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Ato contra a cultura do estupro pede o fim da violência contra a mulher e igualdade de gêneros

Da Redação - André Garcia Santana

01 Jun 2016 - 19:24

Foto: Rogério Florentino Pereira/Olhar Direto

Ato contra a cultura do estupro pede o fim da violência contra a mulher e igualdade de gêneros
Unidas pelo fim do machismo e da violência contra a mulher, cerca de cinquenta pessoas se reuniram em Ato Contra a Cultura do Estupro, na Praça Ulisses Guimarães, no final da tarde desta quarta-feira (1). Acompanhadas pelo batuque de latas e gritos de igualdade e empoderamento, elas usaram cartazes e crucifixos com nomes de vítimas do sexismo para protestar e chamar atenção dos que transitavam pela Avenida do CPA para a urgência de pautas como a igualdade de gênero.

O movimento, organizado por vários coletivos feministas da Capital, também elegeu o lema “Não foram 30 contra uma, foram 30 contra todas, exigimos justiça”, para denunciar e repudiar o caso de estupro coletivo, sofrido por uma adolescente carioca na última semana. “A voz é da mulher, mas contamos com a solidariedade e apoio de todos para promover uma transformação cultural, que nos valorize como seres humanos”, disse Glória Munhoz, represente da Marcha Mundial das Mulheres.

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Ela explica que para se chegar a uma sociedade igualitária, é necessária a criação de um ambiente com democracia real, que propicie o debate de gênero nas escolas e mostre que as diferenças entre homens e mulheres não devem restringir direitos. “Queremos chegar aos bairros e fazer muito mais. Estamos só começando. Infelizmente é preciso acontecer um episódio lamentável e doloroso como este para que as pessoas ouçam.”

O papel do homem neste cenário de desconstrução também foi lembrado, uma vez que, como beneficiados pelo machismo, eles tem a possibilidade de contribuir com uma mudança de pensamento. Para isso, o primeiro passo seria questionar o modelo social que responsabiliza a vítima pela violência sofrida, e levanta suspeitas que dizem respeito ao local, as roupas e ao comportamento da mulher em questão, ao invés de se ater à motivação da agressão em si.

“Em um caso de violência sexual, por exemplo, é extremamente importante não ridicularizar a vítima com piadas ou afirmações carregadas de preconceito. Por que é tão difícil se colocar no lugar da pessoa e tão fácil arrumar motivos para culpá-la de uma agressão sofrida?”, diz Glória.

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Aluna do mestrado em Antropologia Social da UFMT, Marina Castro reforça ainda que os homens podem contribuir em situações em que não há mulheres presentes. “De uma forma ou de outra precisamos dos homens, porque a sociedade não é formada só por mulheres. Entre amigos, por exemplo, diante de expressões que objetificam ou denigrem uma mulher é possível questionar e intervir para começar a mudança pelo próprio grupo.”



Ela, que integra o coletivo Frente pela vida das mulheres explica que as manifestantes vêm se articulando desde a discussão do Projeto de Lei 5069, que dificulta o atendimento a vítimas de estupro, e que o acesso ao grupo é livre a todas as interessadas. Em sua opinião, a resistência ao movimento feminista por parte de algumas mulheres é justificada pelo senso comum de que não há opressão e de que a conquista de direitos básicos, como escola, trabalho e voto, são suficientes.

“O feminismo é um despertar, porque percebemos que em diversas situações ainda somos oprimidas. Nosso salário ainda é menor, não temos representatividade política, ocupamos os menores cargos na maioria das empresas e assumimos áreas de trabalho precarizado, como a limpeza e a saúde. Isso acontece porque somos vinculadas a essa imagem de cuidado e instinto maternal. Diante de tantas imposições, há mulheres que acabam reproduzindo o machismo. Mas entendemos que, diferente do homem, elas não se beneficiam dele.”

Atendimento especial às vítimas

Presente no Ato, a titular da Delegacia da Mulher, Jozirlethe Criveletto, defende a humanização do atendimento às vítimas de estupro, focando principalmente na capacitação de profissionais que possam ouvi-las sem julgamentos. “Nós vivemos uma cultura patriarcal, na qual a premissa neste tipo de crime é a de duvidar da mulher. Por esse motivo, como já pudemos acompanhar, muitas tem medo de procurar ajuda por conta da possibilidade de ser responsabilizada.”

A delegada também destaca a importância dos exames periciais e da profilaxia, já que os casos também oferecem o risco de contaminação por doenças sexualmente transmissíveis. “A vítima de violência sexual que nos procura é prontamente atendida e, se no momento em que aconteceu o fato ela não se sentir bem para dar alguma declaração, ela será encaminhada diretamente ao serviço de psicologia, que faz esse primeiro atendimento. A partir daí ela será encaminhada ao serviço médico.”

Assim, por sua especialidade, a delegacia funciona como uma rede de enfrentamento à violência contra a mulher. “A delegacia se torna então a porta de entrada para que a vítima obtenha os outros encaminhamentos que a situação exige”, explica. 

2 comentários

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  • Léia Miranda
    03 Jun 2016 às 15:27

    É inaceitável um comportamento impositivo sobre gênero e ainda mais considerando que tais atitudes não podem ser justificadas por tipo de roupa ou se pelo uso de drogas. Há De se mudar comportamento e respeito independente de quem for.

  • Jader
    01 Jun 2016 às 21:53

    Não é a cultura do estupro. É o uso de drogas, enquanto haver drogas terá estupros e jovens mortas. Fora drogas....