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Segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

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Responsável por "planilha da propina", Riva comandou por 8 anos fraudes na AL, afirma viúva

Da Reportagem Local - Paulo Victor Fanaia Teixeira

24 Nov 2017 - 17:30

Foto: Rogério Florentino Pereira/Olhar Direto

Responsável por
A testemunha Cleonice Bernadete Kovel Adams, viúva de Edemar Nestor Adams, ex-secretário-geral da Assembléia Legislativa, apontou o ex-deputado José Geraldo Riva como líder de uma organização criminosa que por mais de 08 anos fraudou licitações e promoveu desvio e lavagem de dinheiro público. O depoimento aconteceu na tarde desta sexta-feira (24) a magistrada Selma Rosane Arruda, da Sétima Vara Criminal.

Responde a esta ação penal a esposa do ex-deputado, Janete Riva. O desvio é calculado em aproximadamente R$ 60 milhões. A sentença poderá sair ainda no fim deste ano.

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“Ele relatava isso pra mim em casa”, inicia Cleonice, ao referir-se ao marido Edemar Adams, morto em 2010, dirigindo-se ao Ministério Público Estadual (MPE), responsável pela audiência desta tarde.  “Quando meu marido começou a trabalhar na Assembleia já existia um esquema”.

Então quem teria introduzido Edemar Adams ao esquema? Questionou Selma Arruda. “José Riva”, afirmou categoricamente, a testemunha. “Durante todo o tempo que meu marido trabalhou lá, houve esquema. Foram oito anos na Assembleia”.

Conforme a testemunha explica em detalhes, os resultados das licitações para fornecimentos de materiais para a “Casa de Leis” já pré-determinados em um “acordo” coletivo que envolvia empresários e o deputado José Geraldo Riva, que segundo ela, regia a orquestra.

Para piorar o cenário de corrupção deslavada no Legislativo Estadual, em muitas das licitações as mercadorias eram superfaturadas e em outras, eles sequer eram, efetivamente, entregues.

Em outro momento, a testemunha narra ao MPE que certa feita seu marido teria sido filmado em uma reunião na qual a pessoa de Nassarden teria entregado uma maleta. O que estava na maleta? “Não sei..”, vacila a testemunha, que logo é lembrada pela promotoria que na audiência anterior havia dito em juízo que se tratava de dinheiro. Logo recobrou à memória. “É, dinheiro...”. Quanto? R$ 600 mil, dinheiro de propina. Para justificar a quantia, uma simulação de compra de apartamento seria feita pelo grupo criminoso.

Questionada sobre a destinação das propinas que seu esposo gerenciava, Cleonice diz que destinava-se sempre a José Riva, que administrava a quantia e conduzia uma parcela para o próprio empresário que se envolvia na fraude à licitação.

Em 2010, já pressentindo seu falecimento, Edemar Adams entregou nas mãos da esposa diversos pen-drives que deveriam ser levados para José Riva. “Se algo ocorresse com ele, que eu entregasse ao ex-deputado”, narra a testemunha.

Sobre o que constava dos drivers, Cleonice afirma se tratar de arquivos de planilhas, em Excel. Nelas constavam iniciais de nomes e cifras que variavam entre R$ 700 mil e R$ 800 mil.

Se havia nomes de empresas nas tais planilhas. Lembra-se da Gráfica Defanti, da Mundial Turismo e outra empresa do ramo de limpeza.

Toda a propina que o marido da testemunha recebida ia aos cuidados de José Riva.Ou entregava dinheiro pessoalmente ou pagava contas para o ex-deputado.

Conforme citado pela promotoria, a testemunha tem seus bens bloqueados pela justiça.

A audiência foi encerrada às 16h.

A oitiva encerra oficialmente a primeira parte do rito penal. A partir de hoje, o MPE terá 10 dias para oferecer suas alegações finais. Em seguida as defesas farão o mesmo. Então o processo se encerra, para o aguardo da sentença.

Cleonice Bernadete já havia sido interrogada em outras ocasiões sobre crimes ocorridos na “Casa de Leis”. A audiência deveria ocorrer no dia 6 de novembro, mas foi redesignada para hoje.
 
A Operação Imperador, deflagrada em 21 de fevereiro de 2015 pelo Gaeco, versa sobre um suposto combinado corrupto que lesou os cofres públicos em cerca de R$ 60 milhões.
 
O ex-parlamentar e sua esposa - que atuava como secretária de Administração e Patrimônio da Casa de Leis - foram denunciados juntamente com outras 13 pessoas, entre servidores e proprietários de cinco empresas utilizadas no 'esquema'. A fraude, conforme o MPE, ocorreu no período de 2005 a 2009.

Devido à prisão preventiva decretada contra o político ainda 2015, o processo foi desmembrado. Justamente nos autos de Jose Riva foram confessadas por Cleonice informações sobre a veracidade do esquema criminoso.

2 comentários

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  • Critico
    24 Nov 2017 às 20:27

    Afinal quantas fazendas foram penhoradas pra indenizar o erário público?

  • Getulio Tavares da Silva
    24 Nov 2017 às 19:27

    Meu DEUS que HORROR....isso é o pobre Mato Grosso, que roubavam e ainda riubam milhões de reais, via Assembleia Legislativa, enquanto morrem milhares de pessoas no nossos Hospitais publicos por falta de recursos financeiros. Por favor Dra Shelma, CADEIA NELLES JJJJJJJJJJJJJJáaaaa.

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