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Há 30 anos, Brasil reunia-se para votar emenda constitucional Dante de Oliveira

Da Redação - Stéfanie Medeiros

25 Abr 2014 - 17:50

Foto: Reprodução

Há 30 anos, Brasil reunia-se para votar emenda constitucional Dante de Oliveira
Todos nos lembramos da Ditadura Militar ou, como muitos gostam de dizer, golpe de 1964. E ainda sobre este período, mesmo os que nasceram muito depois desta época, tem em mente as gloriosas “Diretas Já”, seja viva na memória, seja através de imagens. Mas o que às vezes fica “não-dito” é que este movimento, um dos maiores que o Brasil já viu, foi iniciado pela proposta de emenda constitucional Dante de Oliveira – um cuiabano.

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Na juventude, Dante foi estudar na Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde graduou-se em engenharia civil. Ainda neste período, associou-se ao Movimento Revolucionário Oito de Abril, quando este havia adquirido viés político e não mais de luta armada contra a ditadura.

Aos 31 anos, o cuiabano foi eleito deputado federal e, nesta posição, propôs a emenda constitucional que levaria o seu nome – e que deu origem ao movimento “Diretas Já”. A emenda propunha que as eleições presidenciais do país fossem feitas através do voto popular, de forma direta. Na época, os presidentes eram eleitos pelos generais, sem consulta da população, rompendo assim com os princípios democráticos.


(Manifestações das "Diretas Já")

Embora a proposta não possa ser creditada exclusivamente ao deputado federal de terras cuiabanas, a iniciativa de Dante teve tanta repercussão que o país inteiro saiu às ruas. Em São Paulo, mais de 1,7 milhões de manifestantes ocuparam o Vale do Anhagabaú, considerada a maior concentração popular que o Brasil já teve.

A votação da emenda constitucional foi no dia 25 de abril de 1984 - há exatamente 30 anos. Na véspera da votação, as principais cidades assistiram a "panelaços" a favor das “Diretas Já”. Apesar de toda a expectativa e pressão que cercavam esta votação - segundo dados do Ibope da época, mais de 80% dos brasileiros eram a favor da emenda – a proposta ainda assim não foi aprovada. Na contagem, 298 deputados votaram a favor, 65 contra e 3 se abstiveram. No entanto, 112 deputados não compareceram ao plenário para votação, sendo assim, a emenda não conseguiu dois terços de votos a favor.

No entanto, o resultado acentuou ainda mais as fissuras do partido governante e, tanto a iniciativa de Dante, quanto o movimento popular, contribuíram para a eleição do presidente Tancredo Neves, que faleceu antes mesmo de tomar posse.

No ano seguinte, em 1985, Dante de Oliveira foi eleito prefeito de Cuiabá pelo Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB). Ele afastou-se do cargo para ser ministro da Reforma Agrária no governo de José Sarney (presidente após o falecimento de Tancredo Neves), mas voltou à capital mato-grossense em um segundo mandato da prefeitura em 1992.

Após uma carreira política agitada, Dante, aos 54 anos, ainda pretendia disputar mais um mandato para deputado federal, mas, no mesmo ano, foi internado no Hospital Jardim Cuiabá. Dante tratava-se de uma pneumonia quando foi internado. Por volta das 20h30 do dia 6 de julho de 2006, o político faleceu. Os boletins médicos afirmavam que ele apresentava infecção generalizada avançada e diabetes alta.

O governador de Mato Grosso da época, Blairo Maggi, decretou três dias de luto pela morte de Dante. Amigos, parentes, políticos e admiradores de Dante reuniram-se na frente do hospital no dia. E hoje, 30 anos depois da votação da proposta de emenda constitucional Dante de Oliveira, lembramos o cuiabano cuja iniciativa despertou o espírito guerreiro do brasileiro e o fez sair as ruas de forma sem precedentes na história do país.

5 comentários

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  • penniaceo
    28 Abr 2014 às 12:38

    Legal, tem muita gente querendo a volta do regime militar, a nossa "democracia" apodreceu, está fedendo, diretas já, opa mudanças já!

  • Clotildes
    26 Abr 2014 às 07:52

    Quem continua patrocinando a mídia: PSDB, Armando. Por que não falam a verdade sobre o movimento orquestrado por aqueles que estavam doidos pelo poder? Não quero que a verdade apreça aos poucos que que demore para aparecer!

  • Jurema
    26 Abr 2014 às 07:40

    Realmente, os interesses dos políticos(Brizolla, Ullisses, Lula) pelo poder era maior do que tudo. O Brasil e a democracia era apenas um detalhe, trampolim para suas ambições.

  • leo
    26 Abr 2014 às 07:05

    Eramos felizes e não sabíamos.

  • Lorivaldo
    25 Abr 2014 às 21:29

    Muita demagogia de Montoro, Brizolla, Arraes Ullisses pra nada Eta brazilzinho...

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