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Demora para liberação de licenças é um entrave do setor de floresta, pontua presidente da Arefloresta

Da Redação - Viviane Petroli

07 Jan 2015 - 14:17

Foto: Viviane Petroli/Agro Olhar

Demora para liberação de licenças é um entrave do setor de floresta, pontua presidente da Arefloresta
O reflorestamento é uma atividade que aos poucos em Mato Grosso vem despontando, em especial com o sistema de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta, contudo a infraestrutura, logística e, principalmente, a demora para liberação de licenças ambientais, entre outras, travam o segmento. Em aproximadamente 7 anos a área destinada para reflorestamento cresceu 219% no Estado, com foco no eucalipto e na teca, segundo o presidente da Associação de Reflorestadores de Mato Grosso (Arefloresta-MT), Fausto Takizawa.

O plantio é exclusivo para a comercialização, mais precisamente a exportação. Entre janeiro e novembro de 2014 foram embarcadas somente em madeira serrada/cortadas em folhas cerca de US$ 21,2 milhões, um aumento de 3,79% ante o período em 2013. A teca, conforme o presidente da Arefloresta, é a mais utilizada para exportação, enquanto o eucalipto tem como destino o agronegócio.

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Como o Agro Olhar já comentou o eucalipto tem como principais regiões produtoras de Mato Grosso são o Sul, com referência em Rondonópolis, e o Médio-norte, com referência em Tangará da Serra. No caso da teca é a região Oeste do estado, a região do Araguaia e o Norte, principalmente Alta Floresta.

Em entrevista ao Agro Olhar o presidente da Arefloresta comenta ainda que aguarda do governo de Mato Grosso mais apoio para o desenvolvimento da cadeia.

Agro Olhar - Como está o setor de reflorestamento em Mato Grosso?

Fausto Takizawa - O setor de reflorestamento em Mato Grosso teve um crescimento muito vertiginoso nos últimos 6 a 7 anos. Em área plantada cresceu 219%. O eucalipto tem 187 mil hectares atualmente e a teca 65 mil hectares. A produção de madeira, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cresceu pouco mais de 400%. Isso é uma boa notícia, mas agora a gente tem outro passo de que já existe um mercado em consolidação no Estado de Mato Grosso e agora para nós darmos outro salto nós precisamos melhorar a industrialização dessa madeira.

Agro Olhar - Hoje, quais são os entraves e as dificuldades do setor aqui no Estado?

Fausto Takizawa - A dificuldade no setor é comum a todos que moram aqui, ou seja, a logística. Talvez a logística seja uma das mais importantes. A infraestrutura logística é muito deficitária e o setor vive um momento onde os custos para a adequação ambiental de qualquer propriedade rural em Mato Grosso ainda são muito altos. E também, para você montar empreendimentos industriais no setor de madeira os custos de licenciamento ambiental também são altíssimos.

Agro Olhar - Quais são os principais tipos de árvores que estamos utilizando, hoje, em Mato Grosso em termos de reflorestamento?

Fausto Takizawa - Basicamente nos temos o eucalipto e a teca, dando destaque para a teca no Mato Grosso. Como eu falei plantamos 187 mil hectares de eucalipto e 65 mil de teca no Estado.

Agro Olhar - O reflorestamento, replantio, é para algum fim comercial ou para preservação ambiental?

Fausto Takizawa - O foco das plantações é para atender mercado, então são para fins comerciais. O eucalipto atende originalmente o mercado de biomassa, que é lenha para o agronegócio, e a teca para o atendimento de mercado de madeira nobre tropical, ou seja, exportação.

Agro Olhar - Essa madeira destinada para exportação, quais são os principais destinos dela?

Fausto Takizawa - O principal destino é a Ásia, em especial a Índia.

Agro Olhar - Ela é exportada in natura ou transformada (móveis)?

Fausto Takizawa - A madeira vai basicamente in natura. Ela vai em forma de tora e também serrada, mas é um processamento primário. O móvel, ou seja, o beneficiamento da madeira ainda não acontece no setor.

Agro Olhar - Em Mato Grosso existem projetos de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta. Como o setor vê isso?

Fausto Takizawa - Projetos como este são vistos de forma positiva, pois é uma maneira de difundir a floresta plantada, a plantação de árvores também para aquele que não está focado somente na árvore em si. É mais uma oportunidade de continuidade no que fazemos.

Agro Olhar - Há pretensões deste tipo de projetos, de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta, de estar expandindo no Estado? Hoje, vocês da Arefloresta possuem uma noção de quantas propriedades utilizam esta integração?

Fausto Takizawa - A Associação ainda não possui estatística a respeito deste sistema de integração. O que sabemos é que parece ser uma ótima oportunidade para quem deseja diversificar e melhorar a renda de sua propriedade.

Agro Olhar - Quais são as perspectivas para o ano de 2015 no setor de reflorestamento?

Fausto Takizawa - Temos a expectativa em 2015 muito grande com este novo governo que está assumindo Mato Grosso, em que segundo palavras do governador, o Estado deixará de ser um atrapalhador. Temos a expectativa também de que ele (Pedro Taques) seja um grande apoiador do setor.

Agro Olhar - O setor de reflorestamento e madeira acha que estes 'empacamentos' que se tem visto nos últimos anos são uma barreira para o desenvolvimento do setor, principalmente na demora da liberação das licenças?

Fausto Takizawa - Com certeza são barreiras para quem pensa em expandir ou para quem quer entrar no negócio enxergar isso como barreira e de fato atrapalha muito o segmento pontos como a liberação de licenças.

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