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Segunda-feira, 19 de novembro de 2018

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Elibel Carvalho desvenda os mitos e verdades sobre o líquido antisséptico bucal

Elibel Carvalho

01 Set 2017 - 17:27

Foto: Reprodução / Ilustração

Elibel Carvalho desvenda os mitos e verdades sobre o líquido antisséptico bucal
Existem muitas crenças e mitos a respeito dos líquidos antissépticos de bochecho. O apelo mercadológico das multinacionais faz com que muitas pessoas se utilizem desses produtos sem orientação científica, acreditando que realmente estão praticando uma ação benéfica para sua saúde bucal. Mas será mesmo que isso é verdade?
 
Vamos às dúvidas:
 

1.O uso diário de líquidos antissépticos de bochecho para a cavidade bucal é indicado?
 
Não. Estudos científicos já comprovaram que os enxaguatórios não têm o poder de penetrar no biofilme microbiano espesso ou organizado. Os estudos feitos com microscopia eletrônica demonstraram, de maneira clara, que o antisséptico consegue atingir somente os microrganismos da camada mais superficial. Portanto, o indicado é o ato mecânico do esfregaço. Nada substitui a ação do fio dental e da escova de dente.

Sendo assim, se formos dar valor ao que realmente importa – remover a placa ou o biofilme mecanicamente –, não haveria motivo para a utilização dos líquidos de bochecho. Se a remoção mecânica do biofilme já foi feita, então o líquido antisséptico é tecnicamente desnecessário.
 
2. E se não removermos mecanicamente o biofilme e fizermos o bochecho para desencargo de consciência? Teria algum valor?

 
Cometeríamos um grave erro. Podemos fazer uma comparação grosseira para dizer que seria quase como não lavar direito as axilas e passar desodorante. Possivelmente o efeito seria similar.
 
3. Então, quando devemos utilizá-los?
 
Quando estivermos com alguma limitação física ou motora. Ou seja: na impossibilidade de fazermos o uso correto do fio e da escova dental;

No pós-cirúrgico, porque não podemos esfregar a área operada, pela dor e para não desorganizarmos o coágulo, que é importante para a cicatrização e também como prevenção de infecção;

No início de tratamento ortodôntico (aparelho de dentes) ou protético, quando ainda estamos inaptos a realizar uma boa higiene nos dispositivos fixados; e
Na presença de determinados tipos de lesões bucais. 

4. Quais cuidados devemos ter para a utilização dos antissépticos bucais?
 
Usar somente sob recomendação do dentista. Muitas pessoas utilizam o produto quando se deparam com sangramento gengival. Contudo, a presença ou ausência de inflamação gengival, após o uso do produto, não deve ser considerada como indicação de saúde ou doença, haja vista que o produto pode mascarar a inflamação, por atuar superficialmente. O mais indicado é enfatizar a higiene com fio, escovação e, se o sangramento persistir, procurar a ajuda de um profissional especializado, de preferência um Periodontista.
 
5.Os produtos químicos presentes nos antissépticos são imprescindíveis para os cuidados com a nossa saúde?
 

Não, não são imprescindíveis. Isso porque, com a evolução da ciência, muitos desses produtos foram incorporados às pastas de dentes.
 
6. Quais são as instruções de uso?

 
Faça o bochecho após a higiene bucal (escovação e fio dental) e não se esqueça de escovar a língua;

Cada líquido possui características próprias e tempos de ação diferentes. Por isso devemos ler a recomendação de uso de cada fabricante quanto à frequência de utilização do produto;

Ao contrário do que algumas pessoas pensam e fazem, as soluções, normalmente, não são feitas para serem diluídas. Ou seja, são fabricadas na concentração que devem ser utilizadas;

Não bocheche com água imediatamente após bochecho com antisséptico, pois isso pode acentuar a percepção do sabor amargo do produto e diminuir sua eficácia;
Não ingerir líquidos e alimentos por 30 minutos após bochecho;

Não fazer uso frequente sem orientação do seu dentista; e

Mantê-los longe do alcance de crianças. 

7. O uso de antissépticos pode ter efeitos colaterais?
 
Resultados clínicos experimentais indicam que o uso de alguns antissépticos pode ocasionar um aumento dos depósitos de cálculo supragengival.

Além disso, pode ocorrer perda do paladar, que, no entanto, retorna após a interrupção do uso do produto.

Outros efeitos possíveis são o aparecimento de manchas nos dentes e restaurações, observáveis após uso do produto por tempo prolongado. O tempo varia de pessoa para pessoa. As manchas, todavia, são externas ao esmalte dental, não afetam a saúde e podem ser removidas por profilaxia em consultório odontológico. Esse é um efeito bastante comum e que a maioria das pessoas desconhece.
 
Por hoje é isso, pessoal. Muito obrigada mais uma vez pelo apoio! Tenham um bom final de semana e até a próxima sexta.
 
* Elibel Carvalho é cirurgiã-dentista há 25 anos. É mestre e especialista em periodontia, e especialista em implantodontia.

1 comentário

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  • Helen Ribeiro
    01 Set 2017 às 21:44

    Excelente profissional Dra Elibel! Obrigada pelas dicas e cuidados com nosso sorriso.

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