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Terça-feira, 14 de agosto de 2018

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CPI na AL vai investigar irregularidades na concessão de empréstimos consignados; veja membros

Da Reportagem Local - Ronaldo Pacheco

27 Mar 2018 - 12:02

Foto: Rogério Florentino Pereira/ Olhar Direto

Guilherme Maluf foi autor do requerimento para criar CPI

Guilherme Maluf foi autor do requerimento para criar CPI

A Assembleia Legislativa de Mato Grosso abriu Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar irregularidades em cobranças e operacionalização dos empréstimos consignados aos servidores públicos de Mato Grosso. Guilherme Maluf (PSDB), autor do requerimento para abertura da CPI, irá presidir os trabalhos. Allan Kardec (PT) será relator e Adalto de Freitas (SDD) vice.

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Além dos três deputados, a lista de titulares conta com Janaína Riva (MDB)  e Pedro Satélite. Os suplentes são Oscar Bezerra (DEM), Gilmar Fabris (PSD),  Saturnino Masson (PSDB), Doutor Leonardo (PSD) e Jajah Neves (PSDB).
 
A CPI dos terá prazo para conclusão de seis meses, podendo ser prorrogado pelo mesmo período e deve convocar para depor o empresário Willian Mischur, proprietário da empresa Consignum, que chegou a ser preso no âmbito da “Operação Sodoma”. Na ocasião, março de 2016, foi apreendido cerca de R$ 1 milhão em espécie, na casa do empresário.
 
O ex-governador Silval Barbosa admitiu ter recebido propina da empresa. Os pagamentos teriam iniciado em 2011, logo após a reeleição do governador. Os valores pagos orbitavam entre R$ 400 e R$ 450 mil mensais. Júlio Mischurs também firmou delação premiada e revelou que pagava até R$ 700 mil por mês de propina para o grupo do ex-governador Silval Barbosa (PMDB), de forma que o seu contrato fosse mantido com o Poder Executivo do Estado.

O requerimento para a abertura da CPI foi assinado por 14 deputado e tem como coautor Allan Kardec. O intuito, segundo Maluf, é verificar junto às instituições bancárias se os valores dos juros cobrados são abusivos. “O nível de endividamento do servidor é altíssimo e alguns, inclusive, relataram a possibilidade de suicídio por causa desse endividamento. Outros estão entrando na Justiça e o número de processos está se tornando cada vez maior”, disse.
 
Conforme Maluf, atualmente cerca de 77% dos pouco mais de 78 mil servidores estaduais contam com pelo menos uma operação de crédito consignado. “Em alguns casos, mais de uma operação por servidor”, disse. Maluf quer discutir o endividamento dos servidores e verificar se os empréstimos estão sendo feitos de acordo com as normas da Federação Brasileira dos Bancos.
 
Um dos argumentos utilizados pelo parlamentar é que todos que entram com ações na Justiça contra as empresas ganham a causa. Ainda segundo dados preliminares levantados pelo tucano, 80% dos servidores estariam endividados. “É um endividamento cruel, pois não te dá a opção de rever algumas situações jurídicas e contratuais”, disse.
 
Segundo Maluf, os servidores podem contratar o empréstimo diretamente pelo telefone e as empresas estariam utilizando de métodos para aumentar a capacidade de endividamento dos servidores. “Começaram a ter agora subterfúgios para essas travas, utilizando associações, cartões de créditos, elevando esse índice de endividamento”, afirmou.
 
Atualmente, duas CPIs estão em funcionamento na ALMT: a CPI dos Fundos, que apura a arrecadação, destinação e possíveis desvios de recursos do Fundeb e do Fethab,  e a CPI do MPE, que investiga supostas irregularidades na emissão e pagamento de cartas de crédito para procuradores e promotores de justiça.

2 comentários

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  • Paulo Prado
    29 Mar 2018 às 10:20

    Endividamento acontece porque o cara so pensa no dinheiro que vai receber, não calcula juros, não vê quanto tempo vai ter que pagar, ninguém põe arma na cabeça do servidor, ele vai la porque quer, assina contrato porque quer, os bancos querem lucro, e jogam os jutos lá em cima, e o servidor vai la e aceita, depois quer reclamar de bola de neve, se analisasse primeiro antes de sair pegando dinheiro emprestado a torta e a direita.

  • Joao Mendes
    27 Mar 2018 às 14:20

    Parabéns aos parlamentares pela iniciativa. Tomara que ao final da CPI apresentem alguma sugestão para que os servidores consigam sair dessa bola de neve...

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