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Sexta-feira, 18 de agosto de 2017

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Cursos de implantação de terapias como reiki e meditação são oferecidos a profissionais do SUS

Da Redação - Isabela Mercuri

08 Ago 2017 - 14:10

Foto: Rogério Florentino Pereira / Olhar Direto

Vera Holística é uma das professoras do curso em Cuiabá

Vera Holística é uma das professoras do curso em Cuiabá

A Fundação Oswaldo Cruz (FioCruz) passou a oferecer, desde o mês de maio deste ano, o curso piloto ‘Educação Popular para o SUS’ na Escola de Saúde de Mato Grosso, em Cuiabá e algumas cidades do interior. Uma das pautas estudadas é a implantação das Terapias Integrativas Complementares, como Reiki, massagens, yoga, biodanza, danças circulares, homeopatia e outras.

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O Ministério da Saúde passou a reconhecer a importância das terapias integrativas em janeiro deste ano, quando foi publicado no Diário Oficial da União que o Sistema Único de Saúde (SUS) passaria a oferecê-las. Na época, foi definido que os serviços seriam oferecidos por iniciativa local, mas receberiam financiamento do Ministério.

Em Mato Grosso, uma das pessoas que já colocou a lei em funcionamento foi a terapeuta Vera Rondon, 51, mais conhecida como Vera Holística. Ela, que trabalha com terapias integrativas, como reiki e argiloterapia, há seis anos, já realiza este tipo de tratamento no posto de saúde da Aldeia Velha, em Chapada dos Guimarães.

Vera é, também, professora de seis turmas no curso EdPop, que é oferecido para agentes de saúde e agentes de endemia. No total, são quatro meses de aulas, ministradas uma vez por semana, das 8h às 18h30. Para participar, os agentes ganham uma bolsa de R$320 (cerca de R$20 por dia para transporte e almoço), e o as horas contam como um dia de trabalho.

“Já perceberam que a doença não é só física, ela é mental e emocional também. E tem a espiritual. Então são três coisas além do corpo físico. Quando você começa a englobar, a fazer um tratamento com elementos espirituais, mentais e emocionais, você consegue mais resultados. Por exemplo, uma pessoa que é muito carente e encontrou na doença uma forma de chamar atenção, não vai ter resultados só com o tratamento no médico. Por isso, às vezes dez pessoas fazem o mesmo tratamento, mas nem todo mundo vai ter êxito”, comenta.


Oficina de reiki promovida pelo Instituto de Saúde Coletiva com alunos da UFMT (ISC-UFMT), promovida nos dias 6, 7 e 8 de agosto (Foto: Arquivo)

Vera explica que as aulas não ensinam a realizar as terapias integrativas, mas sim ‘empoderam’ os agentes e os pacientes, mostrando que o que eles já realizam está certo. “Você pode falar pro paciente que ele também pode tomar o cházinho dele. Porque antigamente era quase proibido tomar chá, agora não. Ele pode tomar o remédio do médico, pode tomar chá, pode fazer uma massagem... E esse contato deles com as pessoas é direto”, afirma. “Ela pode fazer uma hortinha de ervas medicinais, pode levar a criança pra benzer sim... Porque isso meio que foi tirado da gente quando começamos a trabalhar com a alopatia. E tem toda essa questão da indústria farmacêutica. Isso realmente é voltar às origens”.

O curso é realizado por meio de uma apostila enviada pela FioCruz, e ensina desde a política de saúde do SUS até a melhor forma de o agente se relacionar com os pacientes. Segundo Vera, é possível implementar as terapias integrativas somente olhando para o passado e para as práticas cotidianas.
 
“Quando veio a industrialização, o que aconteceu? As pessoas precisavam estar bem pra trabalhar. Então precisavam criar remédios em massa. Está com pressão alta? Toma remédio de pressão alta e volta a trabalhar. Está gripado? Toma remédio pra gripe e volta pro trabalho. Tudo para não parar de trabalhar, porque os remédios tiram os sintomas”, explica.

Além dela, que é terapeuta, a Fiocruz contratou professores de diversos setores. “Trouxeram, por exemplo, eu, que sou de saúde popular, terapia integrativa, pegaram até pessoas de movimentos como o MST, para ter essa mistura de saberes, e isso está enriquecendo o curso. Porque tem, por exemplo, uma integrante do MST que é ativista, feminista, marxista, dentro de uma sala de aula passando esse olhar pra essas mulheres, que tem mais de 40 anos e já são mães de família”.

Aula no EdPop (Foto: Arquivo)

Apesar do preconceito que ainda existe, principalmente por pessoas que associam as técnias à religião, Vera afirma que os agentes estão abertos ao conhecimento, e cada vez mais interessados. “Vale lembrar que toda a construção desse curso é em cima da pedagogia de Paulo freire, que é a pedagogia do oprimido”, complementa.

No mês de novembro, após a finalização do curso, acontece na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) um encontro regional, de quatro dias, com a presença de todos os coordenadores de terapias, além de integrantes da Associação Nacional de Educação Popular em Saúde (ANEPS).

Com a experiência de vida que tem, ela garante que o futuro da área é promissor. “Na terapia integrativa você tem o tempo do acolhimento, o tempo de olhar no olho, de perguntar o que dói, se não dorme, se brigou com a família... Tudo isso você escuta. Eu acho que numa consulta formal não existe tanta abertura”, finaliza.

Serviço

Em Cuiabá, a Unidade de Referência em Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (URPICS), localizada no Horto Municipal, foi criada em 2014 e, neste ano, transformou-se em 'Política Municipal de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde', por meio da Resolução nº 23/2017.

No horto são oferecidas atividades de: benzeção, café da manhã solidário e terapêutico, leitura biológica, terapia comunitária integrativa, terapia de body talk, trilha guiada, biondaza e florais de minas. Apesar de serem oferecidos gratuitamente, alguns desses serviços só podem ser feitos com encaminhamento pela Unidade Básica de Saúde e com agendamento prévio pelo telefone (65) 3665-2420.

Agenda de atividades
 
Atendimento Social – Segunda a quinta-feira (13h às 17h)
Auriculoterapia - Segunda a quinta-feira (13h às 17h)
Benzeção – Sexta-feira (09h às 10h)
Café da Manhã Solidário e Terapêutico – Sexta-feira (08 às 09h)
Homeopatia – Segunda e terça-feira (08h às 12h e 14h às 17h), quinta-feira (14h às 17h) e sexta-feira (08h às 12h)
Leitura Biológica – Terça-feira (07h30 às 11h30)
Nutrição Funcional – Segunda, terça e quarta-feira (13h30 às 17h)
Reiki – Terça e quinta-feira (08h às 12h e 13h30 às 17h)
Terapia Comunitária Integrativa – Sexta-feira (09h às 11h)
Terapia de Body Talk – Segunda e quarta-feira (07h30 às 17h)
Trilha Guiada Saúde e Ambiente – Segunda a quinta-feira (07h30 às 17h) e na sexta-feira no período vespertino.
Yoga – Quarta-feira (16h às 17h)
Biondaza – Quinta-feira (15h30 às 16h30)
Florais de Minas – Terça e sexta-feira (08h às 11h30 e 13h30 às 17h)
Aromaterapia – Segunda a quinta-feira (13h30 às 17h) e sexta-feira (08h às 11h30)

3 comentários

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  • PP
    09 Ago 2017 às 14:49

    Parabéns pela iniciativa. "mental e emocional também. E tem a espiritual" não há remédio melhor para alma.

  • O Vigilante
    08 Ago 2017 às 20:25

    Só numa republiqueta de bananas como a nossa, pseudo-terapias são pagas com dinheiro público... Estamos andando na contramão dos países civilizados basta ver que a Inglaterra andou cortando dinheiro que seria pago com homeopatia, por constatar que não existem evidências científicas para o tratamento homeopático.

  • JOSSY SOARES
    08 Ago 2017 às 15:08

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