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Domingo, 22 de setembro de 2019

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Presença de javalis em propriedades pode reconduzir febre aftosa ao Brasil, afirma veterinário ; veja fotos

Da Redação - Lázaro Thor Borges

19 Set 2017 - 16:28

Foto: Arquivo Pessoal

Presença de javalis em propriedades pode reconduzir febre aftosa ao Brasil, afirma veterinário ;  veja fotos
Um pequeno estrago na plantação de milho aqui, outro na lavoura de soja lá, e assim vai. Por enquanto os produtores de Mato Grosso tratam as invasões de javalis como um problema de baixo impacto. Mas segundo o veterinário Ederson Viaro, dono de uma propriedade em Lambari D’Oeste, o javali pode trazer um antigo problema à tona novamente: a temida febre aftosa.

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O animal, que é natural da Ásia e da Europa, chegou no Brasil atravessando a fronteira com a Argentina e com o Uruguai, regiões onde ele foi introduzido para prática de caça esportiva. O javali é um dos vetores da aftosa e existe uma grande possibilidade do animal entrar em contato com o rebanho da Bolívia ou do Paraguai (onde o risco de aftosa ainda é grande) e voltar ao país infectando o gado brasileiro.

“A sorte é que os produtores brasileiros fazem um forte trabalho de vacinação, mas isso não exclui o fato de que o javali é um poderoso vetor de febra aftosa e hoje ele frequenta a zona livre (sem risco) e a zona tampão (risco médio) da doença no Brasil”, alertou Viaro. 

O veterinário é um dos controladores que integram o Cadastro Técnico Federal disponibilizado pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambieente (Ibama). Atualmente, 280 pessoas em Mato Grosso estão cadastradas no CTF e são autorizadas a caçar o javali. Para Viaro o número não é suficiente e é preciso que os órgãos responsáveis conscientizem os produtores do verdadeiro risco que os animais representam.

Caça

A principal forma de manejo do javali atualmente ainda é a caça, que foi autorizada pelo Ibama em 2013 por se tratar de um espécie invasora. Os produtores que não são autorizados a caçar o animal tentam minizar o impacto com o uso de cercas, mas o javali é um animal forte e acaba fazendo um estrago ainda maior. 

Atualmente somente o javali e o caramujo-africano tem a caça permitida no Brasil. Ainda assim, os controladores regulamentados precisam se registrar no CTF e conseguir junto ao Exército Brasileiro a permissão de uso de arma de fogo.

Viaro explica que os javalis se proliferaram principalmente porque a burocracia é muito grande e muitos produtores não conseguem se cadastrar para abater os animais. “Nós estamos há 50 anos sem o costume de caça no Brasil, somos o único país que proíbe terminantemente a caça de animais e dificilmente o Ibama vai fazer uma palestra de conscientização para que esses produtores entendam do verdadeiro risco do javali”, pontua.

Outro lado

A reportagem do Agro Olhar entrou em contato com a assessoria do Ibama para entender se de fato existe morosidade no processo de autorização do cadastro. Em resposta, o órgão afirmou que não vê possibilidade de flexibilizar o sistema  e que pode ser que alguns controladores tenham pequenas dificuldades com a interface do cadastro. 

9 comentários

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  • marcelo vogel
    22 Set 2017 às 22:18

    Esqueceram de falar do contrabando de gado que ocorre na fronteira seca do Mato Grosso do Sul com o Paraguai onde o gado vale menos que no Brasil. Muitos fazendeiros lucram com isso e depois querem colocar a conta no javali, queixada, veado e outros animais com cascos rachados. Falta fiscalização nas fronteiras contra o contrabando de animais, arma, drogas.

  • claudio costa
    20 Set 2017 às 11:21

    concordo plenamente com o Viaro, é necessário fazer um controle sobre esses animais. Jacaré também é uma especie que deveria ser controlada com abate. Daqui alguns anos não existirão mais peixes por conta da superpopulação desses repteis nos rios do pantanal.

  • MARIA DA CONCEIÇÃO MARTINS CAMPOS
    20 Set 2017 às 11:02

    Em minha fazenda em Nova Brasilândia essas porcarias de javalis já comeram até bezerros e morderam na perna do filho do meu gerente. E eles transmitem aftosa. O que eu não entendo é porque a Sema e o Ibama, sem conhecimento nenhum destes animais, liberaram licenças para um bando de irresponsáveis trazerem esses bichos para o Brasil. Agora tem uma tal ONG criando elefantes velhos em Chapada dos Guimarães alguém tem conhecimento técnico desses bichos ? ninguém. E elefante dá aftosa. Vai ser um estrago para nós, pecuaristas. Javalí que entra em minha fazenda morre. E esses elefantes, quando começarem a incubar e espalhar aftosa na região , não vai adiantar mata-los. Porque não mandam esses bichos para África ou Ásia ? Tem mutreta grossa atraz desta ONG.

  • Paulo
    20 Set 2017 às 07:58

    Uai.....ainda não apareceu um ECOCHATO por aqui????.....Daqui a pouco vem de monte......kkkkkkk

  • Lauri Mineiro
    20 Set 2017 às 04:31

    A burocracia eh muito grande perante o exército, casos de até um ano pra se conseguir um CR, guias de tráfego de arma tambm uma burocracia imensa, IBAMA dificuldades com as liberações enfim estamos no Brasil e o javali e de fato uma ameaça ao ecossistema a fauna e a flora destruindo tudo oque encontra pela frente.

  • JAÓ
    20 Set 2017 às 00:10

    Esses produtores rurais tem lá suas razões. Claro, ninguém quer ter prejuízos. Manter uma fazenda hoje em dia significa custos de todo tipo. Apenas algumas coisas eu não consigo entender nessa equação rural a primeira: O Mato Grosso do Sul tem milhões de pé de eucaliptos por que não cercar essas plantações com mourões de eucalipto? É um investimento caro mas compensa e os javalis não conseguiriam adentrar nessas plantações de milho a segunda: por que não, proteger a onça-pintada? Asseguro que essa predadora iria trocar de cardápio ao invés do garrote, a onça iria preferir o javali a terceira: A onça-parda também iria se alimentar do javali por último penso que se os órgãos ambientais estender esse tipo de caça a outros segmentos do campo, o futuro da onça será a sua extinção por completo. Nesse caso, a melhor opção seria a cerca de eucalipto equipada com sensores de luz que ao aproximar da cerca elas se acenderiam e inibiriam a manada desses animais.

  • Livarci Antônio Rosa
    19 Set 2017 às 22:23

    ESSES ELEFANTES EM CHAPADA TAMBÉM SÃO TRANSMISSORES E INCUBADORES DE FEBRE AFTOSA.

  • Jorge
    19 Set 2017 às 20:18

    O caramujo africano deveria ser comido pelo dono da ideia de trazer essa pedra para o nosso estado

  • Nestor Pagotto Junior
    19 Set 2017 às 19:08

    Concordo plenamente com o Artigo do Dr Ederson Viaro As Autoridades tem que ser mais participativa em ajudar e não atrapalhar,enchera-se o Cac não como bandido e fornecer ajuda para tal

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