Olhar Agro & Negócios

Segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

Notícias / Agronegócio

Acrimat lamenta embargo dos EUA e cobra que Ministério seja mais exigente com laboratórios de vacinas

Da Redação - Viviane Petroli

23 Jun 2017 - 11:49

Foto: Rogério Florentino Pereira/Olhar Direto

Acrimat lamenta embargo dos EUA e cobra que Ministério seja mais exigente com laboratórios de vacinas
A Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat) lamenta a decisão dos Estados Unidos em embargar temporariamente a carne bovina brasileira in natura (fresca) e cobra do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) que o mesmo seja mais exigente com os laboratórios para o melhoramento das vacinas produzidas no Brasil. Mato Grosso foi responsável por 3% (US$ 11,1 milhões) da carne enviada para os Estados Unidos entre janeiro e maio.
 
Os Estados Unidos suspenderam temporariamente a compra de carne bovina in natura dos 13 frigoríficos habilitados no Brasil, dos quais dois estão localizados em Mato Grosso (JBS e Marfrig), nesta quinta-feira, 22 de junho, após constar inconformidades em 11% do volume enviado desde março. Em 16 de junho, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) já havia suspendido os embarques de cinco plantas, após as autoridades sanitárias norte-americanas comunicarem o Brasil quanto a irregularidades encontradas na carne provocadas pela reação à vacina da febre aftosa.

Leia mais:
- Blairo Maggi afirma que irá aos EUA para restabelecer exportação de carne in natura

-
EUA suspende embarques de carne bovina do Brasil; em Mato Grosso são dois frigoríficos
 
Em nota, a Acrimat lamenta a decisão dos Estados Unidos e afirma considerar "inaceitável que haja esse tipo de ineficiência no serviço das indústrias frigoríficas brasileiras". A entidade frisa ainda que o “processamento de alimentos requer rígido controle de qualidade afim de evitar a comercialização de produtos com irregularidades que, apesar de inofensivas à saúde do consumidor, colocam em xeque a credibilidade da nossa carne”.
 
A Acrimat salienta que a "reação vacinal pode acontecer devido à inoculação do agente que compõe a vacina ou à aplicação incorreta do produto, causando uma espécie de inflamação ou o enrijecimento da carne".
 
Ainda em nota, a entidade representante dos pecuaristas de Mato Grosso pontua que "cobra que Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) seja mais exigente com os laboratórios para o melhoramento das vacinas produzidas no Brasil e para que retirem da composição da vacina agentes considerados desnecessários para a imunização do rebanho" e frisa que há anos desenvolve campanhas de conscientização dos produtores sobre a importância da correta manipulação e aplicação da vacina.
 
De janeiro a maio foram enviados aos Estados Unidos US$ 48,6 milhões em carne bovina in natura, dos quais 3% ou US$ 11,1 milhões provenientes de Mato Grosso.
 
Em Mato Grosso estão habilitadas para enviar carne in natura para o país norte-americano apenas as plantas frigoríficas da JBS em Barra do Garças e da Marfrig no município de Paranatinga.
 
Como o Agro Olhar já comentou, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, afirma que o Ministério está finalizando uma nova forma de inspeção das carnes nos frigoríficos, uma nova Instrução Normativa (INS), para ser mais rigoroso nesse assunto.
 
"Como é uma suspensão temporária, nós estaremos na semana que vem trabalhando para finalizar os planos que estávamos fazendo no Ministério e eu pretendo assim que possível, e os americanos receberem informações do Brasil, me descolocar até os Estados Unidos com uma equipe do Mapa para que possamos fazer as discussões necessárias e reestabelecer esse mercado tão importante que o Brasil conquistou nos últimos anos", declara Maggi.
 
No que diz respeito às vacinas, Blairo Maggi afirma que "provavelmente os problemas que vem ocorrendo são em função da reação aos componentes da vacina aplicadas aqui no Brasil. Nós vamos imediatamente abrir uma sindicância, uma investigação para ver o tipo de reagentes que estão sendo utilizados e se de fato está aparecendo ou deixando esses resíduos na carne".

1 comentário

AVISO: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Agro Olhar. É vedada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O site Agro Olhar poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema da matéria comentada.

  • Carlos H. Nehring
    23 Jun 2017 às 22:39

    As reportagens televisivas sobre o embargo citavam que a Secretária da Agricultura norte americana justificava a suspensão alegando a ocorrência "acima do normal" de uma quantidade de pustulas subcutâneas nas carcaças dos bovinos isto não é do desconhecimento do pecuárista, vem ocorrêndo a quase dez anos, desde que foi introduzida a vacina para a aftosa do tipo oleosa, está matéria públicada no ano de 2010, já alertava sobre o problema e sugeria soluções, abaixo um trecho e o respectivo link. "Os abscessos são acúmulo de pus em diferentes tecidos, envolto em uma cápsula de fibrose e ocorrem como resposta ao desenvolvimento de bactérias piogênicas que ganham acesso ao organismo animal por uma ferida na pele e por meio de agulhas ou instrumentos contaminados. Causam aumento de volume e temperatura local, além de dor. No caso da vacina contra febre aftosa pode ocorrer um "caroço" no local da aplicação em virtude da consistência oleosa da vacina e de absorção lenta. O que na maioria dos casos ocorre é a contaminação, provocando os abscessos." *Fonte: http://sanidaderural.blogspot.com.br/2010/07/caroco-na-vacinacao-contra-febre-aftosa.html?m=1

Sitevip Internet