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Baixa oferta de mercado é principal entrave da base florestal em Mato Grosso

Da Redação - Viviane Petroli

23 Set 2015 - 15:21

Foto: Viviane Petroli/Agro Olhar

Baixa oferta de mercado é principal entrave da base florestal em Mato Grosso
Mato Grosso produz hoje em torno de 1,6 milhão de metros cúbicos (m³) de eucalipto ao ano. Porém, a capacidade é de 4,5 milhões m³/ano. A baixa oferta de mercado para a produção de madeira para fins comerciais e a concorrência com madeira de extração ilegal são os principais fatores que impedem o crescimento da atividade da base florestal no estado, somada a logística. Para produtores, incentivo fiscal é um bom atrativo de indústrias de etanol de milho, termelétrica e indústria moveleira. Atualmente, cerca de 90% do eucalipto, por exemplo, produzido em Mato Grosso é destinado para a produção de biomassa, ou seja, transformação de energia em secadores de grãos, armazéns, para uso em caldeiras, etc.

O uso de madeira legal sustentável de plantações na agroindústria, arquitetura e construção civil é o principal foco do Florestar 2015 - 11° Encontro de Reflorestadores do Estado de Mato Grosso. O tema deste ano é "Mercado, Inovação e Tecnologia de Florestas Plantadas".

Mato Grosso, segundo o presidente da Associação de Reflorestadores de Mato Grosso (Arefloresta), Fausto Takizawa, possui uma área de aproximadamente 187 mil hectares com eucalipto. A capacidade de produção é de 4,5 milhões m³/ano, porém apenas 1,6 milhão m³ são produzidos. Em Teca são cerca de 65 mil hectares, em torno de 40 mil hectares de seringueira, além de 14 mil hectares com árvores de mogno africano, pau de balsa, entre outras espécies.

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"A produção é baixa devido à falta de mercado e também a concorrência com a madeira de desmate ilegal. O eucalipto, por exemplo, tem 90% de destinação para biomassa", comenta Fausto Takizawa.

Há 11 anos Clair Bariviera possui produção própria de floresta e de mudas para vender. Na propriedade em Tangará da Serra possui eucalipto, mogno africano, além de mudas de árvores nativas para recuperação de área degradada. “De fato o consumo baixo é o maior entrave do setor. Temos que trazer indústrias para Mato Grosso. O incentivo de usinas de etanol de milho e usinas termelétricas são opções para o estado para fomentar a produção de floresta com fins comerciais”.

Segundo Clair Bariviera, Mato Grosso possui áreas degradadas para recuperação que pode-se utilizar para floresta com fins comerciais, porém não tem para quem vender a produção.

De acordo com o presidente da Arefloresta, Fausto Takizawa, uma árvore leva de sete a 20 anos para se desenvolver.

Ações e incentivos

Conforme o secretário de Desenvolvimento Econômico de Mato Grosso, Seneri Paludo, a base florestal está inserida junto aos setores prioritários para o desenvolvimento econômico do estado, ou seja, está junto nos planos de ações e incentivos do governo do Estado para a agroindústria, turismo e mineração.

“Há questões burocráticas que precisam ser revistas para o desenvolvimento do setor da base florestal. Precisa-se simplificar mais processo. Estamos buscando meios de atrair indústrias moveleiras para Mato Grosso. Tiramos da gaveta (gestão passada) o Plano de Desenvolvimento da Base Florestal e agora estamos vendo o que podemos fazer para proporcionar de incentivos para a indústria que já está em Mato Grosso e atrair novos investidores”, destacou durante participação da abertura do Florestar 2015.

Na opinião do deputado estadual Zeca Viana a atração de indústrias ligadas ao setor madeireiro vai “despertar para os produtores o uso de áreas degradadas com floresta, o que já é feito no Mato Grosso do Sul”.

Presente na abertura do Florestar 2015 a secretária de Meio Ambiente de Mato Grosso, Ana Luiza Peterlini, frisou que está-se buscando “desburocratizar o setor do meio ambiente”. Segundo a secretária, o governo de Mato Grosso , por meio da Sema, trabalha para transformar o processo de Licenciamento Ambiental 100% digital, assim como foi feito com o Cadastro Ambiental Rural (CAR). “As regras e normas nacionais são antigas, bem como as de Mato Grosso. Elas não avançaram como a tecnologia. Estamos buscando tornar tudo mais leve, ou seja, fácil, principalmente o Licenciamento Ambiental”.

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