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21/07/2009 - 12:22

Pracinha da Mandioca está sem as serestas cuiabanas

16 comentários

Da Redação/Thalita Araújo

Foto: Thalita Araújo/OD

Pracinha da Mandioca está sem as serestas cuiabanas
Uma das praças mais antigas e tradicionais da cuiabania tem estado silenciosa nas últimas semanas. É a Praça da Mandioca, no Centro Histórico de Cuiabá. O local, conhecido por animadas serestas cheias de musicalidade e cultura, está proibido de ser palco para as festas de sempre, por conta do volume da música.

No início do mês, em uma comemoração julina na praça, um desentendimento levou uma freqüentadora do local, que nem mora nos arredores, a chamar o órgão municipal que faz a fiscalização do som, medindo a quantidade de decibéis do ambiente. A fiscalização verificou que a música na praça estava com o dobro de decibéis permitidos para o ambiente e horário.

A festa teve que acabar. E, desde então, as famosas serestas de sexta-feira não ocorreram mais, já que os realizadores das noites musicais dizem não ser possível colocar um equipamento e fazer um som ao vivo, dançante, com apenas metade do volume. Além do receio de organizar toda uma estrutura e a festa acabar logo adiante.

Os vizinhos da praça, no entanto, nunca reclamaram do barulho, e divertiam-se com a música. Os moradores do entorno da Praça, além de freqüentadores das festas, estão formulando um abaixo assinado, pedindo para tudo voltar a ser como era antes.

Mário Costa Leite, que trabalha em um bar na frente da praça, diz que aquilo ali é um pedacinho da Cuiabá antiga que permanece hoje. “Nunca teve briga, violência. É uma festa de confraternização, na qual vêm crianças e gente de toda idade”, conta.

Histórias num banco de Praça

Passando pela praça, com um chapeuzinho protegendo a cabeça do sol e sorrisos e acenos para todos com quem cruzava, estava o “seo” Benedito Ramiro de Cerqueiro, conhecido por Ramiro. Aos 82 anos, disposição não lhe falta, e nem memória para contar as intermináveis histórias sobre a Praça da Mandioca.

Ramiro é um grande curioso e conhecedor da cultura cuiabana. Ele nasceu ali, em uma casa ao lado da praça, onde seus avós moraram, e onde seu pai nasceu e morreu. Sentado no banco da praça, ele conta que no período colonial o local era chamado de “Largo do Sebo”. Depois, foi denominado de “Largo da Mandioca”, até ser chamado, simplesmente, de “Praça da Mandioca”.

“Mas, o nome oficial é Praça Conde de Azambuja, em homenagem ao primeiro governador geral de Mato Grosso, quando elevado a capitania”, conta Ramiro. Dentre outros dados históricos, ele diz que, desde que se entende por gente, sempre viu festas e muitas música na praça. “Se não puder ter mais, vai suprimir uma diversão e uma tradição do povo”, prevê.
  • Fotos: Thalita Araújo/OD

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por Ester Maria, em 15/12/2014 às 20:58
Lá é legal !!!
por gabriel, em 31/03/2010 às 13:48
eu acho que deveria ter festas denovo ai na prasa da mandioca....
por LUIZ AUGUSTO VIEIRA SILVA (GUTO), em 21/07/2009 às 21:32
NO DIA 10/07/2009, POR VOLTA DAS 19:30 ESTAVAM PRESENTE NOS INTERMÉDIOS DA NOSSA ACONCHEGANTE PRAÇINHA DA MANDIOCA, INÚMERAS PESSOAS FREQUENTADORA ASSIDUAMENTE DAQUELA PRAÇA. ESTAVA UMA MARAVILHA QUANDO O MÚSICO QUE ALI TOCAVA COMEÇOU A FAZER ESCÂNDALOS OFENDENDO AS PESSOAS QUE ORGANIZARAM A FESTA INCLUSIVE OS MORADORES DE UM MODO GERAL ALI PRESENTES, COM PALAVRAS DE BAIXO CALÃO,ENTÃO OS SENHORES PRECISAM TER A CONSCIÊNCIA DE QUE É PRECISO OUVIR AMBAS AS PARTES E NÃO FICAR SÓ NAS CRITICAS DEVIDO AO FATO OCORRIDO,QUANTOS NÃO POSSUEM INTERESSES DIVERSOS EM RELAÇÃO AS FESTAS ALI PRATICADAS,SE ALGUÉM TIVER ALGUMA DÚVIDA EM RELAÇÃO AO ACONTECIDO PRONUNCIE-SE PERANTE A AMAPM(ASSOCIAÇÃO DOS MORADORES E AMIGOS DA PRAÇA DA MANDIOCA),REGISTRADA EM CARTÓRIO E PRESIDIDA POR MIM LUIZ AUGUSTO VIEIRA SILVA
por Paulo Costa, em 21/07/2009 às 20:48
Os moradores históricos da mandioca não reclamam, porque terceiros vem meter o dedo onde não é da conta. Perguntem para o nosso ilustre Nilson da Luz (o QUINA), Dona Eliane Pimenta, a Eladia, Olga de Pinho, Vanilsa (PAQUITA), Paulão, Elza Pacheco, Eudes Cerqueira, Carlão, Dona Petita, CHÔ RITO, MÁRIO LIGEIRINHO, e dentre outros ilustres moradores, se querem que não tenha mais música ao vivo nas sexta-feiras, AH DÁ DALICENÇA...Esses moradores querem a alegria da música de volta....
por Luis Guilherme, em 21/07/2009 às 18:50
A origem do problema está na maneira pela qual os moradores do entorno da praça foram desqualificados, desmoralizados e tiveram suas crenças e religiosidade afrontadas por comentários pouco refletidos e feitos sob impulso ímpeto. Absurdamente fora lançado ao sabor das brisas do Vale do Rio Cuiabá que na Festa Junina supostamente seriam cobrados ingressos. Ao microfone, na sexta-feira, véspera do Arraiá da Mandioca, bradavam sobre a cobrança de ingressos e especialmente sobre a montagem de um gradil cercando a praça e qualificando o espaço cercado como "chiqueiro". Ora, senhoras e senhores. O espaço fora cercado para proteger o altar e seus elementos do trânsito de pessoas, no sentido de preservar a integridade do conjunto no dia do festejo. O ponto crucial é que categorizando o espaço como "chiqueiro", o falante, ao microfone, nomeou os participantes, religiosíssimos, da festa, de porcos. INACEITÁVEL! No interior do "chiqueiro" estariam e teriam assento, no dia seguinte, as respeitáveis Senhoras que moram em frente à Pracinha e no seu entorno, imediato ou não. Houve um confrontamento entre busca por lucro e religiosidade. Para cidadãos minimamente inteligentes o respeito deve existir, diante do caos iminente e inevitável que surge nesse tipo de contenda. Não foi dado nem oferecido direito de réplica aos digníssimos festeiros e organizadores. A verdade tida como absoluta foi a passada, desrespeitosamente, pelos falantes ao microfone, que impediu a defesa e a justificativa dos porquês de tal cerca. Devia-se ter ouvido a outra parte, composta pelos organizadores, festeiros, moradores e habitués das noites musicadas da Pracinha. Razoável seria a nossa Pracinha passar a receber a visita de novos músicos, jovens na arte ou tarimbados, experientes, que não se confundam em relação ao espaço que se apresentam, pensando que estejam a cantar para quinze ou vinte mil pessoas, em arenas de características "maracanescas" que por sua vez necessitem de milhares de decibéis para que sejam ouvidos. Os moradores e frequentadores certamente ficarão felizes com música ao vivo em "estilo tete-a-tete", pois uma das características mais marcantes das noites na Pracinha é o encontro e confraternização de pessoas inteligentes, que têm algo a dizer e ouvir, ensinar e aprender. Portanto, música sempre, para ouvir, escutar e assimilar sua poesia. Silêncio não é nada bom. Sensatez ao falar é admirável. Agir com justiça mais ainda. Música combina com a Pracinha (que não tem graça alguma sem trilha sonora), com longos e inteligentes bate-papos, com a cerveja geladíssima servida pelo Mário Ligeirinho, com excelente cozinha do Paulão e do Carlão. Em tempo: tenho o privilégio de ser sobrinho-neto do Sr. Ramiro, irmão de minha Avó Rosina, filhos do Sargento Bráulio, nascidos na Governador Rondon, em uma casa que tem um poço, com peixes, muito bem cuidados e bem alimentados pela minha Tia Eudes, esposa de Carlito, amigo e irmão do Tião...Vôte. Vai longe. Deixo o contar histórias para Tio Ramiro que o sabe fazer muito bem, melhor que eu. Abraços e saudações "mandioquescas" para todos. Paz na Pracinha com música e diálogo civilizado e sensato, preferencialmente!
por eduardo, em 21/07/2009 às 17:36
Esta senhora que está incomodada com as serestas devia tomar "banho na soda", "chupar meia" e "catar coquinho", Cuiabá é uma das poucas cidades que preservam sua tradição e sua cultura, sou um pau rodado que abraçou esta cidade desde 2000, estou disposto a participar do abaixo assinado e defender esta cultura que tanto me fascina!!!!
por Otávio Gripe, em 21/07/2009 às 16:02
Boa tarde. Cuiabá de Zé Bolo Flo, Antônio Petetê, Preta, Cobra Fumano, General Saco e outras proeminente figuras folclóricas não pode assistir calado por mais essa aberração. Volte já ... volte já a funcionar à nossa boa música da Praça da Mandioca. Isso é antidemocrático e cheira coisa de ditador. Ouça o povo ... aí sim. Se o povo, soberanamente, decidir em acabar, aí tudo bem. Coronel Ramiro Cerqueira é uma figura de proa da nossa Cuiabá. Viva a Praça da Mandioca. De um frequentador da Praça da Mandioca.
por wilson santos, em 21/07/2009 às 15:43
Esta correto em para as serestas na praça, pois a lei foi feito para todos, não é só porque frequenta ricos que pode, na pereferia ele vão e para todos eventos, então tem que parar lá também. Parabens prefeito.
por Mário Correa, em 21/07/2009 às 15:38
Isso é rídiculo, nem consultaram os maiores interessados, os moradores do Largo da Mandioca, se o fizessem iriam constatar que quase todos são contra essa atitude da Prefeitura de Cuiabá, aliás isso tudo ocorreu por causa de uma Senhora que não é nem moradora da Praça da Mandioca, aliás, foi ela também a culpada pelo fracasso do Arraiá da Mandioca ocorrido semana passada. Os moradores têm que tomar atitude, não podem deixar pessoas estranhas acabarem com tudo que foi conseguido como muita luta e anos de persistência, como as noites de sexta-feiras, o Arrraiá e Grande Carnaval das Marchinhas. Espero que tudo volte para as mãos dos verdadeiros moradores....As sexta-feiras estão triste.... Esperamos por você SACA-ROLHA nesta sexta..
por Paulo Mattos, em 21/07/2009 às 15:14
Pôxa vida, que coisa hem ? A popular e muito querida Praça da Mandioca representa um ícone da cultura cuiabana, da união das famílias e dos amigos, do amor fraterno entre as pessoas, do amôr entre os namorados, entre os casados, entre todos, enfim. Ali sempre nos sentimos seguros, alegres, despertos e encantados com a fulgurante beleza dos cuiabanos autênticos e adotados que, num misto de extase, beleza interior e espírito pacífico e voltado à paz, se reunem semanalmente para passar algumas horas veadeiramente agradabilíssimas, ao som de músicos os mais competentes e reconhecidos em nossa Terra. Ali nos volvemos à história de Cuiabá, ao romantismo de nossa gente, à comovente simplicidade de nosso povo alí nos sentimos cada vez mais cuiabanos, mais pés-rachados, orgulhosos de nossas origens simples e decentes ali comparecemos com nossos pais, nossos filhos, nossos netos, numa reunião familiar que, em tempos modernos, educa e valriza os nossos descendentes, estimulando-os a manter nossas tradições e respeitar a cultura viva de nossa Cuiabá. A Feira da Mandioca e os moradores de seu entorno e todos nós que vamos ali sempre é o point cultural de todas as raças cuiabanas e merece cointinuar nos oferecendo momentos de extrema conciliação conosco mesmo. A Feira da Mandioca e as reuniões que ali ocorrem é a comprovação de que este país tem salvação, mesmo porque alí, reunidas todas as gerações de seres humanos, aprendemos a nos respeitar mutuamente e a construir uma cidade solidária e preocupada com a educação de nossos filhos e netos. Por isso que a alegria de nossa Praça maior e mais querida tornar-se-á vencedora ante as pretensões e desejos daqueles que não a amam.