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Terça-feira, 25 de abril de 2017

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Delegada confirma investigação que apura repasse ilegal de R$ 700 mil a Luciane Bezerra

Da Redação - Lázaro Thor Borges

20 Abr 2017 - 18:20

Delegada confirma investigação que apura repasse ilegal de R$ 700 mil a Luciane Bezerra
A advogada Alexandra Fachone, da Delegacia Fazendária (Defaz), confirmou nesta quinta-feira (20), que a ex-deputada e atual prefeita de Juara Luciane Bezerra (PSB) é suspeita de ter recebido R$ 700 mil em propina do grupo liderado pelo ex-governador Silval Barbosa.

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Luciane é alvo de um inquérito que tramita no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). A suspeita é de que Bezerra tenha sido beneficiada com dinheiro desviado, que tem origem na desapropriação ilegal de um terreno no bairro Jardim Liberdade, em Cuiabá.

O depoimento da delegada foi prestado na Sétima Vara Criminal de Cuiabá durante audiência do processo penal decorrente da Operação Sodoma 4. Fachone foi questionada pelo advogado João Cunha, que integra a defesa do ex-procurador Chico Lima, sobre uma investigação que apura o pagamento de propina quando Luciane era deputada estadual. A delegada confirmou a informação.

A investigação, no entanto, é sigilosa e os autos do processo criminal tramitam no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), uma vez que Bezerra ainda detém foro privilegiado, como prefeita da cidade de Juara, no norte do Estado. Luciane Bezerra é esposa do deputado Oscar Bezerra (PSB).

De acordo com a informação confirmada pela delegada, o dinheiro teria sido repassado de uma empresa em nome do delator Filinto Muller para outra empresa, no nome do irmão de Luciane Bezerra. Ainda durante o depoimento, o advogado de Chico Lima questionou se o dinheiro foi ou não sacado pelo irmão da então deputada. Mas a delegada evitou responder, e afirmou que aquela era uma informação “sigilosa”.

Estratégia

A defesa de Chico Lima não quis responder o motivo do questionamento e qual seria a estratégia específica que tenha levado o advogado a perguntar sobre a investigação sigilosa. Em uma de suas perguntas sobre o caso Cunha chegou a ser interrompido pela promotora Ana Cristina Bardusco. A representante do Ministério Público Estadual (MPE) ponderou à juíza Selma Rosane Arruda que os questionamentos não teriam ligação com o inquérito. A pergunta, no entanto, acabou sendo permitida pela magistrada.

Na saída da audiência, o advogado falou sobre o ocorrido. Segundo ele, a ideia era apenas ‘confirmar’ a investigação para demonstrar que houve sim dinheiro do esquema repassado a importantes figuras políticas na época:

 “O que a delegada confirmou é que de fato existe uma investigação destinada a apurar o pagamento da suposta propina a esta senhora por intermédio de uma empresa, que estava sendo representada por procuração naquele exato momento de pagamento do cheque, pelo irmão da deputada”, explicou. 

Outro lado

Em nota enviada a imprensa, a prefeita de Juara informou que não tem informações sobre a investigação e que está "à disposição da Justiça" para demais esclarecimentos. Leia a íntegra da nota: 

NOTA – LUCIANE BEZERRA 

A prefeita do muncípio de  Juara, Luciane Bezerra (PSB), reafirma que encontra-se a disposição  da justiça pra qualquer tipo de esclarecimentos. Nesta tarde (20/04), seu nome foi citado em reportagens em alguns veículos de comunicação do Estado que acompanhavam o depoimento da delegada Alexandra Fachone, da Delegacia Fazendária (Defaz), para à juíza Selma Arruda, da Sétima Vara Criminal de Cuiabá. A delegada mencionou que Luciane Bezerra esteja sendo investigada sob sigilo, após o depoimento de Pedro Nadaf no ano passado (2016).

Luciane esclarece que até o momento não tem informações sobre a investigação e que se for chamada para prestar qualquer tipo de  esclarecimentos estará a disposição da justiça. Luciane é prefeita de Juara, ex-deputada estadual e esposa do deputado Oscar Bezerra (PSB).

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