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Promotoria lança cartilha "Homens que agradam não agridem", em combate à violência contra a mulher

Da Redação - Paulo Victor Fanaia Teixeira

29 Nov 2016 - 10:00

Foto: Rogério Florentino Pereira/OD

Lançamento da Campanha

Lançamento da Campanha

No ano de 2013, o Brasil registrou 13 assassinatos a mulheres por dia. Nós somos um país machista, retrógrado e feminicida, revelam os dados do Mapa da Violência. Ainda, dos 4.762 assassinatos de mulheres registrados naquele ano, 50,3% foram cometidos por familiares, sendo que 33,2%, por um parceiro ou por um ex. Entre 1980 e 2013, 106.093 brasileiras foram mortas. Não bastando a morte, a agressão verbal e física, 85% das mulheres brasileiras revelam ter medo de sofrer violência sexual a qualquer instante e 03 em cada 05 já foram agredidas por um parceiro. Os dados não são frutos do acaso, são resultados de décadas de machismo, ignorância, covardia e cumplicidade masculina. O resultado prático disso é que “37% dos homens e mulheres entrevistados concordam que “mulheres que se dão ao respeito não são estupradas” *.

Após anos de teoria e prática, a promotora responsável pelo Núcleo de Enfrentamento da Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher de Cuiabá, Lindinalva Rodrigues, não tem dúvidas: precisamos combater a cerne do problema, a cultura machista no seio familiar. Para isso lançou, em cerimônia realizada nesta segunda-feira (28), o projeto “Homens que agradam, não agridem”, que prevê uma série de atividades e distribuição de 12 mil cartilhas que esclarecem o tema e problematizam a violência contra a mulher.

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Durante o lançamento, foi firmado um convênio entre as instituições parceiras, são elas: Ministério Público Estadual (MPE), Tribunal de Contas do Estado (TCE), Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), Sala da Mulher e Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Trabalho e Assistência Social (SETAS).

Promotora:

Antes de apresentar o projeto, a promotora responsável pelo evento, Lindinalva Rodrigues falou com a imprensa, explicou o objetivo do projeto e lamentou que Mato Grosso ainda apresente cenário alarmante de violência doméstica.
 

“O projeto ‘Homens que agradam, não agridem’ surgiu exatamente da necessidade de chamarmos os homens para serem parceiros no enfrentamento à violência doméstica e familiar. É um projeto absolutamente educativo, que visa prevenir a violência doméstica, é um projeto que visa ir aos canteiros de obras, às empresas, às escolas e universidades, chamando os homens para que eles tenham consciência de que não podemos mais ter tanta desigualdade entre homens e mulheres, para evitar a coisificação da mulher, evitar o machismo. Ainda, para que os homens entendam sua participação nas atividades domésticas e no cuidado dos filhos, para que tenham em mente o que diz a Lei Maria da Penha, sobre a alienação parental, etc”.

Adiante, a promotora acrescenta. “A violência doméstica em Mato Grosso continua avançada, principalmente no interior”, lamenta a promotora. “Não só Mato Grosso como em todos os países latinos andam a passos bem vagarosos quanto isso (avanços no combate ao machismo e à violência contra a mulher). O Brasil é um país machista que nega que é machista, é um país racista que nega que é racista. É o país da hipocrisia”.

E resume a atuação do MPE, na sua visão. “O combate à violência doméstica é muito mais que prender e processar, é educar, reeducar, prevenir e criar políticas publicas para evitá-la”.

MPE:

Anfitrião do evento, posto que a cerimônia ocorreu na Sede das Promotorias do Ministério Público Estadual (MPE), Procurador-Geral do Estado, Paulo Roberto Jorge do Prado, manifestou, em entrevista, o apoio do órgão ministerial nesta campanha e lamentou que o machismo ainda vigore na mentalidade do brasileiro.
 

“Esse é um projeto que envolve, além do Ministério Público Estadual (MPE), o legislativo, o executivo, o Tribunal de Contas e a sociedade civil organizada. O que queremos é que a mulher e a família sejam respeitadas. Não tem cabimento o número de mulheres espancadas e mortas. Precisamos trabalhar para que acabe essa agressão e o homem, enquanto marido e namorado, respeite sua companheira. Precisamos conscientizar que homem que agrada, não agride. Partimos dessa premissa para espalhar essa metodologia e essa cultura, para mudarmos o pensamento machista que, infelizmente, ainda vigora no país”.

Governo do Estado:

O Secretário-Chefe da Casa Civil do Governo do Estado de Mato Grosso, Paulo Cesar Zamar Taques, em um discurso emocionante, destacou que além de uma ação institucional, o combate à violência doméstica parte de cada um de nós. Ele garantiu ainda, em nome do governador Pedro Taques, o compromisso do Executivo Estadual na campanha lançada pela promotora.
 

“O governo do Estado de Mato Grosso, na pessoa do governador Pedro Taques, sob nenhuma hipótese ficará de fora deste projeto, deste convênio e de qualquer outro que a senhora (Lindinalva), por ventura possa capitanear, nesta luta, infelizmente, incansável, pois parece que não vai acabar nunca, e combater a violência contra a mulher. A cartilha que ajudamos a imprimir ficou muito boa e acessível, com uma linguagem simples. Por fim, quero dizer que a violência contra a mulher também depende da atitude de cada um de nós, todas as vezes que vemos um amigo, um parente ou um vizinho fazendo uma descompostura contra sua parceira, se nós não nos indignamos e não mostramos o quanto repudiamos aquele comportamento, também seremos covardes. Esta luta é dos poderes, das instituições, mas também uma luta pessoal. O agressor pode estar ao lado”.

TCE:

Em seu discurso, o Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Antonio Joaquim Moraes Rodrigues Neto, destacou a participação do órgão na elaboração do material e manifestou sua crença nas mudanças.
 

“O Tribunal deu sua cota, através de sua editora, Publicontas, elaborando esta cartilha, fez a diagramação, a ilustração e imprimiu 12 mil cópias, os demais poderes também deveriam imprimir mais. O TCE se sente honrado em participar e por tentarmos extirpar da prática da cultura brasileira essa situação vexaminosa de termos este nível de violência contra as mulheres. Acredito que o projeto vai dar resultado, assim como vem se traduzindo nas ações do MPE, sob liderança da promotora Lindinalva, mas isso só se resolve com educação, em uma ação firme das instituições, no sentido de mostrar para o cidadão que macho é ser carinho e responsável”.

* Dados da percepção da população brasileira sobre violência sexual realizada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública/Datafolha em 2016.

5 comentários

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  • ALEX
    06 Dez 2016 às 12:34

    Essa promotora é uma "estrela", enquanto isso, as cidadãs comuns vão sendo mortas.

  • elSIO
    29 Nov 2016 às 13:14

    não publicaram meu comentario sobre alienação parental. não gostam da vrdade. prevalece o feminismo doentio.

  • Rui Negreiros
    29 Nov 2016 às 11:41

    Essa é aquela Promotora que o CNMP condenou por violência psicológica contra uma servidora após o MPMT passar mãozinha na cabeça???

  • elSIO
    29 Nov 2016 às 11:18

    E MULHERES QUE PRATICAM ALIENAÇÃO PARENTAL COM APOIO DE IGREJA É O QUE, INOCENTE? ELA DEVERÁ SER RESPONSABILIZADA PELO MAL CAUSADO A FILHA. O PAI QUE DEVE SER PENALIZADO COMO DITA O FEMINISMO, POIS MULHER NÃO ERRA E O HOMEM ATUA DEVE PAGAR PELA HISTORIA DE SUPOSTA VIOLENCIA. DIGO SUPOSTA, POIS SE NÃO HAVIA LEI DEFININDO TAIS PRATICAS COMO VIOLENCIA, LOGO NÃO HOUVE VIOLENCIA E CULPAR E PRESUMINDAMENTE CONDDENAR OS HOMENS POR FATOS INEXISTENTES DO PASSADO É COMETER INJUSTICA DE NATUREZA GRAVE, AINDA MAIS QUANDO SE FECHA OS OLHOS E TAPA OS OUVIDOS AS PRATICAS DE MULHERES HOJE. PORQUE NÃO PUNEM A ALIENAÇÃO PARENTAL? SE MULHERES SÃO PRESUMIDAMENTE INOCENTES, COMO FICARÁ A PRATICA DA ALIENAÇÃO E SEUS MALES RESULTANTES?

  • Curimbatá
    29 Nov 2016 às 10:40

    Cartiha, licitação, gráfica. Já vi sse filme!!!

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