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Segunda-feira, 22 de julho de 2019

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Associação indígena do Xingu ganha certificação para produção de forma orgânica

De Sinop - Alexandre Alves

04 Set 2015 - 14:03

Foto: Atix

A associação conta com indígenas capacitados para atividade apícola desde 1998

A associação conta com indígenas capacitados para atividade apícola desde 1998

A Associação Terra Indígena Xingu (Atix), sediada em Canarana (633 km a Nordeste de Cuiabá), recebeu, nesta quinta-feira à tarde, na sede do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), a autorização para funcionar como certificadora da produção orgânica, inaugurando o primeiro Sistema Participativo de Garantia (SPG) exclusivamente indígena do mundo. O presidente da Atix, Yakari Kuikuro, e o coordenador de alternativas econômicas Wareaiup Kayabi, representaram a entidade que reúne 16 etnias do Parque Indígena do Xingu.

De acordo com Yakari Kuikuro, os indígenas do Xingú cultivam de maneira orgânica mel de abelhas africanas desde o ano de 1998. Em seu pronunciamento, ele destacou as ameaças que os agrotóxicos usados nas fazendas da região trazem para os territórios, pois podem intoxicar não somente as abelhas, mas também toda produção que é feita sem o uso de agrotóxicos nas aldeias.

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Para o Mapa, a certificação da produção orgânica valoriza o produto indígena, que alcança um mercado diferenciado. O novo mecanismo de avaliação participativa leva em conta as características tradicionais desses povos, promove autonomia e proporciona maior interação entre os produtores. Segundo o coordenador de Agroecologia do Ministério, Rogério Dias, o setor de orgânicos passa por um forte crescimento, com aumento dos produtos nos mercados de todo o Brasil.  “Esperamos que o credenciamento sirva de estímulo para que outros grupos indígenas a certificarem seus produtos". A Coordenação de Agroecologia do Mapa é responsável pela aplicação dos mecanismos de controle para a garantia da qualidade orgânica.

A associação conta com indígenas capacitados para atividade apícola desde 1998, produzindo mel de abelhas africanas de qualidade, que são criadas em regiões de vegetação nativa. De acordo com Dias, a Atix percebeu que a forma como trabalham vai ao encontro dos regulamentos da agricultura orgânica. “Eles são muito criteriosos e buscam a garantia da qualidade, o que constatado pelos fiscais do Mapa durante a auditoria de credenciamento, quando avaliarem o funcionamento do sistema”, disse Dias.

Para celebrar o cadastro, a Secretaria do Produtor Rural e Cooperativismo realizada uma cerimônia com apresentações culturais e exposição dos produtos e de artesanato na horta orgânica do ministério.

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