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Quinta-feira, 19 de outubro de 2017

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Conheça Santa Cruz do Sul além da Oktoberfest

Além da comida típica e do chope da Oktoberfest, Santa Cruz do Sul (RS) oferece a seus visitantes uma gama de atrações turísticas e da cultura alemã. A cidade foi a segunda colônia dos imigrantes no Estado, e conserva não apenas suas construções...

Terra

03 Out 2012 - 15:52

Além da comida típica e do chope da Oktoberfest, Santa Cruz do Sul (RS) oferece a seus visitantes uma gama de atrações turísticas e da cultura alemã. A cidade foi a segunda colônia dos imigrantes no Estado, e conserva não apenas suas construções como também tradições.

Fundada em 1849 por seis casais alemães e suas famílias, vindos de Silésia, na divisa com a Polônia e a República Tcheca, e do Vale do Rio Reno, Santa Cruz começou como uma pequena colônia. Os imigrantes esperavam encontrar melhores condições de vida, mas tiveram que construí-las eles mesmos. Quatro anos mais tarde, com a chegada de conterrâneos em maior número, o trabalho ficou mais fácil.

Como a maioria das cidades brasileiras, Santa Cruz cresceu em torno da igreja e da praça: mas de duas igrejas e duas praças. O templo católico foi cercado pelo colégio de freiras e um hospital, enquanto o evangélico ficou próximo da primeira câmara do município. A católica Igreja de São João Batista ainda funciona, mas a construção que abrigava a evangélica hoje está alugada por um banco.

Turismo na cidade

Quem for à Oktoberfest e ficar em algum dos 1.670 leitos disponíveis nos hotéis do município pode começar o passeio pelo centro da cidade, onde está a maior catedral em estilo gótico da América do Sul. A torre mede 80 m de altura, mesmo tamanho que o prédio, concluído em 1927, tem de profundidade.

Próximo ao Centro está o Parque de Santa Cruz, inaugurado em 1996 no local onde antes funcionava uma pedreira. Na parte baixa está o anfiteatro e o centro místico, com bancos de pedra e até uma pequena pirâmide. Subindo o morro há o mirante, de onde se tem um panorama da cidade, do Lago Dourado - reservatório de água local - até o morro atrás do Country Club - onde a elite da cidade pratica esportes como o golfe, um dos mais populares na região. Além do mirante, há uma cruz de 20 m de altura por 10 m de largura, cujos contornos, em neon, podem ser vistos da cidade à noite. Quem gosta de ecoturismo também visita a antiga pedreira.

Descendo o morro há também o Parque da Gruta, conhecido como Parque dos Índios por causa de artefatos indígenas encontrados em seu entorno. Circundado pelos metros quadrados mais caros da cidade, o local oferece teleférico, parque infantil, turismo ecológico, mini-zoológico e churrasqueiras gratuitas para a comunidade. Quem não quer o trabalho de assar a carne pode comer no restaurante do local - sempre com algum item tipicamente germânico no cardápio.

Ainda na parte urbana do município, o visitante pode conhecer a antiga Estação Férrea, fundada em 1905 pelo então presidente da província, Borges de Medeiros, no mesmo dia em que Santa Cruz deixou de ser vila para se tornar cidade, em 19 de novembro. Hoje, o local abriga o Centro de Cultura Francisco José Frantz, onde há exposições e workshops para os estudantes locais.

E não se pode esquecer do próprio Parque da Orktoberfest, evento que se originou da Festa Nacional do Fumo, criada em 1966 e que acontecida de seis em seis anos. No local onde era realizada a Fenaf e em que hoje se celebra a tradição alemã em outubro, um dos pontos que não pode faltar no álbum de fotos é o pórtico do parque: original desde a primeira festa, na década de 1960.

Um pouco mais distante da região central está o Parque de Eventos, aberto em 2003 e onde também está o autódromo do município, que já recebeu corridas da Stock Car e atrai turistas pelos eventos de motovelocidade que sedia. No local há também duas áreas de camping: uma para famílias, com "toque de recolher" para garantir o sossego dos mais velhos, e uma para jovens, onde a noite é sempre uma criança.

Rio Pardinho

Não é só a Oktoberfest e o centro de Santa Cruz do Sul que oferecem uma perspectiva da história e da cultura na região. Saindo do Centro pelo RS-471 em direção ao município vizinho de Sinimbu, uma série de outras atrações se apresenta aos visitantes no distrito de Rio Pardinho. É a chamada Rota Germânica, percurso em que se encontram casas e comércios de descendentes germânicos que conservam suas tradições e mostram aos turistas um pouco do que foi deixado pelos primeiros colonizadores. Os locais abrem aos fins de semana e feriados, mas quem quiser ir durante a semana pode agendar uma visita. Os telefones dos estabelecimentos estão no site da Rota.

O Santuário de Nossa Senhora, também chamado de Schoenstatt, é uma delas. Ele é um dos 198 no mundo, todos idênticos: do púlpito ao número de assentos para fiéis, passando pelo tipo de hera que ornamenta o muro externo. No Mosteiro da Santíssima Trindade, uma construção simples no alto de um morro com estrada de chão, oferece hospedaria para quem quer sossego e meditação - o projeto completo contempla 22 vagas, mas atualmente apenas seis estão concluídas. Do terreno é possível ter uma visão panorâmica de outra parte do vale, cercado por verde e salpicado das poucas casas da região.

As missas são celebradas às 17h30 em dias de semana e às 9h30 no domingo, no salão para orações coletivas. Quem quiser rezar individualmente pode também visitar a pequena capela nos fundos do mosteiro. O local também tem uma loja com artefatos produzidos pelas monjas, como velas, mel e medalhas de São Bento - fundados da ordem. É possível, ainda, encomendar ícones, quadros pintados em madeira com tinturas à base de clara de ovo, vinho branco e pigmentos naturais, desenhados durante período de meditação.

A Igreja dos Imigrantes, também no Rio Pardinho, também oferece uma viagem no tempo. A segunda mais antiga da região, foi feita de pedra por 52 homens, e ainda conserva o mesmo altar, com o púlpito elevado do chão. O local era usado apenas no momento da leitura da bíblia pelo padre, sob a lógica de que a palavra de Deus está acima da dos homens.

Fundado em 1890, inicialmente o templo evangélico não tinha torre, porque à época não era permitido tê-la em casos de sedes de religiões não católicas. O local, quando não era usado para celebrações, funcionava como escola. Vale reparar na porta de entrada, ainda a original, cujo tamanho do ferrolho e a espessura da madeira diferem dos padrões atuais.

Ao lado da igreja, um cemitério com lápides inscritas em alemão. O cemitério continuou funcionando mesmo durante o hiato da igreja - entre 1971, quando da construção de um novo templo encerrou as celebrações aqui, e 1994, quando a Igreja dos Imigrantes foi reformada e reaberta ao público.

Rodando mais alguns quilômetros chega-se à Basteleihaus, ou casa de trabalhos manuais. Hoje "sob direção" da quarta geração de descendentes alemães, foi construída em 1910 com tijolos e telhas da olaria da região. Atualmente abriga uma loja de artesanato e uma coleção de antiguidades. O "museu", por enquanto, ocupa a garagem e a sala de estar da casa, e divide espaço com os trabalhos manuais à venda.

Um pit stop aconselhável para o fim do tour é a casa de cucas Gressler. A pequena construção de madeira reserva cucas com os mais variados recheios, e o visitante pode prová-los antes de escolher qual - ou, mais provavelmente, quais sabores levar para o hotel ou para casa.

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