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Segunda-feira, 24 de julho de 2017

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Membro da OAB-MT critica excesso de cursos de Direito no Estado; "maus professores e alunos 'oba oba'"

Da Redação - Paulo Victor Fanaia Teixeira

19 Fev 2017 - 09:16

Foto: Rogério Florentino Pereira/OD

João Batista Beneti

João Batista Beneti

O advogado João Batista Beneti, que preside o Tribunal de Ética de Disciplina (TED) da Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Mato Grosso (OAB-MT) criticou a profusão de cursos de Direito no Estado de Mato Grosso. O resultado prático da união de maus professores e alunos que sequer sabem o que querem de suas vidas profissionais é o alto índice de reprovação nos exames da Ordem. Em entrevista ao Olhar Jurídico  Beneti, que possui experiência na advocacia de mais de 40 anos, admitiu que há, sim, interesse da OAB-MT em barrar os despreparados, garantindo vagas apenas aos “comprometidos”.

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O Direito vem passando por um aumento considerável de profissionais no mercado e a OAB é frequentemente citada como um órgão que faz certa reserva de mercado. Como a Ordem se posiciona com relação a essa abertura excessiva de cursos de Direito no Brasil?

“A OAB-MT não é consultada, mas somos totalmente contrários a essa profusão de cursos. Principalmente à pedagogia do curso, pois muitas vezes são maus profissionais, que ministram aulas para alunos que muitas vezes nem sabem o que estão fazendo lá. A razão do exame da Ordem ser bastante seletivo - vamos dizer assim - não duro, mas seletivo, é para justamente colocarmos na entidade profissionais, pessoas realmente comprometidas com aquilo que se propuseram a fazer”.

E o aluno que pagou suas mensalidades em dia, obteve boas notas em todas as disciplinas, se formou e não conseguiu passar no exame da Ordem. Após inúmeras tentativas frustradas, esse sujeito pode processar a instituição de ensino por não ter tido um aprendizado suficiente?

“Essa condição não existe, é aquela história: ‘você não estudou, você não vai passar’. Como em qualquer concurso, você sabe que terá concorrência, somente esta palavra já pode dar certo desconforto. Concordo que realmente existam alunos com boas notas e que não passam, mas eles precisam se conscientizar de que é preciso estudar corretamente e ir com tranquilidade para a prova para poder passar. Não existe outro sistema. Já tentaram outros meios, já tentaram ações, mas não procede. Mesmo que a faculdade não tenha notas boas (em critérios governamentais), não fazemos avaliação da faculdade, mas sim do aluno”. 

A OAB-MT percebe qualidade inferior no ensino de Direito nas faculdades privadas?

“Na realidade precisamos analisar o aluno, pois se ele quer fazer um bom curso ele estuda independente da escola ser boa ou ruim. Agora, existe a turminha do ‘oba oba’, que quer fazer faculdade para dizer que fez curso de Direito, que é advogado (às vezes nem advoga nada) e muitas vezes (ou na maioria das vezes) fazem o exame e não passam, pois não tem a mínima condição, sem conhecimento. Então é o aluno que faz sua condição, se ele quer a orientação da escola já o coloca nos trilhos para que ele termine o curso e ingresse na Ordem”.

Existe um acompanhamento da OAB-MT em termos de qualidade do ensino?

“Não, não, deixamos isso para competência do Ministério da Educação (MEC)”.

A OAB-MT não tem interesse em analisar a grade curricular destes cursos?

“Acho que o Conselho Federal faz esse tipo de trabalho, não tenho conhecimento profundo a respeito, mas creio que eles tenham comissões que trabalham neste sentido”.

O exame da Ordem não quer saber se o concorrente é rico ou pobre, bonito ou feio, certo?
“Não quer saber, não existe diferença, o exame é um só”.

É único para todo o país, certo?

“Sim, os exames da Ordem são feitos no Brasil todo são o mesmo, é unificado. O que significa que não adianta você dizer que vai deixar Mato Grosso para tentar o exame em São Paulo, por exemplo, não existe. Antigamente não era unificado e existia certa facilidade em alguns Estados, mas aqui nunca houve facilidade”.

Advocacia não é brincadeira, não é, João Beneti?

“É, veja bem... acho que como em toda área, para ser um bom profissional você precisa estudar, compreender a matéria, para quando te fizerem uma pergunta você saiba exatamente o que está respondendo. Não adianta chutar também. Você pode até chutar, acertar determinado número, passar e daí? As questões principais você não acertou e o que vai acontecer? Você será um péssimo profissional, pois não tem conhecimento, pois só ele é que vai lhe dar o caminho na vida, lá fora, quando for advogar”.

18 comentários

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  • Gualter Andrade Mello
    20 Fev 2017 às 21:22

    PODE FICAR TRANQUILO,EMINENTE PRESIDENTE DO TED ! PELO MENOS UM TIPO MAUS PROFISSIONAIS ESTÁ DIMINUINDO , E A PIOR DELES : OS LADRÕES DO DINHEIRO PÚBLICO, OS CORRUPTOS. SEMANA PASSADA JÁ PRENDERAM UM, E DOS GRANDÕES FOI DE TUDO NA OAB-MT , ATÉ PRESIDENTE. CREIO QUE ESSA IMPORTANTE BAIXA NO TIME DOS ADVOGADOS QUE SE METEM COM CORRUPÇÕA JÁ DEVE SER RESULTADO DE SEU TRABALHO NA PRESIDENCIA DO TED. PARABENS.

  • landolfo
    20 Fev 2017 às 17:17

    Caro Lincon Nurente são membros filiados... afiliados deve ser das pessoas batizadas nas igrejas...

  • Douglas S. Barbosa
    20 Fev 2017 às 12:14

    Com razão o conselheiro. Posso dar meu testemunho com conhecimento prático. A proliferação de faculdades “uniesquina”, não só em MT, como em todo país, está destruindo, ou ao menos, dificultando o exercício em alto nível da profissão. Por quê? Simples. Baixa remuneração dos professores somada a falta de autonomia nas avaliações, corroborados, ainda pela falta de investimento em estrutura e em materiais. Resultado: professores desmotivados. Tudo isso multiplicado pela política de faculdades que fomentam atividades aptas a substituir o semestre letivo - como os tais “cursos de verão” - que visam tão somente empurrar alunos mentecaptos para o próximo semestre, que ao final, desaguam em um desfecho único: reprovação no exame da OAB. Isso para não falar da cultura da “cola”, ou do “jeitinho brasileiro” que assola o país, situação a qual demonstra que o problema não é somente no ensino, mas sim na própria consciência que temos entre o certo e o errado. O pior é que 90% dos discentes do curso de direito dizem que o objetivo é o de “passar em um concurso”. Mal sabem eles que o exame da OAB é a prova mais fácil que irão se deparar.

  • Lincon Nurente Camargos
    20 Fev 2017 às 10:48

    Essa OAB é uma piada. Os professores de direito, ao longo do tempo, são advogados que sempre foram seus membros afiliados.

  • Tilden Milanês Correa
    20 Fev 2017 às 09:40

    Vetado por conter expressões ofensivas e/ou impróprias, denúncias sem provas e/ou de cunho pessoal ou por atingir a imagem de terceiros. Queira por favor refazer seu comentário e reenviá-lo.

  • ROBERTO
    20 Fev 2017 às 08:39

    O CORRETO ERA TER UMA PROVA DESTA PARA TODOS OS ADVOGADOS A CADA CINCO ANOS, AI QUERIA VER MUITOS SEREM REPROVADOS. O QUE VEMOS HOJE É UMA INCAPACIDADE PROFISSIONAL E FALTA DE COMPROMETIMENTO DE MUITOS ADVOGADOS COM SUA PROFISSÃO.

  • El Cid
    20 Fev 2017 às 08:24

    Vejo certos advogados hoje em dia que não sabem definir más de mas ou mais. A gente de agente, eminente de iminente, estupro escrevem estrupo e por aí vai. Dá vergonha ler as peças redigidas por certos advogados. Estou de acordo com o Dr. Beneti!

  • Justo
    19 Fev 2017 às 17:18

    A verdade é o seguinte essas faculdades particulares de ensino superior virou comércio, os donos da faculdades so ganhar lucro e se vira o cidadão que pagou seu curso, agora como disse o advogado tem muitos alunos que fazem o curso somente para dizer que é formado em direito. Tem advogado demais aqui em Cuiabá.

  • Luiza
    19 Fev 2017 às 15:16

    Facilidade mesmo foi para os graduados antes do ano de 1994, quando o exame da ordem era opcional. Concordo plenamente com a atual"peneirada" da OAB.

  • TOTONHO PICANÇO
    19 Fev 2017 às 14:35

    UM EXEMPLO DE QUE PROFESSORES MEDÍOCRES RESULTAM NA FORMAÇÃO DE PÉSSIMOS PROFISSIONAIS DO DIREITO É O PRÓPRIO ENTREVISTADO.

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