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Segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

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Espetáculo “Reparir-se Maiêutica” começa a circular neste domingo

Da Redação - Vitória Lopes

05 Jan 2018 - 08:13

Foto: Rai Reis

Espetáculo “Reparir-se Maiêutica” começa a circular neste domingo
O espetáculo Re-parir-se Maiêutica, encenado neste domingo (7), em Rondonópolis (232 km), defende a emancipação e autonomia feminina por meio do autoconhecimento e a defesa poética do sagrado feminino. A apresentação será às 19h, no espaço Casario, com entrada gratuita. Na segunda-feira (8), no mesmo local, ocorre a oficina integrada à ação cultural, “Corpo digital, corpo analógico”, às 8 horas. Inscrições podem ser feitas no local.

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O poderio feminino não se resume à capacidade de gerar outro ser, mas de gerar o que bem desejar. A atriz, bonequeira e diretora de teatro, Raquel Mützenberg, a exemplo, escolheu ser um casulo que dá à luz e ideias.

Depoimentos, textos filosóficos, registros audiovisuais e a pesquisa sobre o teatro de formas animadas se emaranharam em seu íntimo e a partir daí a artista gerou o projeto que foi ponto de partida para a dissertação de mestrado de Raquel. Levado a campo, tomou as ruas de vários lugares do país – por iniciativa própria e em circulação pelo Palco Giratório do Sesc – além, de Santiago, no Chile e ainda no Minho, em Portugal. 

Nestes, Raquel expôs o parto nas ruas e espaços alternativos, diluindo a organicidade e magia da concepção à aridez e concretude das cidades.

Re-parir-se Maiêutica parte de uma pesquisa em teatro de animação selecionada para o Programa de Pós-Graduação em Estudos de Cultura Contemporânea da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Recentemente, o espetáculo, que foi lapidado ao longo do estudo, foi aprovado no edital Circula MT, idealizado pela Secretaria de Estado de Cultura.

“Coletei reportagens jornalísticas sobre a realidade vivida pelas parturientes do sistema público de saúde no Brasil, vivências de doulas, vídeos científicos sobre reprodução humana e fotos de parto humanizado. Somei a estas fontes, as discussões acadêmicas sobre a subjetividade coletiva e a experimentação cênica em teatro de animação”, explica.

Segundo ela, foi assim que idealizou um objeto animável que se confunde ao seu corpo. “É assim que ocorre a materialização do método que Sócrates utilizava para ajudar jovens a conceber suas próprias ideias: a Maiêutica. Influenciado pela vida de sua mãe, que era parteira, Sócrates desenvolve o parto das ideias. A Maiêutica socrática é traduzida ao teatro de formas animadas com uma técnica na qual o corpo da atriz compõe a estrutura física do objeto que ganha a animação”, diz. Ela incorporou também ao trabalho, frases de filósofos contemporâneos como Suely Rolnik, Daniel Lins e Gilles Deleuze.

“Com base neles, idealizei uma mulher que não quer ter um filho, mas que vai se parindo, se reinventando. Fisicamente, parindo a si mesma. Um corpo que se desdobra em outro, de faces que desdobram em outras faces”, descreve em metáforas.

O projeto que circula ainda por Chapada dos Guimarães, Poconé, Primavera do Leste e Barra do Bugres – nas próximas semanas – conta com direção de Luiz Marchetti. “Apresentei a ele um sketch book com referências diversas e ele, partindo de uma estética orgânica, plastificou tudo isso, idealizando toda uma encenação que explora a poesia, trilha sonora ao vivo e recursos audiovisuais. O espetáculo é encenado em uma caixa de plástico bolha. A plateia, por sua vez, pode visualizá-lo de várias perspectivas: focando diretamente em minha apresentação, visualizando simultaneamente edições de vídeos ou ainda, por buracos feitos na caixa de plástico-bolha”.

Somam ao projeto, Juliana Segóvia no audiovisual, Willian Kanashiro na música e audiovisual, Carol Andrade na produção, Douglas Peron na cenografia, Alessandra Mandú Nord, Tuanny Godoy e Carol Turin com assessoria sobre parto humanizado, Millena Machado e Madiano Marchetti com imagens de audiovisual, Rai Reis com fotos, Roseli Carnaiba com design gráfico. O espetáculo é composto de seis cenas que exploram temas diversos, como o aborto, os partos humanizados e cesárea. “A colaboração masculina dá outras nuances à obra. Os homens tornam-se também, multiplicadores na defesa do empoderamento feminino”, ressalta.

Oficina

Em todas as cidades por onde circulará, Raquel desenvolverá também, a oficina “Corpo Digital, Corpo Analógico” em que em parceria com a cineasta Juliana Segóvia, apresentará técnicas do teatro de formas animadas em diálogo com ferramentas do audiovisual.

Mais informações: 9 8115 5337

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