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Domingo, 20 de agosto de 2017

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Professor carioca vem a Cuiabá e realiza duas adoções tardias com ajuda de juizado

Da Redação - Lázaro Thor Borges

18 Jun 2017 - 09:58

Foto: Reprodução

Professor carioca vem a Cuiabá e realiza duas adoções tardias com ajuda de juizado
Desde que entraram no Lar da Criança, que fica no bairro Bandeirantes em Cuiabá, os menores Sidiwald Crystofher Rodrigues Santos de 11 anos e José Roberto Nunes de 10 anos já sabiam que o tempo é o principal inimigo da adoção. Quanto mais a criança cresce menor é a chance dela ser adotada. 

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Quem acaba de ingressar no seleto número de pais que decidiram e conseguiram adotar crianças mais velhas é o professor carioca Thiago Carneiro de Almeida, de 35 anos. Thiago, que mora no Rio de Janeiro, adotou Sidiwald e José Roberto após um cuidadoso processo de integração com as crianças. As informações são da assessoria do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). 

Segundo dados do Cadastro Nacional de Adoção, existem atualmente cerca de 5,7 mil crianças e adolescentes aptos a serem adotados. Do outro lado, 33,5 mil famílias querem adotar. A disparidade no número e no tamanho da fila de adoção tem um motivo: A maioria dos pais não quer crianças mais velhas. O CNA calcula que apenas 1% dos cadastrados dizem aceitar crianças acima de 8 anos.

A adoção, no entanto, não é um processo simples. E passa por uma série de questões que vão de determinantes burocráticos a problemas sociais e psicológicos das crianças. Thiago, por exemplo, enfrentou um duro período de aproximação. O pequeno "Sid", como Thiago chama seu filho, reagiu de maneira bastante negativa nos primeiros contatos. 

"Me lembrei de uma frase que ouvi no curso: a criança certa vai vir para família certa. Foi um período de muita luta, muita paciência. Sid não me tocava, me empurrava, era muito frio [...], mas quem tinha que amar era eu e não o Sid. Eu escolhi adotar. Todas as vezes que ele dizia não, repetia: eu sou seu pai, eu te amo. Você é meu, entre vários, eu te escolhi”, contou ele.

Thiago Almeida optou por adotar crianças com doenças e não fez preferência por bebês. O que facilitou todo trâmite processual e aumentou o número de possibilidades. No entanto, após receber uma ligação, num domingo, da juíza Gleide Bispo Santos, decidiu vencer o medo de andar de avião e vir até Cuiabá conhecer Sidiwald para o período de aproximação com o menor. Ficou hospedado no Lar da Criança, acompanhou toda rotina da instituição e conheceu José Roberto.

A boa dose de paciência foi rompendo o medo da rejeição do menor, cortou o laço afetivo com o Lar da Criança, e já no final de fevereiro conquistou a verdadeira relação entre pai e filho. Aí perguntou ao Sidiwald: você gostaria de ter um irmão? Ele respondeu: sim, o José Roberto. "Então vou lutar pelo José", respondeu o pai adotivo. Hoje, ele considera que a família está completa "Sidiwald é o filho desejado e amado, o primogênito. José Roberto, o sonhado", afirma.

Emocionada a juíza da 1ª Vara Especializada da Infância e Juventude de Cuiabá, Gleide Bispo Santos, comemorou a concretização da adoção dos dois meninos, que agora partirão para o Rio de Janeiro. Uma audiência foi realizada no Lar da Criança, que tem 17 acolhidos, a maioria com mais de 12 anos de idade.

"Estamos fechando o Lar, lá já chegamos a ter 200 crianças, mas estamos mudando para as Casas Lares com até 10 crianças somente. Hoje até chorei. Conseguimos concretizar a adoção do Sidiwald e do Luiz Felipe, que tem um grau de autismo leve, a guarda provisória de José Roberto [seis meses]. É um dia muito feliz", comemorou a magistrada.

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