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Sábado, 19 de agosto de 2017

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TJ arquiva sindicância contra juíza e desembargador se irrita: "saiu distribuindo beijos; é um deboche”

Da Redação - Paulo Victor Fanaia Teixeira

16 Mar 2017 - 16:55

Foto: Rogério Florentino Pereira/OD

Orlando Perri

Orlando Perri

“O TJ está dizendo que os juízes podem fraudar”, vociferou o desembargador Orlando Perri, durante sessão do Pleno do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), na tarde desta quinta-feira (16). Na ocasião, a Corte arquivou, por 15 votos a 11, sindicância em desfavor da juíza da Vara de Execução Fiscal de Cuiabá, Flávia Catarina Amorim Reis, acusada de manipular dados no sistema do Tribunal para aumentar sua produtividade.

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De acordo com a acusação, Flávia Catarina Reis teria modificado informações no sistema Apolo (programa de computador do TJMT) para fraudar as regras de produtividade do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e alcançar, por meio dos dados falsos, os critérios de promoção profissional no órgão. Ela, entretanto, tem sua produtividade real considerada “baixíssima”. Também consta do nome da juíza outras três apurações por conta de atrasos em julgamentos de processos que se aproximam da prescrição. 

Durante a sessão que determinou, por 15 a 11, o arquivamento da investigação contra a juíza, Perri interrompeu e pediu para traçar comentários. Duros comentários. Criticou a ausência de esforços para julgar Flávia Catarina Reis e sua postura "debochada" perante a Corte. “Nunca vi disposição para se abrir sindicância contra determinados juízes. Quando a última sindicância foi arquivada, ela saiu distribuindo beijos aos integrantes desta corte. Isso é um deboche!”.

O desembargador contextualizou a sindicância instaurada na 10ª Vara Criminal, negou prescrição da pauta e observou existência de provas concretas para abertura de procedimento disciplinar contra a magistrada, incluindo afirmações de assessores e gestores da Vara.

“Não há que se falar em prescrição, estes fatos estão mais que comprovados. Há confissão dela (de) que fazia lançamentos equivocados, especialmente em audiência. Quer dizer que a constatação pela equipe de magistrados está errada? Eles é quem estão errados? A gestora da Vara foi ouvida em audiência como testemunha e afirmou categoricamente que os lançamentos eram realizados a mando da juíza. A assessora da magistrada também confirmou”.

Visivelmente irritado, o desembargador Orlando Perri concluiu manifestação. “A magistrada lançou inúmeras sentenças sem conteúdo. O que mais este Tribunal está precisando para abrir uma sindicância? Que prova maiores está a exigir? Basta existência de indícios! Essas situações, e somo aqui às informações do desembargador Luiz Carlos (da Costa), vêm se sucedendo ao longo dos anos. O que este Tribunal disse hoje, a mensagem aos magistrados é que: vocês podem fraudar relatórios, podem trapacear seus colegas e, se pego no pulo do gato, basta que se conserte e fica tudo bem”.

Chateou-se:
 
Quem não gostou nada da manifestão do colega foi o desembargador José Zuquim Nogueira, que havia votado inicialmente pelo arquivamento e hoje acompanhou o voto de Luiz Carlos da Costa. “Me sinto ofendido com o pronunciamento do desembargador Orlando de Almeida Perri. Quero dizer que atuo com a minha consciência e minha independência”, disse e acrescentou. “Quero registrar a independência nos meus votos, procuro me conduzir pela minha consciência, não passo a mão na cabeça de ninguém!”.
 
Perri ainda rebateu. “Alguns desembargadores devem se declarar suspeitos em alguns processos que chegam a este plenário. Não foi minha intenção ofendê-lo (disse a Zuquim), mas para alguns a carapuça serviu como uma luva”.

17 comentários

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  • Castro
    18 Mar 2017 às 13:28

    Uma vergonha, também acredito no que disse o Min. Barroso, temos uma elite delinquemte, em todos os n´níveis e áreas. Taí a prova com estes magnatas desembargadores. Um grande País e um pequeno povo.

  • Julio Arrais
    17 Mar 2017 às 18:35

    Vetado por conter expressões ofensivas e/ou impróprias, denúncias sem provas e/ou de cunho pessoal ou por atingir a imagem de terceiros. Queira por favor refazer seu comentário e reenviá-lo.

  • aldo rsbelo
    17 Mar 2017 às 14:17

    Ná Barra do garças. tém um adevogado quê toda vida manda no Forro. amigo de todos ós juízes e dr j. f.

  • kelvin
    17 Mar 2017 às 13:28

    É repugnante e lastimável, infelizmente a "Excelência " alvo da sindicância ter saído ilesa. É Senhor Desembargador... não só debochou da Corte mas sim de toda população. Tenho pena dos que tiveram uma sentença injusta e infundada da magistrada.

  • Patrícia Amorim
    17 Mar 2017 às 09:58

    Vetado por conter expressões ofensivas e/ou impróprias, denúncias sem provas e/ou de cunho pessoal ou por atingir a imagem de terceiros. Queira por favor refazer seu comentário e reenviá-lo.

  • FPG
    17 Mar 2017 às 09:10

    Sera que existe alguém que ainda acredita na justiça ? Quando aparece um bom, infelizmente não se consegue nada por ter dez ruim.

  • Carlos Nunes
    17 Mar 2017 às 09:02

    Tem certas medidas que a gente não entende de jeito nenhum. Fazer sindicância contra Juíza que está sentando a pua nos Corruptores e Corruptos? Devia isso sim dar pra Juíza uma Medalha de Honra. Como é difícil combater a Corrupção no Brasil...tem um a favor, uma porção para sabotar esse um. Deve ser por isso que o Brasil é o país de inversão de valores faz tempo, onde predominou durante décadas a frase: "cadeia no Brasil é só para pobre, p... e p...". O negócio começou a mudar, quando apareceu o Doutor JOAQUIM BARBOSA, que mandou vários do Mensalão pra cadeia...agora com o MORO então, o povo começou a acreditar de novo na Justiça, com a Selma em MT, o cartaz da Justiça foi lá em cima. Marcelo Resende, em seu programa, pediu que todas as fortunas que são pagas aos advogados, por certos clientes, seja investigado a Origem...disse em nível internacional que conhece vários traficantes que tem os melhores advogados. E questionou: seria esse dinheiro proveniente do tráfico? Jogou a farofa no ventilador, agora pra catar cada grãozinho é impossível. A Record é internacional. Parabéns pela coragem do jornalista.

  • Kesso
    17 Mar 2017 às 08:13

    É BEM MATOGROOOOSSSO

  • Leitor
    16 Mar 2017 às 21:33

    Por conta disso que foi criado o CNJ.

  • TSETUNG
    16 Mar 2017 às 20:38

    O correto seria a corregedoria, abrir uma sindicância, em desfavor do desembargador, por que este estava com muita pressa de libertar o empresario. Não é muito estranho?

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