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Às vésperas dos 90, Berta Loran fala de ex-amores, abortos e saúde

Luciana Tecidio Do EGO, no Rio

29 Fev 2016 - 03:37

Foto: Reprodução

Às vésperas dos 90, Berta Loran fala de ex-amores, abortos e saúde
No dia 23 de março, dia de seu aniversário, Berta Loran será homenageada com o livro “Berta Loran: 90 anos de humor”. Na obra escrita pelo jornalista e produtor João Luiz Azevedo, a atriz repassa a sua história sob a forma de perguntas e respostas. Mas a homenagem não para por aí. Na data, uma quarta-feira, a noite de autógrafos contará também com uma exposição de mais de mil fotos da vida e carreira de Berta, a exibição de um vídeo com homenagem dos amigos famosos e também um show com convidados especiais, onde a artista irá declamar uma poesia escrita por ela. O evento será no Teatro Oi Casagrande, no Rio, e depois segue para o Theatro Municipal de Niterói, no dia 29.

Berta recebeu a equipe do EGO em seu  apartamento em Copacabana, na Zona Sul do Rio. A judia nascida em Varsóvia em 1926 e registrada como Basza Ajs, impressiona não apenas pela vitalidade física, mas principalmente pela lucidez mental e a forma como relembra a sua trajetória, potuada com muito bom humor onde a tristeza nunca teve vez.

Antes de começar a contar sua história, um detalhe chama a atenção na sala de jantar de Berta: uma balança repousa no chão. O objeto é peça indispensável da dona da casa. É subindo na balança em dias alternados que Berta controla seu peso. “Sou a disciplina em pessoa. Peso 56 kg aos 90 anos. Quando atingi os 60 kg aos 40, cheguei a conclusão que a minha comida não prestava. Comprei um livro de macrobiótica e resolvi seguir à risca. Mas como a dieta não permite comer carne, fiquei anêmica. Hoje faço a macrobiótica do meu jeito. Como arroz, pão e macarrão integrais e também um filé mignon. Tudo grelhado. E nada de prato de operário. Coloco três colheres de feijão, duas de arroz e vamos em frente”, diz Berta, que recebe a visita de um personal trainer em sua casa duas vezes por semana, onde ele a coloca para caminhar sobre a esteira ergométrica que tem em casa.

Filha de um alfaiate judeu que trouxe a família para o Brasil em 1937 fugindo do nazismo na Polônia, Berta Loran conta que sua vida foi muito engraçada. Quando pisou em solo brasileiro fugindo de um frio de 30 graus abaixo de zero para um calor de 40, ela teve a certeza de que o Brasil era a sua terra.

O pai alugou um sobrado na Praça Tiradentes, Centro do Rio, onde moraram seus sete filhos, a mãe e outros parentes. Ao todo eram 14 pessoas dividindo um quarto e um banheiro. Se na Europa dos anos 30 o banho era escasso por causa do frio, no Rio de Janeiro o chuveiro em forma de um enorme queijo encantou a então garotinha de sete anos. “Como tínhamos pouco dinheiro, jantávamos diariamente uma sopa de batata e repolho. Comer isso à noite era uma peidaria danada! Meu avô falava: ‘Chega, parem com isso!’. Era muito engraçado”, lembra ela.

O primeiro casamento, aos 20 anos, foi com um ator de 51. Não foi por amor, mas por interesses profissionais. Como Berta, Suchar Handfuss também era um ator judeu e atuava numa companhia judaíca em Buenos Aires. Ela estava louca para trabalhar com o grupo e resolveu casar com ele. No entanto Suchar apostava todo o seu dinheiro nos cavalos, e sobrava pouco para o casal. “Casei com ele porque queria ir para Buenos Aires. Ele era baixinho, tudo era pequenininho, uma merda! Me castigou muito, pois era jogador, adorava os cavalinhos. Estudava os animais na cama e eu pedia: ‘Me estuda um pouco também...’ Mas ele ficava estudando o avô do cavalo, a tia do cavalo...”

Com esse marido Berta morou muitos anos em Portugal, onde fez muito sucesso como atriz. Engravidou duas vezes dele, mas por causa da difícil situação financeira, não mantinha as gestações. “Fiquei grávida do velhinho duas vezes. Mas como não tínhamos dinheiro para comer, a mulher colocava uma gilete dentro de mim e tirava os bebês.”

Abortos

Esses abortos encerraram de vez o sonho de Berta ser mãe. Em seu segundo casamento, aos 37 anos, com o paulistano Julio Marcos Jacoba, da mesma idade que ela, Loran fez exames para saber das chances de ter um filho. “Tive que tirar o útero, pois ele estava estropiado”.

Seu segundo marido era um negociante, filho de uma polonesa levada para ser prostituta no Brasil. Julio era amante de uma amiga da irmã de Berta que se encantou por ela. Eles começaram a se relacionar quando Loran mudou-se do Rio para São Paulo, onde trabalhou na TV Record. Quando ele a convidou para jantar pela segunda vez, a atriz foi direto ao ponto: “Não quero ir jantar, quero ir para um hotel. Ele ficou espantado. Expliquei que queria ver ser ele servia para alguma coisa, porque meu primeiro marido não prestou para nada. E nossa noite foi maravilhosa. Nem parecia judeu. Parecia cristão. Porque judeu tem circuncisão. Eles cortam um pedacinho e fica menor. Vira um chapeuzinho! Julio também tinha, mas não era problema. Só sei que no dia seguinte tomávamos café da manhã com um casal e eu disse: gostei de você! Vamos casar!”.

Nesses 90 anos de vida Berta ajudou os seis irmãos e os sobrinhos. Comprou apartamentos, deu televisões e descobriu como era feliz fazendo o bem. “Ser generosa é uma das coisas mais gostosas do mundo! Penso primeiro nos meus e depois cuido de mim. Da vida tirei muitas lições. Se tenho um contratempo, tomo metade de um comprimido. Adoro viver! Acho a vida linda e têm tantas coisas para viver!”

 

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