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Sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Opinião

A Era Digital e os desafios das empresas em manter o foco dos empregados

Autor: Ana Carolina Scarazzati Vilalba

13 Set 2017 - 15:46

Sabemos muito bem que nos tempos atuais a informática contribui drasticamente para a melhoria de muitos processos no mundo empresarial. Com a chegada dos computadores, da internet e das mídias sociais as empresas ganharam agilidade nas negociações e visibilidade no mercado. Discute-se também os efeitos maléficos da "era digital" nas relações afetivas. Aquela velha história de que a informática afastou as pessoas. E temos que concordar que a história velha é verdadeira! E no campo da produtividade da mão de obra das empresas? Quais foram os efeitos da "era digital"?

Podemos responder sem sombra de dúvida que os funcionários não produzem mais como antes. Hoje, as distrações digitais como WhatsApp, Messenger, Facebook e Instagram "roubam" no mínimo 10% do tempo de um trabalhador. E acreditem, estamos sendo otimistas quando falamos somente em 10%! O que se vê nas empresas são funcionários totalmente desfocados e mais preocupados em atualizar seu status no Facebook do que com seu trabalho em si. E infelizmente parece que esta forma de trabalhar veio para ficar.

O que fazer para tentar frear os internautas quando precisamos que eles se dediquem ao trabalho? O que muitas empresas têm feito é proibir a entrada de celulares no ambiente de trabalho em uma tentativa para recuperar o tempo que lhe foi roubado de sua força produtiva. A proibição é legal se for formalizada através de um Regulamento Interno. Isto muitos sabem.

O que muitas empresas e empregados não sabem é que não é necessário proibir a entrada de celulares para poder punir um funcionário que gasta parte de seu tempo remunerado com as famosas redes sociais.  Acrescente-se ainda que a punição pode ocorrer se o acesso for do computador da empresa também. Esta punição pode iniciar com uma simples advertência e terminar em uma complexa justa causa.

A justificativa para as punições, quando não há Regulamento Interno, se ancora no fato do empregado agir com desídia, ou seja, preguiça, má vontade, displicência, desleixo, indolência, omissão, desatenção, indiferença, desinteresse, relaxamento. Ou seja, ao invés de produzir no horário de trabalho, o empregado passa a lesar a empresa com a falta da sua produção, o que torna impraticável manter a relação empregatícia.

Saindo um pouco da esfera juridico-trabalhista, o que mais chama a atenção é o fato dos internautas compulsivos não terem a mínima noção sobre ética e comportamento corporativo. Numa época em que a economia é delicada, manter o emprego deveria ser algo prioritário. O comportamento ilibado e sem acessos digitais durante o expediente deveria partir do próprio empregado e não das empresas. Se você é empregado e se comporta como um "viciado" em redes sociais, o conselho é para se conter.

O uso controlado das redes sociais não deve ter como objetivo somente manter o seu emprego, mas também demonstrar um comportamento justo com a empresa que te remunera. Então, gaste seu tempo pago produzindo para quem te paga!
Se você é empresário persista no caminho de não deixar ser levado o dinheiro da sua empresa sem contrapartida. O funcionário deve dedicar o tempo pago àquele que lhe pagou.

Ana Carolina Scarazzati Vilalba, é Advogada empresarial e diretora da Prevent Minimização de Riscos Empresariais

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