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Segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

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Menino de 11 anos morre após dar entrada com hanseníase multibacilar em hospital

Da Redação - Wesley Santiago

02 Jan 2018 - 15:08

Foto: Divulgação

Menino de 11 anos morre após dar entrada com hanseníase multibacilar em hospital
Um menino de apenas 11 anos, identificado como Daniel Rodrigues Santiago, morreu na última segunda-feira (1º) vítima de hanseníase multibacilar. A criança estava internada no Hospital Regional de Sorriso (420 quilômetros de Cuiabá) e fazia tratamento contra a doença. Vale lembrar que ontem foi o primeiro dia da campanha ‘Janeiro Roxo,’ que visa conscientizar e combater a doença no Estado.

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Segundo o que foi informado pela direção do hospital, o garoto já chegou na unidade com quadro infeccioso. Seis horas depois, ele teve uma piora no quadro clínico - choque séptico e infecção generalizada. Por fim, Daniel acabou sofrendo uma parada cardiorrespiratória e não resistiu.
 
O garoto era morador do bairro Nova Aliança, em Sorriso e foi sepultado ainda na segunda-feira, no cemitério do município.
 
Hanseníase multibacilar
 
Os tipos de hanseníase são classificados de acordo com a resposta do nosso organismo à presença da bactéria. A doença se apresenta em quatro formas clínicas: indeterminada, tuberculóide ou paucibacilar (com poucos bacilos), borderline ou dimorfa e lepromatosa ou multibacilar (com muitos bacilos).
 
A multibacilar é uma manifestação grave e contagiosa da doença, caracterizada pela presença de seis ou mais lesões de pele com muitos bacilos. A hanseníase multibacilar se apresenta quando o paciente possui o sistema imune incapaz de controlar a proliferação da bactéria, por isso há amostras positivas para o bacilo de Hansen.
 
Formam-se várias lesões avermelhadas, elevadas, e, em casos graves, há o aparecimento de nódulos que podem ser deformantes. Os inchaços são generalizados e há erupções cutâneas, dormência e fraqueza muscular. Geralmente, atingem o lobo das orelhas e o cotovelo, mas o nariz, rins e órgãos reprodutivos masculinos também podem ser afetados.
 
‘Janeiro Roxo’
 
O Sinan (Sistema de Informação de Agravos de Notificação), do Ministério da Saúde, informa que Mato Grosso registrou as maiores taxas de detecção de hanseníase do país. No ano de 2015, a taxa de detecção de novos casos da doença foi de 93,00/100.000 habitantes, totalizando 3.037 casos novos.
 
No ano de 2016 foram detectados 2.658 casos novos, correspondendo a uma taxa de detecção de 80,4/100.000 habitantes. No período de 2009 a 2016, Mato Grosso registrou 1.334 casos em crianças menores de 15 anos, correspondendo a 6% do total de casos registrados.
 
Estes dados reforçam a presença de focos de infecção e transmissão recentes da doença. Devido ao longo período de incubação, a hanseníase é menos frequente em menores de 15 anos de idade. Contudo, em áreas de maior prevalência e no caso de detecção da doença em focos domiciliares, a incidência nesta faixa etária é esperada.
 
Quanto à distribuição da doença, existem regiões hiperendêmicas que apresentam elevadas taxas de detecção. No ano de 2016 observou-se que a maior taxa de detecção da hanseníase ocorreu na região Médio Araguaia, com taxa de detecção de 379,9/100.000 habitantes, seguida das regiões Vale do Peixoto, Alto Tapajós, Teles Pires, Norte, Vale do Arinos, Garças Araguaia e Baixo Araguaia.
 
A Secretaria de Estado de Saúde informa que os dados de pesquisa sobre a doença, relativos ao ano de 2017 ainda não foram concluídos e serão apresentados em 2018.

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