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Terça-feira, 17 de setembro de 2019

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Produtores de Soja aderem a novas tecnologias visando a redução de perdas

Cairo Lustoza - Pauta Pronta

24 Ago 2012 - 11:26

Foto: Assessoria

Produtores de Soja aderem a novas tecnologias visando a redução de perdas
Uma praga de solo, o Pratylenchus brachyurus, que também é chamado de nematóide das lesões radiculares devido aos sintomas que causam nas raízes da soja, coloca os produtores em alerta em função das perdas que causam nas lavouras. Uma alternativa de sucesso a essa praga tem sido a utilização de híbridos de milho resistentes, que interrompem o ciclo de vida do nematóide, durante a safrinha, conforme orientam instituições de pesquisa ligadas ao setor de sementes.

De acordo com a gerente técnica do Laboratório de Nematologia da Associação dos Produtores de Sementes de Mato Grosso (Aprosmat), Tânia Silveira Santos, um levantamento realizado em 2010, em áreas de plantio de soja no estado de Mato Grosso, constatou a presença de Pratylenchus em 96% das 411 amostras coletadas. Segundo a pesquisadora, a praga é o principal problema das lavouras de soja na região Centro-Oeste, com áreas infestadas em torno de 30% a 50% em lavouras comerciais no ano de 2011.

“O Pratylenchus brachyurus é uma das mais destacadas pragas da soja e isto está associado às características do nematóide, entre muitas, a ampla distribuição geográfica, a capacidade de parasitar e multiplicar-se em um grande número de plantas hospedeiras. O primeiro passo para um manejo adequado é conhecer a situação real da lavoura, coletando amostras de solo e raízes e enviando para um laboratório especializado para identificação e quantificação dos fitoparasitas presentes. Assim que identificar o problema, deve-se conhecer o nível populacional do nematóide e planejar um manejo que integre diversas praticas culturais e estratégias envolvendo controle físico, rotação/sucessão de culturas e uso de cultivares resistentes ou tolerantes”, explica Silveira.

O produtor Mauro Oliveira, de Nova Ubiratã (MT), conta que a presença da alta população de Pratylenchus vinha causando queda considerável na produtividade da lavoura. Com 600 hectares de área plantada, Oliveira afirma que após o uso da tecnologia Redutor de Pratylenchus presente em um híbrido de milho cultivado na safrinha, em apenas um ciclo a produtividade da soja foi incrementada em mais de 10% se comparada com a mesma área sob palhada de um híbrido multiplicador da praga. “Consegui controlar a população de Pratylenchus e reduzir as perdas na soja com eficiência”, relata o produtor.

O nematologista da Unesp de Jaboticabal, Jaime Maia dos Santos ressalta a importância de se utilizar híbridos de milho com baixo fator de reprodução ao Pratylenchus brachyurus como uma das estratégias de manejo, no entanto o pesquisador chama a atenção para a consistência e segurança dos resultados. “O tema está em evidencia e muitas empresas vem posicionando híbridos de milho com baixo fator de reprodução ao Pratylenchus brachyurus. É preciso que o produtor esteja atento. Trabalho diariamente em nosso laboratório com avalições de híbridos de milho quanto a reação ao Pratylenchus, e o que observamos é que a grande maioria dos materiais cultivados não fortes hospedeiros a praga”. Perguntado sobre quais cultivares ele recomendaria para esse manejo o pesquisador respondeu: “ Temos avaliações ao longo dos anos e locais com o híbrido GNZ 2005 da empresa Geneze Sementes, este material além de ter apresentado baixo fator de reprodução em ambientes controlados e a campo tem sido capaz de promover ganhos perceptíveis na cultura da soja”. O pesquisador completa ainda “essa estabilidade ao longo dos anos e locais até o momento é única, nossa linha de pesquisa mantem-se fortemente na busca de outros materiais”. Outras instituições também avaliaram a reação de híbridos de milho em relação ao nematoide causador de lesões nas raízes da soja. O híbrido citado pelo pesquisador Jaime Maia apresentou resultados satisfatórios em avaliações da Embrapa Soja de Londrina (PR) além da Universidade Federal de Uberlândia e Universidade Federal de Lavras, ambas no estado de Minas Gerais.

O nematoide é imperceptível a olho nú e seus danos podem ser tanto sutis quanto expressivos ao ponto de inviabilizar a colheita. O produtor, Ricardo Prado, do município de Jataí (GO) nos conta que estava colhendo bem a soja, no entanto já percebendo a presença do Pratylenchus brachyurus nas lavouras. Ao se atentar ao manejo com híbrido redutor de Pratylenchus o produtor experimentou a tecnologia. “Colhi 66,4 sc/ha de soja em uma área sob palhada de um híbrido desconheço o fator de reprodução a este nematoide…”, comenta o produtor. Para a região é uma boa produtividade, mas o problema passaria despercebido se não houvesse um comparativo sob a palhada de um híbrido redutor. Assim Ricardo Prado completa, “…já sob a palhada do GNZ 2005 minha produtividade foi de 71,2 sc/ha, 5 sc/ha a mais de soja com o manejo do hibrido”. Neste caso o Pratylenchus brachyurus estava literalmente roubando do produtor a chance de atingir o máximo potencial produtivo.

Procurado sobre as bases científicas para esse efeito o pesquisador da Geneze Sementes, André Lepre, responsável pela criação do primeiro híbrido de milho comprovadamente Redutor de Pratylenchus nos explica. “Genótipos com essa característica são capazes de expressar, sobre tudo nas raízes, metabolitos secundários capazes de dificultar a mobilidade, multiplicação e sobrevivência do nematoide no tecido da planta. Até mesmo a decomposição da palhada remanescente tem efeito na redução das populações de Pratylenchus no solo. A estratégia de nossa pesquisa foi identificar esses compostos e através de técnicas moleculares fazer o processo inverso de sua síntese chegando aos genes responsáveis por esse controle. Temos um programa bastante avançado nesta linha e já estamos avaliando um leque de outros híbridos com a mesma característica”.

O tema é bastante recente, mas as informações até o momento revelam que apesar das poucas alternativas apresentadas no mercado, os produtores já dispõem de materiais altamente eficazes para esse manejo. As informações de varias instituições de pesquisa e resultados a campo validam de fato a tecnologia Redutor de Pratylenchus e evidenciam nesta característica incremento de produtividade semelhante aos recentes avanços em biotecnologia a exemplo dos transgênicos. O pesquisador Jaime Maia da Unesp de Jaboticabal reforça: ”No atual sistema Soja-Milho Safrinha-Soja, será mandatório integrar as praticas já existentes o manejo com híbrido de milho Redutor de Pratylenchus brachyurus”. De forma geral a orientação, com sucesso, tem sido o cultivo de híbridos com baixo fator de reprodução nas áreas notadamente com altas infestações ou em um percentual da área safrinha ainda com baixos níveis de infestação. Desta forma o produtor intervém no problema já existente e passa a adotar ação preventiva antes do problema tornar-se evidente. Garante-se assim a sustentação das produtividades da habitual pratica de cultivo de Soja na Safra e Milho na Safrinha.

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