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Quarta-feira, 17 de julho de 2019

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Anvisa proíbe agrotóxico que causou “chuva de veneno” em Mato Grosso

Da Redação - Lázaro Thor Borges

29 Set 2017 - 14:02

Foto: Reprodução

Anvisa proíbe agrotóxico que causou “chuva de veneno” em Mato Grosso
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) baniu o uso do herbecida paraquat, utilizado por produtores rurais em plantações de soja, milho e feijão. O defensivo é proibido em diversos países por ser considerado prejudicial a saúde de agricultores e consumidores. Desde 2008, existe a proposta de regulamentação, que só foi efetivamente levada a cabo no dia 19 deste mês.

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Em Mato Grosso, o paraquat ficou conhecido por ter provocado contaminação em jardins e hortas do município de Lucas do Rio Verde, além de ter causado doenças respiratórias e pulmonares. O episódio que ficou conhecido como “chuva de veneno”. foi resultado direto da aplicação do defensivo por meio de aeronaves em regiões próximas a área urbana. 

A proibição da Anvisa, no entanto, dá margem temporal aos produtores, que poderão utilizar o produto até terminar o estoque. O paraquat é comercializado com o nome de Gramoxone 200. Ele é conhecido pelo preço acessível e a eficácia, mas faz parte do rol de pelo menos 14 agrotóxicos que são liberados no Brasil, mas proibidos em países da União Europeia.  

Estudos indicam que o agrotóxico pode ser responsável por doenças como o mal de Parkinson, má-formação congênita e problemas renais. No entanto, segundo a Anvisa, o risco do produto se restringe aos trabalhadores que o manipulam. A agência alega que “não há evidências” de que alimentos possam também ser contaminados.

Três anos

Para muitos ambientalistas e profissionais que estudam o impacto de agrotóxicos nas imediações de grandes plantações a decisão da Anvisa é controversa, uma vez que o produto será proibido apenas por um prazo de três anos. Neste período, a produção, a aplicação e a comercialização será mais regulada.

De acordo com o professor da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) o prazo extenso e a demora na análise da proibição são sintomas de uma conduta problemática dos reguladores. 

“Eles falam que a proibição pode trazer prejuízos à agricultura e à economia, mas e o prejuízo à saúde? Será que ninguém analisa? Porque será que na União Europeia o paraquat é proibido e não por isso eles deixaram de produzir?” questiona o pesquisador. Segundo Pignati, a nota da Anvisa é uma prova de que a agência tem sucumbido a pressão do agronegócio.

Além do prazo, a Anvisa, informou que vai aguardar a apresentação de trabalhos científicos que possam comprovar que não há risco na aplicação do paraquat. De acordo com o diretor de regulação sanitária, Renato Alencar Porto, estes trabalhos poderão excluir “o potencial mutagênico do produto”, além de “garantir a exposição em todas as etapas de contato”.

“Chuva de veneno”

No dia primeiro de março de 2006, os moradores de Lucas do Rio Verde se surpreenderam quando encontraram as plantas no quintal de suas casas murchas ou mortas. Horticultores foram pegos levantaram assutados quandoviram a produção morta ao amanhecer daquele dia. O efeito foi causado por conta da aplicação de agrotóxicos por aeronaves em propriedades próximas a zona urbana do município.

Mas não só as plantas foram impactadas. O Ministério Público, com apoio de pesquisadores que estavam no local, relatou o aumento de procura por atendimento médico nos postinhos de saúde no município. A maioria dos contaminados diziam sofrer com problemas respiratórias e pulmonares.

O MP abriu um inquérito civil para investigar o caso e descobriu, na ocasião, que o herbicida responsável pela contaminação foi o paraquat, recentemente proibido pela Anvisa. A situação também foi estudada pelo pesquisador Wanderley Pignati. No trabalho “Acidente rural ampliado: o caso das ‘chuvas’ de agrotóxicos sobre a cidade de Lucas do Rio Verde – MT” Piganati analisa o impacto do acontecimento na percepção da população sobre a agricultura extensiva. 

8 comentários

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  • Dhionatha
    29 Nov 2017 às 23:06

    É fácil pra quem vive na cidade, e não na zona rural falar em proibir herbicidas, que talvez nunca nem plantou nem colheu nada pra ver como é difícil, aí agora proíbem a venda, só para os agricultores se lascarem cada vez mais, quero ver como é que vai se fazer plantio direto sem usar herbicida paraquat, não há nem um outro herbicida com a mesma eficácia, há somente herbicidas sistêmicos que estragam a terra, atrapalhando o plantio. O custo de produção será muito maior. E agora os agricultores, principalmente os pequenos serão muito prejudicados, vão ter que sofrer muito mais pra trabalhar na roça. Há alguns serviços que são impossíveis de serem feitos sem a utilização de herbicidas. Se a Anvisa quer proibir, porque não plantam e colhem pra ver como é, em vez de ficarem só na boa no ar condicionado. Agora serviços que valiam pra um mês ou mais, vão ter ser feito toda semana, principalmente na época de chuvas.

  • Gilberto
    20 Nov 2017 às 19:58

    Não se pode deixar passar, Anvisa! Parabéns pela grande e bela atitude. Quando se fala em "Humanos" e "Ambiente" isso é prioridade Herbicida não.

  • Paulo sergio
    30 Set 2017 às 08:19

    Deco tudo bem, sendo assim com uma chuva dessas se der mais umas cinco vai falir com as revendas e aí acaba o problema de defensivos vamos deixar a natureza tomar de conta!

  • Paulo sergio
    30 Set 2017 às 08:14

    Se não colocar um avião pulverizando não dá ibope?! Tratores aplic do mesmo jeito porém com uma qualidade menor!

  • Vendedor de veneno rssd
    29 Set 2017 às 23:26

    parem de matar batas... pulgas... carrapatos... comer morango... e os ambientalistas... pode parar de comer carne, tomar vinhos caros... e faturar no love público... rsssd ...

  • Deco Barbosa
    29 Set 2017 às 21:39

    Quem sabe, Luciano, essa chuva de veneno foi enviada por Deus pra tirar do mundo gente ignorante como você. Quer dizer então que o MP abriu o inquérito a toa? Que a Anvisa proibiu a toa? E que as plantas morreram na cidade para atender o apelo dos ambientalistas que precisavam convencer as pessoas de que agrotóxico faz mau?! Tenha paciência amigo! Se a merda do veneno atingiu a cidade decerto foram as abelhas que trouxeram, os passarinhos que queriam foder com a plantação dos horticultores. Estude o assunto. Assista ao documentário "Nuvem de Veneno", tire cinco minutos para conversar com alguem especializado no assunto e depois venha aqui defender agrotóxico. Ora bolas.

  • Deco Barbosa
    29 Set 2017 às 21:39

    Quem sabe, Luciano, essa chuva de veneno foi enviada por Deus pra tirar do mundo gente ignorante como você. Quer dizer então que o MP abriu o inquérito a toa? Que a Anvisa proibiu a toa? E que as plantas morreram na cidade para atender o apelo dos ambientalistas que precisavam convencer as pessoas de que agrotóxico faz mau?! Tenha paciência amigo! Se a merda do veneno atingiu a cidade decerto foram as abelhas que trouxeram, os passarinhos que queriam foder com a plantação dos horticultores. Estude o assunto. Assista ao documentário "Nuvem de Veneno", tire cinco minutos para conversar com alguem especializado no assunto e depois venha aqui defender agrotóxico. Ora bolas.

  • Luciano Fernandes de Oliveira
    29 Set 2017 às 19:20

    Gostaria de saber de qual fonte retirou a informação que a "Chuva de veneno" foi ocasionada por "aeronaves em propriedades próximas", pois li todo o artigo do Sr. Pignati e não encontrei afirmação sobre o que a reportagem apresenta.

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