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Sexta-feira, 18 de agosto de 2017

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Silval acusa o ministro da Agricultura de pagar testemunha para mudar depoimento; Maggi nega

Da Redação - Ronaldo Pacheco

11 Ago 2017 - 20:38

Foto: Rogério Florentino Pereira / Olhar Direto

Silval acusa o ministro da Agricultura de pagar testemunha para mudar depoimento; Maggi nega
A denúncia do ex-governador Silval Barbosa (PMDB), de Mato Grosso, supostamente envolvendo o ministro da Agricultura, senador Blairo Maggi (PP), em delação formalizada à Procuradoria Geral da República e homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), foi tema de reportagem no Jornal Nacional (Globo) da noite desta sexta-feira (11).  
 
No bojo da delação, segundo o JN, Silval confessa a tentativa de compra de uma vaga no Tribunal de Contas do Estado (TCE) para o ex-secetário Éder Moraes Dias, de Fazenda, no valor de R$ 6 milhões. Blairo Maggi nega. Veja Aqui.

Leia Mais:
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Leia abaixo a íntegra da reportagem reproduzida pelo G1 e assinada pela jornalista Camila Bomfim:

Em  depoimento de delação premiada, o ex-governador de Mato Grosso Silval Barbosa (PMDB) acusou o também ex-governador e atual ministro da Agricultura, Blairo Maggi (PP), de participar de um esquema de corrupção no estado.

A delação premiada de Silval Barbosa foi homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na última quarta-feira (9).
 
A delação premiada de Silval Barbosa foi homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na última quarta-feira (9).

O ex-governador revelou à Procuradoria Geral da República como funcionava um esquema de corrupção no estado. Barbosa foi vice-governador à época em que Maggi governava o estado, entre 2003 e 2010. Depois, em 2011, foi eleito para suceder o atual ministro da Agricultura.

Entre as acusações contra Blairo Maggi, o peemedebista afirmou que o ministro fez pagamento ao ex-secretário de Fazenda de Mato Grosso Eder Moraes, para que ele mudasse um depoimento a fim de inocentar Blairo.

Em nota, o ministro Blairo Maggi afirmou, por meio de sua assessoria, que nunca agiu ou autorizou ninguém a agir de forma ilícita dentro do governo ou para obstruir a justiça. Afirmou, ainda, que não fez e nem autorizou pagamentos a Eder Moraes.
Blairo disse também que jamais autorizou meios ilícitos na sua vida pública ou em suas empresas. Ele lamentou ataques à sua reputação e afirmou que está com a consciência tranquila sobre suas ações (leia a íntegra da nota ao final desta reportagem).

Delação

Aos procuradores, Silval Barbosa disse que primeiro, Morais denunciou ao Ministério Público que os dois ex-governadores sabiam de compra de vagas no Tribunal de Contas do estado. E que ele, Éder, queria assumir uma delas.

Na delação, Silval disse que, depois deste depoimento, o ex-secretário de Fazenda os procurou e pediu R$ 12 milhões para voltar atrás no que havia dito ao Ministério Público.

Segundo o ex-governador, tanto ele quanto Maggi aceitaram pagar para que ele mudasse o depoimento, mas que o valor seria menor, de R$ 6 milhões – R$ 3 milhões para cada um.
 
 
Silval Barbosa narrou na delação que a parte de Blairo Maggi foi entregue ao ex-secretário por uma pessoa chamada Gustavo Capilé, ligado ao ministro. Disse ainda que o próprio Blairo confirmou que o pagamento foi feito em dinheiro vivo, entre 2014 e 2015.

O delator confessou também que a sua parte do pagamento também foi entregue a Moraes. O repasse foi feito, segundo Silval, em duas parcelas: a primeira, em dinheiro vivo, teria sido levada pelo então chefe de gabinete dele, Sílvio Cesar Corrêa Araújo.

A segunda parte, de acordo com Barbosa, foi paga mediante a quitação de uma dívida de Eder, de R$ 800 mil.

A defesa de Silval Barbosa não quis comentar o teor da delação.

A defesa de Sílvio Cesar Corrêa Araújo afirmou que ele tinha uma relação muito próxima a Silval e que apenas cumpria ordens.

A TV Globo não conseguiu contato com Eder Moraes e Gustavo Capilé.
 
Mudança de versão
 
O ex-secretário de Fazenda do estado, de fato, mudou a versão que contou ao Ministério Público. No primeiro depoimento, em 24 de março de 2014, ele havia dito que em 2009 falou com Silval e Blairo que queria comprar uma vaga no Tribunal de Contas do Estado.

“Muito embora não tivessem falado sobre os valores, nas palavras do próprio Eder Moraes, ‘todos naquele ambiente sabiam que as vagas seriam negociadas em valores consideráveis’", diz trecho do termo de declaração daquela data.

Já em janeiro de 2015 – depois dos pagamentos relatados na delação – Eder deu uma entrevista à TV Globo em Mato Grosso e disse que havia mentido no depoimento anterior.

"Eu estava extremamente tomado pela emoção, de não ter sido atendido num pedido de uma escolha para então ocupar uma vaga no Tribunal de Contas do estado de Mato Grosso, qualificado que eu era pra essa função e que, politicamente, praticamente me nomearam e depois me tiraram essa vaga. Então todo esse contexto fez com que eu ali colocasse algumas palavras que eu depois me retratei sobre todas elas”, disse na entrevista.
 
A PGR também registrou que Eder retratou-se do seu depoimento neste ponto.

Impacto nas investigações
 
A mudança de versão, que Silval Barbosa diz ter sido comprada por R$ 6 milhões, foi um dos motivos que levaram o Ministério Público a pedir o arquivamento do caso que investigava a participação de Blairo Maggi.

Em maio de 2016, após o pedido, o ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli arquivou o inquérito.

Agora, com a revelação do ex-governador de que a mudança na versão de Eder Moraes teria sido comprada com propina, novos inquéritos para investigar o ministro podem ser abertos, ou até mesmo o inquérito arquivado pode ser reaberto.
O ministro Blairo Maggi é investigado na Lava Jato pelo suposto recebimento de R$ 12 milhões na sua campanha à reeleição ao governo de Mato Grosso em 2006, de acordo com delatores da Odebrecht.

Outros pontos
 
Na da delação, Silval Barbosa também citou repasse de R$ 4 milhões ao deputado federal Carlos Bezerra (PMDB-MT), pra que apoiasse uma candidatura à Prefeitura de Cuiabá.

Ele também falou de pagamento de propina ao senador Wellington Fagundes (PR-MT).

Sem citar valores, Silval afirmou ter autorizado repassar parte dos pagamentos de construtoras de um programa de pavimentação para o senador e que também houve quitação ilegal de dívidas de campanha dele.

O deputado Carlos Bezerra afirmou que o pagamento citado pelo ex-governador "não tem nenhum fundamento", uma vez que quem trata de campanhas a prefeituras é o diretório municipal, e ele faz parte do diretório estadual do partido.

O senador Wellington Fagundes declarou que desconhece o teor das afirmações do ex-governador à justiça e que irá se posicionar quando tiver acesso à delação premiada. Destacou também que todas as doações recebidas para campanha constam em prestação de contas devidamente aprovada pela Justiça Eleitoral.
 
Nota

Leia a íntegra da nota divulgada pela assessoria de Blairo Maggi:
 

NOTA DE ESCLARECIMENTO

Deixo claro, desde já, que causa estranheza e indignação que acordos de colaboração unilaterais, coloquem em dúvida a credibilidade e a imagem de figuras públicas que tenham exercido com retidão, cargos na administração pública. Mesmo assim, diante dos questionamentos, vimos a público prestar os seguintes esclarecimentos:

Nunca houve ação, minha ou por mim autorizada, para agir de forma ilícita dentro das ações de Governo ou para obstruir a justiça. Jamais vou aceitar qualquer ação para que haja "mudanças de versões" em depoimentos de investigados. Tenho total interesse na apuração da verdade. Qualquer afirmação contrária a isso é mentirosa, leviana e criminosa.

Também não houve pagamentos feitos ou autorizados por mim, ao então secretário Eder Moraes, para acobertar qualquer ato. Por não ter ocorrido isto, Silva Barbosa mentiu ao afirmar que fiz tais pagamentos em dinheiro ao Eder Moraes.

Jamais utilizei de meios ilícitos na minha vida pública ou nas minhas empresas.

Sempre respeitei o papel constitucional das Instituições e como governador, pautei a relação harmônica entre os poderes sobre os pilares do respeito à coisa pública e à ética institucional.

Por fim, entendo ser lamentável os ataques a minha reputação, mas estou com a consciência tranquila quanto às minhas ações e assim que tiver acesso ao teor da possível delação, usarei de todos os meios legais necessários para me defender, pois definitivamente acredito na Justiça. O momento exige serenidade e responsabilidade.

Blairo Maggi

 

4 comentários

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  • Mariana
    12 Ago 2017 às 13:16

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  • Luiz Paulo Conde Júnior
    11 Ago 2017 às 23:15

    Fico imaginando como é que a Globo divulga, como a maior verdade do mundo, uma delação premiada do Silval Barbosa contra o senador Blairo Maggi. Nem precisa de bola de cristal para saber o que vai dar, no futuro. O OLHAR DIRETO tem que escrever a verdade, porque delação de Silval não merece crédito

  • servidor publico
    11 Ago 2017 às 22:33

    não fique somente na fala , queremos prova pois somente assim quem é culpado vai pagar pelos seus crimes...tem muita gente pagando de moralista aqui fora e nao passam de saqueadores do estado...o povo quer ver essa quadrilha toda devidamente presa...

  • Alencar
    11 Ago 2017 às 22:03

    E como que o Silvalima sabe disso, se estava preso

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