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Sábado, 21 de outubro de 2017

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Bombeiros viram réus por tortura e morte de aluno; juíza nega prisão mas determina tornozeleira

Da Redação - Arthur Santos da Silva

28 Jul 2017 - 14:19

Foto: Rogério Florentino Pereira/Olhar Direto

Bombeiros viram réus por tortura e morte de aluno; juíza nega prisão mas determina tornozeleira
A magistrada Selma Rosane Arruda, da Sétima Vara Criminal, recebeu nesta sexta-feira (28) denúncia do Ministério Público do Estado de Mato Grosso em face de Izadora Ledur de Souza, Marcelo Augusto Reveles Carvalho, Thales Emmanuel da Silva Pereira, Diones Nunes Siqueira, Eneas de Oliveira Xavier e Francisco Alves de Barros por crime de tortura que resultou morte do aluno Rodrigo Patrício Lima Claro.

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A prisão preventiva em face da tenente Bombeiro Militar Izadora Ledur foi negada. Foram impostas as seguintes medidas cautelares: comparecimento mensal em juízo, para informar residência e justificar suas atividades; distante de quaisquer locais relacionados ao Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso, inclusive da Secretaria de Segurança Pública, para evitar o risco de novas infrações; proibição de manter contato com as testemunhas arroladas pelo Ministério Público sob qualquer hipótese; proibição de ausentar-se da Comarca sem autorização; suspensão do exercício de função pública de Tenente Bombeiro até o final da instrução processual; monitoração eletrônica. 

De acordo com a denúncia, o fato aconteceu no dia 10 de novembro de 2016 durante o treinamento de atividades aquáticas em ambiente natural do 16º Curso de Formação de Soldado Bombeiro do Estado de Mato Grosso realizado na Lagoa Trevisan em Cuiabá. O MPE destaca que apesar de apresentar excelente condicionamento físico, o aluno demonstrou dificuldades para desenvolver atividades como flutuação, nado livre, entre outros exercícios.

Consta na denúncia que embora o problema tenha chamado a atenção de todos,  os responsáveis pelo treinamento não só ignoraram a situação como utilizaram-se de métodos totalmente reprováveis, tanto pela corporação militar, quanto pela sociedade civil, para “castigar” os alunos do curso que estavam sob sua guarda.

Conforme o MPE, depoimentos colhidos durante a investigação demonstram que a vítima foi submetida a intenso sofrimento físico e mental com uso de violência. A atitude teria sido a forma utilizada pela tenente Izadora Ledur para punir Rodrigo por ele ter apresentado mau desempenho nas atividades dentro da água.

Em um dos depoimentos, por exemplo, foi relatado que em um determinado momento do treinamento a vítima estava com a cabeça baixa, reclamando de muita dor de cabeça, olhos vermelhos e vomitando água e que, mesmo assim, as atividades não foram interrompidas. O aluno chegou a se jogar no chão na posição fetal e com as pernas encolhidas por não conseguir ficar em pé. Nesse momento, a tenente teria humilhado-o perante todos.

“Os métodos abusivos praticados pela instrutora consistiram tanto de natureza física, por meio de caldos com afogamento, como de natureza mental utilizando ameaças de desligamento do curso com diversas ofensas e xingamentos humilhantes à vítima menoscabando sua condição de aluno”, diz um trecho da denúncia.

Acrescenta, ainda, que os outros bombeiros militares presentes no treinamento e também denunciados, mesmo observando as práticas delitivas cometidas por Izadora, quando tinham o dever legal de evitá-las, omitiram socorro a Rodrigo consentindo assim com a atitude criminosa da denunciada.     


De acordo com os depoimentos colhidos durante inquérito após ter sido submetido a diversas torturas por parte da tenente Izadora Ledur, vomitando muito e apresentando fortes dores de cabeça Rodrigo foi obrigado a se deslocar sozinho até o 1o BBM-Batalhão de Bombeiro Militar, localizado na Av. Agricola Paes de Barros, no bairro Cidade Alta, em Cuiabá para se apresentar ao Tenente-Coronel responsável pelo 16o CFSD, Licinio Ramalho Tavares e justificar a sua saída do treinamento, sendo utilizada para realizar tal trajeto, uma motocicleta de sua propriedade.

Consta que ao chegar no prédio do 1o BBM, se dirigiu até o gabinete do Tenente-Coronel Licínio e informou que não estava passando bem e por esse motivo teve que se ausentar da instrução realizada na lagoa. Nesse momento, verificando a peculiaridade da situação, foi designado pelo Tenente-Coronel que o Cabo Joilson Nunes da Silva acompanhasse Rodrigo até o atendimento à Policlínica do Verdão, instalada a cerca de 200 metros do prédio do 1o Batalhão de Bombeiros, trajeto esse que foi realizado a pé pela vítima e pelo Cabo. O primeiro atendimento teria ocorrido na Policlínica e mesmo após ter sido medicado, a vítima apresentou fortes dores de cabeça e por mais de uma vez sofreu crise convulsiva, oriundas dos inúmeros afogamentos sofridos durante a instrução.

Com a verificação da gravidade do quadro clínico da vítima, a médica que o atendeu solicitou transporte imediato de Rodrigo para um hospital, dada a sua suspeita de que ele estivesse manifestando um quadro de Acidente Vascular Cerebral-AVC e, devido às limitadas condições estruturais da Policlínica, a confirmação do diagnóstico, bem como o tratamento se tornariam inviáveis ali.

O pai de Rodrigo, Antonio Claro, foi localizado e informado da situação do seu filho, tendo acompanhado o deslocamento da vítima para o Hospital Jardim Cuiabá, onde o rapaz foi submetido a uma cirurgia de emergência para tentar reverter o seu quadro clínico que foi relatado pelo neurocirurgião como grave. A partir dessa data, Rodrigo permaneceu internado em uma Unidade de Acompanhamento do Hospital Jardim Cuiabá, vindo a óbito por hemorragia cerebral de causa natural no dia 15/11/2016, às 22:00hs

Segundo o Ministério Público, o deslocamento de Rodrigo até o Batalhão para os primeiros socorros ocorreu em função de não haver na Lagoa Trevisan nenhuma  Unidade de Resgate Móvel do Corpo de Bombeiros, já que das 2 Unidades existentes, uma estava "baixada" e a outra estava à disposição de outro evento - os Jogos Universitários. Sendo assim, todos os alunos executaram a travessia sem qualquer respaldo de atendimento de emergência, e Rodrigo Claro ao passar mal foi forçando a se deslocar sozinho até a sede do Corpo de Bombeiros sem ter sido socorrido imediatamente no local dos acontecimentos.

Para o MPE, o desenlace dos fatos, na ordem como ocorreram, desvela o nexo causal das sessões de tortura sofridas por Rodrigo e sua morte. Mesmo que a conclusão pericial tenha acordado que a causa do óbito se deu por hemorragia cerebral de causa natural, é fato que o intenso sofrimento físico e mental retratado nos “caldos” produzidos por Izadora Ledur levaram a vítima ao seu extremo e ocasionaram seu falecimento, haja vista as condições saudáveis que Rodrigo se encontrava antes de iniciar as atividades naquele trágico dia, bem como os exames obrigatórios apresentados no ato de sua matrícula no CFSD, que demonstram a total aptidão do aluno para a prática das tarefas.


Além da condenação pela prática do crime de tortura seguida de morte, na denúncia o MPE também requer a perda do cargo público de bombeiro Militar de Mato Grosso e a interdição para seu exercício pelo dobro do prazo da pena a ser aplicada para os denunciados: Izadora Ledur de Souza Dechamps, Marcelo Augusto Revéles Carvalho, Thales Emmanuel da Silva Pereira, Diones Nunes Sirqueira, Francisco Alves de Barros e Eneas de Oliveira Xavier  e a condenação na obrigação solidária de indenizar os danos causados pelo crime, sem excluir outras reparações devidas, consistente no pagamento das despesas como o tratamento da vítima, seu funeral e o luto da família, bem como na prestação de alimentos às pessoas a quem o morto os devia, levando-se em conta a duração provável da vida da vítima, cujos valores deverão ser apurados no decorrer da instrução criminal e atualizados até a data do efetivo pagamento.

19 comentários

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  • clenira tavares de lima rondon
    31 Jul 2017 às 12:39

    Fica o alerta as autoridades, para dar mais atenção aos treinamentos em qualquer segmento, colocando uma uti móvel para casos como esse. Uma vida que poderia ser salva e foi interrompida por negligencia e maldade.

  • Jorge,Um brasileiro
    30 Jul 2017 às 18:09

    Deveria usar era no pescoço.Deve mesmo e afastar e suspender pagamento ate a conclusão do PAD e sentença final , com expulsão do quadro da PM.

  • Mtmais transparência
    30 Jul 2017 às 16:38

    Infelizmente qual seja a sanção não irá trazer os familiares o seu filho. Mas em hora a seu nome deve ser julgado o mais breve possível e em seguida o pedido de exclusão, já está hora de acabar com essa farra de humilhações e torturas no ensino militar. Quero ver se existe alguma.nota de instrução que assegura esse Tipo tipo de atitude aos ingressantes. A melhor justiça será a dívida.

  • Sol
    29 Jul 2017 às 14:41

    Tornozeleira virou artigo de luxo, hoje os bandidos exibem como troféus.

  • José
    29 Jul 2017 às 14:06

    Quando os responsáveis pelas mortes do Soldado Abinoão Oliveira e do jovem Rodrigo Claro serão EXPULSOS da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros? Dr. Pedro Taques, V. Exa. será cobrado no pleito eleitoral de 2018, caso concorra há mais 4 anos de mandato! Chega de impunidade neste Estado!

  • Hr
    28 Jul 2017 às 22:18

    No fim de tudo o rodeio, não deu nada, se a juízeca queria proteger a acusada recusava a denúncia logo...

  • José
    28 Jul 2017 às 21:27

    Quando os responsáveis pelas mortes do Soldado Abinoão Oliveira e do jovem Rodrigo Claro serão EXPULSOS da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros? Dr. Pedro Taques, V. Exa. será cobrado no pleito eleitoral de 2018, caso concorra há mais 4 anos de mandato! Chega de impunidade neste Estado!

  • zelão cacerence
    28 Jul 2017 às 21:09

    PARABÉNS PARABÉNS MESMO A TODOS OS PROMOTORES DO (MINISTERIO PUBLICO DO ESTADO DE MATO GROSSO) Pela atitude de aplicar a sentença oferecer a denuncia sem que Haja (FAVORES OU DEVERES A TOGA PRETA) essa foi por MERITOS porque no PASSADO ANOS 80/90 e até nos anos 2003/5 ***As familia IMPERIAIS de NOME & RENOME com pesos POLITICOS fazia suas INDICAÇÕES E APADRINHAMENTOS e Leigos como são tinha PESO no APITAR E FRITAR DOS OVOS*** Isso na epoca erá REVOLTANTE como PAPAGAIO VELHO NÃO FALA estão ai REJEITADOS ATÉ PELOS VOTOS DOS ELEITORES>. ainda tem (site ai VETANDO e si indolatrando por eles>.

  • José
    28 Jul 2017 às 20:25

    Quando os responsáveis pelas mortes do Soldado Abinoão Oliveira e do jovem Rodrigo Claro serão EXPULSOS da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros? Dr. Pedro Taques, V. Exa. será cobrado no pleito eleitoral de 2018, caso concorra há mais 4 anos de mandato! Chega de impunidade neste Estado!

  • Igor Augusto
    28 Jul 2017 às 18:30

    essa didática de humilhação e sofrimento fisico e mental ficou a muito tempo para trás, aos que se recusam a se atualizar, e acham que podem ficar impune, que sirva de exemplo. mas a sociedade sabe que isso não foi um caso a parte, em todos os cursos de formação de militares não só aqui na nossa Comarca, mas em muitos estados brasileiros esse tipo de situação é constante.

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