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Segunda-feira, 20 de agosto de 2018

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Cirurgiã Dentista explica: Por que não devemos extrair dentes?

Elibel Carvalho

15 Set 2017 - 14:09

Foto: Da Assessoria

Cirurgiã Dentista explica: Por que não devemos extrair dentes?
Olá, queridos leitores, após encerrar a série: prevenção e higiene bucal, abordamos uma situação que é consequência da falta de cuidados com os dentes: a extração dentária.

A extração foi uma prática comum no tratamento dental num passado não muito distante. Hoje em dia, no entanto, a grande maioria das pessoas já tem consciência de que tal ato deve ser considerado apenas em casos extremíssimos. Isso porque a extração causa diversos consequências prejudiciais à saúde bucal.

A ausência de dentes traz problemas na mastigação, digestão, fonação, estética do sorriso e até na estética facial, pois os dentes servem como suporte para os músculos da face. Além disso, sua ausência pode levar ao colapso de todo o sistema mastigatório, visto que comumente ocorre:

1) Extrusão dos dentes antagonistas: quando perdemos o dente inferior, o superior desce lentamente por falta de contato, criando um degrau patológico. Como ele fica desalinhado (mais baixo que os demais) acaba recebendo uma sobrecarga, sofrendo assim traumas consecutivos, que podem levar a fratura ou a perda óssea. Ou seja, ocorre um efeito cascata (a extração de 1 elemento pode levar à perda de outro).

Reduz-se, também, o espaço em altura para uma futura reabilitação, deixando as coroas protéticas mais curtas. Diante disso, em muitos casos o dentista tem que fazer desgaste no dente extruído (para ganhar espaço), que pode inclusive levar à necessidade de tratamento de canal, o que fragiliza sobremaneira o dente em questão.

Confira no vídeo o efeito “Extrusão dos dentes antagonistas” (Vídeo: Vithaodontologia):



2) Sobrecarga nos dentes remanescentes: o sistema mastigatório foi desenhado para que todos os dentes atuem em conjunto e harmonicamente, quanto mais dentes são perdidos, mais os dentes sobreviventes são sobrecarregados.

3) Migração (inclinação lateral) dos dentes vizinhos: os dentes vizinhos migram gradativamente à área desdentada, gerando zonas de retenção de biofilme microbiano, podendo levar a perdas ósseas localizadas, gerando alteração do espaço (em largura) e deixando a futura coroa artificial com um formato anômalo (diferente do dente original perdido), o que pode influenciar em impacção alimentar, prejuízo funcional e estético.

4) Atrofia óssea: como bem sabemos, o músculo que não é usado tende a atrofiar com o tempo. Ao perdermos um dente não é diferente, o osso atrofia. O organismo entende que não há necessidade da presença de toda aquela quantidade de osso que suportava o elemento dental. Assim, cria-se um defeito e, se demorarmos para reabilitar, ele tende a aumentar cada vez mais. Se porventura o paciente resolver fazer um implante ósseo integrado, a coroa artificial terá um formato maior que as demais coroas naturais, dificultando sua higiene, pois a margem gengival fica mais tortuosa, o que acarretará em prejuízos funcionais e estéticos. Por esse motivo, sempre que for possível, devemos lançar mão de técnicas modernas, onde a extração deve ser
seguida de implantação imediata, com enxerto ósseo e tecidual concomitantes, para amenizar ao máximo essa atrofia
. Para isso, o paciente deve procurar, de preferência, um profissional especializado nas áreas de Periodontia e Implantodontia.

Finalmente, é muito importante ressaltar que, por mais que o dentista tenha toda expertise do mundo, nada substitui a perfeição Divina. Os implantes são cilindros bem mais estreitos que os dentes. Por isso, apesar de proporcionar resultados estéticos fantásticos, tal fato torna a reabilitação da região não tão perfeita quanto o natural.

Portanto, considerando que teremos que lidar com algo não tão perfeito quanto o dente natural, o jeito é cuidar de cada dente como uma jóia raríssima, de valor inestimável!

Espero que vocês tenham gostado do assunto dessa semana! Muito obrigada a todos e até a próxima coluna.

*Elibel Carvalho é cirurgiã-dentista há 25 anos. É mestre e especialista em
periodontia, e especialista em implantodontia.

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