba Unidos da Tijuca. O samba enredo foi assinado por Dudu Nobre, Zé Paulo Sierra, Claudio Mattos e Gustavo Clarão.

O nome da cidade aparecia somente no penúltimo parágrafo do samba "O meu negócio é isso, seu moço / Sorriso’ no rosto / Por esse meu mundão rural / Semeia... a minha raiz / Clareia... um belo matiz / O dia vai raiar e o povo há de cantar feliz". Contudo, sem deixar de mostrar o poder e potencial do agronegócio, bem como a transformação econômica que proporcionou.

Confira a nota de repudio enviada pela Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ):

“A Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) repudia, com indignação e veemência o samba-enredo e as demais peças publicitárias divulgados pela escola Imperatriz Leopoldinense para o Desfile de Carnaval de 2017. Ao criticar duramente o agronegócio, o grupo mostra total despreparo e ignorância quanto à história brasileira e à realidade econômica e social do país.

Antes de mais nada, é preciso esclarecer e reforçar que o país do samba é sustentado pela pecuária e pela agricultura. Chamados de “monstros” pela escola, nós, produtores rurais, respondemos por 20% do PIB Nacional e, historicamente, salvamos o Brasil em termos de geração de renda e empregos. Com o tempo e com o nosso talento de produzir cada vez mais – e de forma sustentável - trouxemos para nossa nação o título de campeã mundial de produção de grãos e de proteína animal.

Inaceitável que a maior festa popular brasileira, que tem a admiração e o respeito da nossa classe, seja palco para um show de sensacionalismo e ataques infundados pela Escola Imperatriz Leopoldinense. O setor produtivo e a sociedade não podem ficar calados diante a essa injustiça. É preciso que o Brasil e os brasileiros não só enxerguem e reconheçam a importância do nosso setor, como se orgulhem dessa nossa vocação de alimentar o mundo.

Com a responsabilidade que lhe cabe, a ABCZ vem a público reforçar o compromisso de seus 21 mil associados de produzir cada vez mais carne e leite com práticas sustentáveis e seguras. E, assim, enaltecemos, também, o nosso empenho em zelar pela preservação do meio ambiente.

Arnaldo Manuel Machado Borges

Presidente da ABCZ”


Confira o samba enredo escola Imperatriz Leopoldinense - “Xingu – O clamor que vem da floresta”:

Brilhou… a coroa na luz do luar!
Nos troncos a eternidade… a reza e a magia do pajé!
Na aldeia com flautas e maracás
kuarup é festa, louvor em rituais
na floresta… harmonia, a vida a brotar
sinfonia de cores e cantos no ar
o paraíso fez aqui o seu lugar
jardim sagrado o caraíba descobriu
sangra o coração do meu brasil
o belo monstro rouba as terras dos seus filhos
devora as matas e seca os rios
tanta riqueza que a cobiça destruiu
Sou o filho esquecido do mundo
minha cor é vermelha de dor
o meu canto é bravo e forte
mas é hino de paz e amor

Sou guerreiro imortal derradeiro
deste chão o senhor verdadeiro
semente eu sou a primeira
da pura alma brasileira

Jamais se curvar, lutar e aprender
escuta menino, Raoni ensinou
liberdade é o nosso destino
memória sagrada, razão de viver
andar onde ninguém andou
chegar aonde ninguém chegou

lembrar a coragem e o amor dos irmãos
e outros heróis guardiões
aventuras de fé e paixão
o sonho de integrar uma nação
kararaô… kararaô… o índio luta pela sua terra
da imperatriz vem o seu grito de guerra!

Salve o verde do xingu… a esperança
a semente do amanhã… herança
o clamor da natureza
a nossa voz vai ecoar… preservar!




70 comentários

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  • sonia
    01 Mar 2017 às 20:38

    Pelo menos uma vez na vida precisamos de um advogado, um médico, um arquiteto. Mas, três vezes ao dia precisamos de um agricultor. E você já se alimentou hoje?????

  • Ivandro
    28 Fev 2017 às 18:57

    Manda esses ignorantes comerem asfalto e viverem sem o agronegócio.

  • Rosângela Azevedo Corrêa
    27 Fev 2017 às 05:53

    A agricultura altamente mecanizada em larga escala emprega relativamente poucas pessoas e concentra a renda no Brasil o nosso país já tem uma das distribuições mais desiguais de terra e de renda do mundo. 75% de toda a área das terras agrícolas está nas mãos dos grandes produtores de commodities, que possuem apenas 10% dos títulos de terras agrícolas (censo nacional de 2006). A propriedade dos 25% da superfície agrícola restante é partilhada entre os 90% dos proprietários de imóveis rurais 1,5% dos proprietários rurais ocupam 52,6% de todas as terras agrícolas (2012). Os mega projetos de capital intensivo e e voltados à extração de recursos naturais são perversamente promovidos com o argumento falacioso da criação de emprego, quando tais projetos invariavelmente substituem o trabalho por meio da tecnologia. A poluição causada por fertilizantes minerais e seus impactos negativos para a saúde também resultam do uso intensivo de pesticidas, uma importante fonte de queixas e problemas. O maior usuário de agrotóxicos do mundo, o Brasil aplica cerca de um quinto dos pesticidas utilizados mundialmente, incluindo pesticidas extremamente tóxicos e controversos que são proibidos em outros lugares. Alguns destes são ainda legais no Brasil outros são proibidos mas utilizados ilegalmente,

  • Jorge
    26 Fev 2017 às 21:06

    Acho que existe exagero extremo dos articulistas da Nota, afinal o Samba Enredo fala de expropriação, de um desmatamento inconsequente e não indenizado, quem está trabalhando de acordo com a lei não precisa se sentir atingido. A afirmação de colocar a comida na mesa, também merece reparos, porque somente recebem comida na mesa quem tem dinheiro para pagar, os agricultores não dão nada para ninguém e, quando sofrem uma frustração de safra querem que todos pagem suas contas, exigindo perdão, amortização e outros benefícios que somente eles conseguem. Em contrapartida, quando colhem super-safra não repartem com ninguém e, ao invés de aplicar na lavoura uma parte dos lucros aplicam em camionetões e carrões para os filhos. Falam muito estes agricultores e se queixam de mais. São trabalhadores sim, mas ganham muito bem para isso e párem de vez de dizer que colocam a comida na mesa dos brasileiros porque SÓ COLOCAM A COMIDA NA MESA DE QUEM TIVER DINHEIRO PARA PAGAR, NÃO DÃO NADA PARA NINGUÉM e vivem explorando a Nação exigindo juros baixíssimos e subsídios, são os únicos que só querem ganhar. CHEGA DE HIPOCRISIA, deixem os carnavalescos cantarem o que quiserem, ou será que vão cortar a comida deles, não vão porque é só eles PAGAREM que compram o produto que vocês plantam. VÃO TRABALHAR

  • Andréia Dolci
    23 Fev 2017 às 23:33

    Quanta ignorância em seu comentário João Antunes. O povo brasileiro não come soja, claro q não, come a margarina, o molho shoyu, o óleo de soja, queijo de soja( tofu), o frango q tu mata tua fome tbém usa soja na sua alimentação seu ignorante.

  • Fabian gross
    29 Jan 2017 às 22:38

    Sou produtor rural na região do Xingu! Vejo muita irresponsabilidade nessa letra, quem acha que os índios são coitadinhos e o produtor rural (sulistas desbravadores) é porque não conhecem o lado "rural". Muito trabalho. Ah e graças aos transgênicos utilizamos pouco agrotóxico, pois a resistência a pragas fungos e capacidade de eliminação de ervas daninhas dispensa os "venenos".

  • Lidiane
    12 Jan 2017 às 01:59

    Gina Buranelo, você é o caso de pessoa que faz doutorado e não sabe nem como nem por que tirou um título de doutora, se é que é doutora mesmo. A senhora confunde agronegócio com agricultura familiar. Se seu "negócio" tem a dimensão de agricultura familiar, então sua família não é exatamente do agronegócio.

  • JOÃO ATUNES
    11 Jan 2017 às 19:26

    Todos os dias vários hectares de floresta amazônica são derrubados para implementação de soja. O povo brasileiro não come soja. Soja transgênica, banhada de agrotóxico. Até no leite materno tem agrotóxico. Quem alimenta a população é a agricultura familiar, não o agronegócio desmatador de floresta. Ficam que esse papo de sustentabilidade, não sem a quem querem enganar. Não têm nada de sustentável.

  • Diego
    11 Jan 2017 às 12:18

    Se o agronegócio é o vilão eles que comam terra e pedra.

  • wagner teixeira de deus
    11 Jan 2017 às 12:02

    Quer queira ou não o Brasil é considerado o país que mais usa utiliza o agrotóxico no agronegócio. Estudos científicos indicam que uma fração pequena desses agronegócios são ingeridos pelo homem e ao longo dos anos pode acarretar problemas gastro-intestinais, úlceras e até mesmo câncer,

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