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Quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

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Lava Jato: Suíça desbloqueia US$ 70 milhões para serem repatriados ao Brasil

Secretaria de Comunicação Social/Procuradoria-Geral da República

17 Mar 2016 - 18:16

O procurador-geral da República do Brasil, Rodrigo Janot, e o seu equivalente suíço, Michael Lauber, se reuniram hoje em Berna para discutir cooperação entre os dois gabinetes relacionadas aos desvios na Petrobras

Lava Jato: Suíça desbloqueia US$ 70 milhões para serem repatriados ao Brasil
Procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e procurador-geral suíço, Michael Lauber, em Berna. Foto: MP suíço (Bundesanwaltschaft)

Durante a reunião que aconteceu nesta quinta-feira, 17 de março, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e o procurador-geral da Suíça, Michael Lauber, discutiram medidas necessárias para desbloquear mais US$ 70 milhões e devolvê-los àqueles que sofreram perdas no Brasil. As conversas também tiveram como foco a criação de uma equipe conjunta de investigação com objetivo de acelerar procedimentos conduzidos pelas duas Procuradorias. Os procuradores-gerais mostraram satisfação com a cooperação já feita e reafirmaram o compromisso de trabalharem ainda mais próximos no avançar do caso.

Procedimentos criminais na Suíça – Até agora, a Procuradoria-Geral suíça recebeu, do órgão que cuida de relatórios relacionados à lavagem de dinheiro no país (Money Laundering Reporting Office – MROS), uma relação com cerca de 340 relações bancárias suspeitas relacionadas ao caso Petrobras. Em resposta, a Procuradoria da Suíça abriu, desde abril de 2014, 60 investigações por suspeita de lavagem de dinheiro agravada (Art. 305, Sec.2, do Código Criminal Suíço) e, em muitos dos casos, por suspeita de recebimento de propina por agentes públicos (Art. 322).

A Procuradoria do país europeu solicitou a entrega de documentos relativos a mais de mil contas bancárias de mais de 40 bancos. Em razão da complexidade das investigações, uma força-tarefa formada por especialistas da Procuradoria suíça, e apoiada pela Polícia Federal do país, conduz o caso. Duas investigações instauradas pela Procuradoria foram assumidas pelas autoridades brasileiras e já resultaram em acusações no Brasil. O órgão planeja que o Brasil assuma outras investigações que foram abertas na Suíça.

No curso dessas 60 investigações, cerca de US$ 800 milhões em ativos mantidos na Suíça foram congelados. Em 2015, US$ 120 milhões foram desbloqueados com o consentimento dos titulares das contas, e medidas foram tomadas para que fossem devolvidos às partes que sofreram perdas relacionadas ao caso.

Os titulares de contas na Suíça são altos executivos da Petrobras e de seus fornecedores, intermediários financeiros, políticos brasileiros e, direta e indiretamente, outras empresas estrangeiras.
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