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Terça-feira, 26 de maio de 2020

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​Especialista avalia PCH como matriz energética sustentável para o Pantanal

Da Redação - Vinicius Mendes

18 Mai 2018 - 08:20

Foto: Ilustração

Imagem meramente ilustrativa

Imagem meramente ilustrativa

Para o professor Rubem Mauro Palma de Moura, engenheiro civil, especialista em Hidráulica e Saneamento pela USP e Mestre em Ambiente e Desenvolvimento Regional pela UFMT, muito se fala sobre sustentabilidade como principal alternativa do uso consciente dos recursos naturais, porem, de forma equivocada. Ele afirma que as Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) são empreendimentos de baixo impacto ambiental, podendo impedir o assoreamento dos rios da Planície.
 
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Pouquíssimas ações sustentáveis são identificadas de imediato por segmentos que defendem a preservação ambiental como um todo, principalmente quando a temática envolve novas matrizes energéticas.
 
As "Pequenas Centrais Hidrelétricas" (PCHs), que estão em processo de implantação, tanto em Mato Grosso, como em inúmeros outros estados brasileiros, e até em outros países, são opções para quem procura diversificar matrizes energéticas, utilizando fontes alternativas, buscando sempre menores impactos ambientais e menor custo.
 


Para o professor Rubem Mauro, que por 36 anos atuou como professor da UFMT, sendo inclusive um dos criadores do Curso de Engenharia Sanitária e Ambiental, coordenador e chefe do Departamento da ESA por vários mandatos, tendo atuado ainda nas áreas de Saneamento e Meio Ambiente com ênfase na Dinâmica Hídrica Pantaneira, existe muita falta de conhecimento técnico ambiental por membros de organizações que afirmam prejuízos ambientais com as instalações de PCH´s.
 
"Não posso aceitar imposições teóricas, sem que apresentem comprovações técnicas, da mesma forma que não posso falar com propriedade de projetos implantados ou em implantação de PCHs, dos quais não analisei, porem, conheço com profunda propriedade implantações de alguns empreendimentos no Planalto mato-grossense. Como o nome já diz PCHs, “ Pequenas Centrais Hidroelétricas” são de baixo impacto ambiental, pois são a fio d´água, com ou sem reservatórios. Não podem ser monitoradas pelo Sistema Nacional de Energia, disponibilizando a vazão natural, ou seja, a que entra no sistema deve ser a mesma que será devolvida a ele”, diz o especialista.
 
“O ideal é que não interfiram na migração dos peixes para a sua reprodução. Para tanto, no Planalto da Bacia Pantaneira, os Rios em que no leito natural há quedas d'água que impedem a subida para o processo de reprodução é o ideal. Este modelo não interfere no regime hídrico dos rios, e por definição, todas as Hidroelétricas são não consuntivas, ou seja, não consomem água, usa-as para produzir a energia que tanto precisamos e a devolvem aos leitos naturais após alguns minutos, sem alteração de quantidade e qualidade", explica o professor.
 
Ainda na avaliação de Rubem Mauro é preciso explicar à sociedade, diferentemente do que dizem os falsos ambientalistas que essas PCHs estão sendo implantadas no Planalto, e não na Planície Pantaneira, onde seria impossível, uma vez que nesse ambiente apesar de existir água, não há desnível, elemento indispensável para a geração de energia.
 
"Os peixes não escalam cachoeiras e nem praticam maratona, a distância média que percorrem para o desenvolvimento do aparelho reprodutivo, ficam em média em 60Km. Uma das PCHs mais contestadas,  em implantação no Rio Mutum,  está a mais de 80km da Baia de Sai Mariana", explica.
 
A afirmação de que uma PCH pode ajudar o Pantanal e não destruí-lo, parte do pressuposto de que os pequenos reservatórios destes empreendimentos podem reduzir o assoreamento dos rios. "Sendo assim funciona como caixa de areia, impedindo que o transporte de sedimento causado pelas atividades agropecuárias, chegue à Planície Pantaneira", sintetiza.
 
Alto Custo energético
 
Ainda neste contexto é importante ressaltar que os brasileiros vivem um dilema anual de aumentos expressivos no custo da energia devido à necessidade de acionamento das termelétricas para suprir a demanda ocasionada pelas baixas de volume de águas nos grandes reservatórios.
 
"Especialistas afirmam que se fosse possível construir inúmeras PCHs, e que juntas pudessem produzir a mesma energia que uma ITAIPU, estas seriam mais baratas, menos impactantes ao meio ambiente e equilibrariam mais o sistema de distribuição, assim como trariam mais benefícios econômicos e financeiros aos Municípios onde estão instaladas. O mundo todo gostaria de ter a disponibilidade hidroelétrica que temos para produzir energia limpa, o que nos leva a crer que avaliações negativas de Organização Não Governamentais, traz no seu posicionamento algo não confessável", analisa.
 
Uma Pequena Central Hidrelétrica (PCH) é toda usina hidrelétrica de pequeno porte cuja capacidade instalada seja superior a 5 MW e inferior a 30 MW. Além disso, a área do reservatório deve ser inferior a 300 hectares (3 km²), apresentando menores impactos ambientais. Ou seja, com estas características ao contrário de uma usina hidrelétrica de grande porte, as PCHs não necessitam de grandes reservatórios para armazenagem de volumes de água.

11 comentários

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  • professor universitário
    19 Mai 2018 às 09:15

    A SEMA tinha que ser mais rigorosa na análise técnica dos impactos ambientais causados no meio ambiente na construção dessas usinas hidrelétricas, estão destruindo o meio ambiente com a anuência e a passividade do órgão ambiental, é só verificar a degradação causada por diversas obras no estado de mato grosso. fico desconfiado das intenções de certos colegas que defendem certos interesses em detrimento da sustentabilidade ambiental. é, no mínimo, estranho!!!!!!!!

  • especialista em estudos de impacto ambiental
    19 Mai 2018 às 09:12

    nem tudo a ciência pode explicar os impactos ambientais causados ao meio biótico, alguns são decifráveis depois de anos de instalação de uma obra, através da mudança de comportamento da fauna e de danos irreversíveis ao meio fisico a jusante, danos considerados irreversíveis. imagine isso tudo acontecendo num ambiente tão frágil como o pantanal matogrossense? baseamos nossa análise técnica em estudos, em técnica, em ciência pura, e não na visão apaixonada de um ambientalista como apregoa o professor. esse professor não é aquele que anos atrás defendeu a construção de barragens no pantanal? então tá explicado a sua euforia em defender grandes projetos de infraestrutura no pantanal. não podemos aceitar que interesses empresariais e/ou econômicos ditem a regra no bioma pantanal. imagine o que esse cidadão pode estar "ensinando" aos seus alunos, lamentável.

  • ALUNO DA ENGENHARIA AMBIENTAL
    19 Mai 2018 às 09:04

    Vetado por conter expressões ofensivas e/ou impróprias, denúncias sem provas e/ou de cunho pessoal ou por atingir a imagem de terceiros. Queira por favor refazer seu comentário e reenviá-lo.

  • consultor técnico
    19 Mai 2018 às 09:00

    os efeitos sinérgicos negativos da instalação das tais PCHs no estado de mato grosso é flagrante e impossível de não se constatar em campo. digo isso como consultor técnico especialista nesta área, com diversos estudos já elaborados. infelizmente tem técnicos que defendem essa matriz energética porque não realizam os necessários estudos de impacto ambiental causado ao longo do tempo e o efeito da construção de várias dessas usinas num mesmo recurso hídrico. fonte realmente sustentável é a energia solar (atualmente gerando mais de 1 giga de potência instalada) ou mesmo a eólica (gerando mais de 10 gigas), essas sim são sustentáveis e sem gerar externalidades negativas ao ambiente natural. infelizmente tem professores que deveriam voltar para o banco escolar e estudar sobre principios de sustentabilidade sócio-econômica-ambiental. as vezes, temos que deixar o interesse financeiro de lado, e analisar técnicamente os fatores de riscos ao meio ambiente, e quanto a matriz energética, mesmo como consultor técnico tenho que reconhecer os malefícios causados ao meio ambiente pelas PCHs, ainda mais num ambiente tão sensível e frágil como é o pantanal matogrossense. é preciso rever isso com urgência antes que se esgote a capacidade de resiliência de nossos biomas.

  • Jana
    19 Mai 2018 às 08:31

    Vetado por conter expressões ofensivas e/ou impróprias, denúncias sem provas e/ou de cunho pessoal ou por atingir a imagem de terceiros. Queira por favor refazer seu comentário e reenviá-lo.

  • Vandecolão
    18 Mai 2018 às 12:00

    Rubem Mauro foi muito feliz no seu comentário e mostra conhecimento sobre a realidade das PCHs no Brasil. O Estado Mato Grosso precisa de pessoas competentes que ajudem no desenvolvimento da matriz energética nas regiões pontencializadas. Os investidores nesse seguimento, sofrem com as barreiras impostas por órgãos do próprio governo, que muitas vezes e sem nenhum conhecimento técnico, dificultam a implantação de projetos no Estado causando prejuizos irreversíveis à população.

  • Jorge
    18 Mai 2018 às 11:13

    Ouvir só um lado é jornalismo fraco. Precisa ouvir outros lados, outros especialistas. Tem especialista que diz que a terra é plano e que o efeito estufa não existe. As PCHs tem causado uma crise ambiental, acabando com muitos rios de Mato Grosso. Agora querem acabar com o Pantanal.

  • Daniele
    18 Mai 2018 às 10:54

    O cara é Mestre em AMBIENTE e Desenvolvimento Regional, foi um dos criadores do curso de Engenharia Sanitária e AMBIENTAL, é pesquisador, mas, pelo visto, não aprendeu NADA sobre SUSTENTABILIDADE, efetivamente.

  • claudomiro
    18 Mai 2018 às 10:47

    Opinião tendenciosa deste especialista, só quem mora em rios que foram construídas PCHs, sabe das consequências negativas que elas causa. O rio Jauru é um exemplo disso, os problemas só evoluem.

  • Orácio Nobre
    18 Mai 2018 às 10:07

    Que pertinente professor, é bem impossível te acreditar.

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