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Cerimônia do Nobel reunirá toda oposição chinesa no exílio

Terra

05 Dez 2010 - 16:00

Cerca de 40 opositores chineses no exílio, incluindo os líderes da Praça da Paz Celestial e dos uigures, assistirão na sexta-feira em Oslo a cerimônia de entrega do Prêmio Nobel da Paz na qual o assento do intelectual preso Liu Xiaobo permanecerá simbolicamente vazio.

Como confirmaram neste domingo diversas fontes, enquanto o regime chinês mantém sob controle à família do nobel e a 140 ativistas para evitar que viajem à Noruega para participarem da entrega do prêmio em nome de Liu, a oposição no exílio e as ONG preparam a cerimônia.

O coordenador entre os exilados, Yang Jianli, um famoso veterano de Praça da Paz Celestial e pesquisador da Universidade de Harvard (Estados Unidos), assinala que mais de 40 pessoas confirmaram presença na cerimônia e em outros atos, entre eles alguns líderes dos protestos estudantis de 1989 e a ativista uigur Rebiya Kadeer.

A reunião é considerada sem precedentes, já que a oposição chinesa é reduzida e os líderes de Praça da Paz Celestial são fragmentados. Liu Xiaobo, de 54 anos, foi um dos líderes da greve de fome dos estudantes de Praça da Paz Celestial (o protesto que pela primeira vez desde 1949 colocou em risco o regime chinês), foi um dos poucos que continuou no país com sua luta pela democracia, motivo pelo qual foi condenado em 2009 a 11 anos de prisão por subverter o poder do Estado.

Chai Ling (1966), uma das porta-vozes mais ferozes e midiáticas da Praça da Paz Celestial e idealizadora com Liu da greve de fome, estará em Oslo após quase 20 anos de silêncio e de dedicação a sua empresa Jenzabar, nos Estados Unidos.

A "comandante geral" reconciliou-se com o movimento pró-democrático há um ano, após converter-se ao cristianismo após décadas de negação ao passado rebelde - foi acusada de promover o "banho de sangue" - e desde então não parou de dar conferências e de pedir a libertação dos presos políticos chineses.

Junto a Chai estará em Oslo o uigur Wuer Kaixi (1968), um dos rostos dos protestos de 1989. Alegando problemas com as autoridades de imigração não estará presente o carismático Wang Dan (1969), que ao contrário dos demais cumpriu várias penas até que em 1998 conseguiu sair do país asiático.

A Oslo vão comparecer outros líderes históricos, como Feng Congde, exilado em Paris e responsável pelo site sobre o massacre perpetuado pelo Exército chinês contra os estudantes, com centenas ou milhares de mortos, e Fang Zheng, que amputou as pernas depois de tê-las esmagadas por um tanque na noite do massacre.

Outro dos convidados, o defensor dos doentes da aids Wan Yanhai, exilado nos EUA este ano, confirmou neste domingo à Efe por e-mail que assistirá aos dois atos do Nobel nos dias 10 e 11 de dezembro.

Wan explicou que na quinta-feira, 9 de dezembro, participará de um protesto em frente à embaixada China em Oslo, e no dia seguinte de um simpósio sobre presos políticos organizado pelas ONGs.

Dissidentes exilados como Wuer e Chai, "que tiveram negado retorno à China, sentem-se encorajados com a decisão do Nobel e sua presença em Oslo demonstra o grau de unidade no exílio que não existia em duas décadas", assinalou neste domingo à Agência Efe Nicholas Bequelin, pesquisador da ONG Human Rights Watch (HRW).

Mas a presença em Oslo de Wan Yanhai e da ecologista Dai Qing, "é ainda mais importante porque durante mais de três décadas trabalharam a partir da China", acrescentou Bequelin. No Auditório de Oslo estarão, além da uigur Kadeer - acusada por Pequim de provocar os conflitos étnicos em Xinjiang de 2009 que deixaram dezenas de mortos -, o protestante Bob Fu e o sindicalista Harry Wu Hongda.

O diretor do Instituto Nobel Norueguês, Geir Lundestad, declarou a partir de Oslo que, a menos que Liu ou seus familiares se façam presentes, não será entregue o prêmio de US$ 1,5 milhão e a cadeira do Nobel ficará vazia, o que considera "uma contundente mensagem ao mundo" sobre "a situação dos direitos humanos na China".

Pequim mantém sob prisão domiciliar também a esposa do nobel, a fotógrafa e poetisa Liu Xia, e os membros do grupo de Mães da Praça da Paz Celestial, e não concedeu permissão aos irmãos do nobel para que saiam do país, disse à Efe um de seus advogados.

Da mesma forma, o regime impediu a saída do país ao artista Ai Weiwei, do economista Mao Yushi, e dos advogados Mo Shaoping, Shang Baojun, Liu Xiaoyuan e He Weifang, em sua obsessão para conter qualquer tentativa de assistirem à cerimônia de Oslo.

Não estarão presentes representantes de Cuba, China, Rússia, Iraque, Marrocos e Cazaquistão, talvez por serem países "amigos" ou terem cedido às pressões diplomáticas do regime do Partido Comunista da China (PCCh).

Membros do Departamento da Frente Unida do PCCh, o órgão encarregado de captar ou desprezar cérebros nacionais, assinalaram à imprensa britânica que tinham tentado negociar com o nobel um exílio em troca de reconhecimento de culpado, mas este negou-se.

Da porta para fora, a China mantém até os dias de hoje sua postura que o Prêmio Nobel é um ataque contra o sistema judiciário e a soberania chinesa, já que considera que Liu Xiaobo é um delinquente que completa sentença de acordo com a lei, sua lei.

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