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Sábado, 15 de junho de 2019

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Visando redução em custo do frete, gigantes do agro em MT adquirem frota própria

Rodrigo Vargas - Folha de São Paulo

31 Dez 2018 - 11:22

Foto: Pedro Ladeira

Visando redução em custo do frete, gigantes do agro em MT adquirem frota própria
As incertezas em relação ao tabelamento do frete rodoviário já começam a levar empresas do agronegócio do Brasil a adotar um plano B para o escoamento da safra de soja em 2019. A mato-grossense Amaggi, pertencente à família do ministro da Agricultura, Blairo Maggi, fechou a compra de uma frota de 300 caminhões. A entrega dos veículos está prevista para janeiro.

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"A aquisição destes veículos atende a uma necessidade estratégica na estrutura logística", disse o presidente executivo da empresa, Judiney Carvalho.

A Cargill, multinacional de origem americana, confirmou que fez a cotação de 1.000 unidades, mas condicionou a concretização da medida a um posicionamento definitivo do Supremo Tribunal Federal (STF) quanto à inconstitucionalidade da tabela. "Se isto não ocorrer ou se esta decisão alongar-se de forma a dificultar nossas operações no país, estamos preparados para adotar uma alocação de frota própria", afirmou a empresa, em nota.

A Bunge, outra gigante do segmento, disse confiar que o tabelamento será derrubado "o mais rápido possível", mas confirmou que avalia "diversas possibilidades em relação ao frete de seus produtos". "A companhia se manifestará apenas após a decisão judicial e afirma que continuará pautando sua conduta pelo respeito às leis e decisões da Justiça".

Segundo a ADM, a situação provoca um "aumento acentuado" no custo do transporte e "pressiona as margens de comercialização de grãos, que já estão bastante deprimidas". "A ADM espera que o governo encontre uma solução e está avaliando, assim como outras empresas, a adoção de frota própria".

A cooperativa paranaense Coamo, uma das maiores do país, confirmou a compra de 500 caminhões em 2018. O investimento, segundo a assessoria de imprensa, já estava previsto no planos de renovação da frota atual, mas a ideia é que, se for necessário, os veículos antigos continuem a ser utilizados.

"A tendência entre as cooperativas, se mantido esse tabelamento, é a aquisição de frotas próprias. O único impedimento até agora tem sido a capacidade de produção das montadoras, que para 2019 já chegou ao limite", comentou Nelson Costa, superintendente da Ocepar, cooperativa que responde por cerca de 60% da produção agrícola do Paraná.

Maior empresa do setor de carnes no mundo, a JBS comprou, ainda em agosto, 360 caminhões para sua frota. 

"A decisão está amparada na estratégia de uma operação sustentável, que garanta a produção e oferta de produtos, reduzindo os impactos de custo causados pela aplicação do tabelamento do frete rodoviário", afirmou a empresa à ocasião, em nota.

O tabelamento de fretes foi resultado de uma longa negociação envolvendo representantes do governo e lideranças dos caminhoneiros. 

O aceno à implantação da medida ajudou a encerrar o protesto contra os custos do óleo diesel que, em maio passado, interrompeu por dez dias o tráfego nas principais rodovias do país. 

Na ocasião, a Cargill disse, em nota, que os setores de processamento e exportação de produtos agrícolas seriam forçados a "mudar seu modelo de atuação". Em vez de comprar os grãos com retirada nas fazendas ou nos armazéns no interior, diz a nota, "serão forçadas a comprar somente com entrega nas fábricas e nos portos".

O cenário se manteve ao longo de todo o segundo semestre, quando ocorreu o plantio da safra de soja que começa a ser colhida a partir de janeiro.

Com a insegurança em relação aos custos, o mercado futuro entrou em dezembro com pouco mais de 30% de vendas antecipadas da oleaginosa no país - redução de 14 pontos percentuais em relação à média histórica para o período, segundo a consultoria Safras & Mercado.

Para o diretor-executivo do Movimento Pró-Logística de Mato Grosso, Edeon Vaz Ferreira, a alternativa encontrada pelas trades não busca substituir por completo a frota terceirizada. O objetivo das grandes exportadoras, segundo ele, é dispor de uma estrutura para "amortecer as crises". 

"O foco dessas companhias não é o transporte. Vejo essas frotas próprias como um sistema de emergência, a ser empregado para garantir a fluidez do escoamento", afirmou Vaz, que é consultor em logística de entidades como a Aprosoja e a AMPA.

Ele criticou a atuação do ministro Luiz Fux, que recentemente determinou a suspensão da cobrança de multa às empresas que descumprirem o tabelamento. "Desde o princípio ele [Fux] busca uma solução negociada, o que é inviável. O preço do frete é uma expressão do livre mercado. O tabelamento é uma invencionice que tem de ser simplesmente derrubada."

Gilson Baitaca, líder do Movimento dos Transportadores de Grãos de Mato Grosso, disse não acreditar que a adoção de frotas próprias se torne um padrão entre as grandes exportadoras. "Quem se aventurar neste rumo pode até quebrar a cara, em razão dois custos operacionais e trabalhistas. Se fosse viável, já teriam feito isso há muito tempo", avaliou.

Segundo ele, o diálogo é a única forma de resolver a crise. "As empresas nunca quiseram conversa. Não estamos querendo inviabilizar o negócio de ninguém, apenas assegurar um valor que viabilize o nosso".

26 comentários

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  • Carlos
    01 Fev 2019 às 17:34

    Tudo adquirido com recurso do FCO, portanto subsidiado com o suor dos impostos do povo brasileiro. Quem pode, pode, o resto......

  • AVANÇA LOGO MT
    07 Jan 2019 às 08:30

    TER UMA FROTA DESSA NÃO É FÁCIL MUITOS MOTORISTAS NÃO GOSTAM DE SAIR SEXTA FEIRA ,PEGAM FRETES POR FORA EXTRAS E RODAM ALÉM DA OTA DAÍ A CONTA VEM PARA O PATRÃO !!! !

  • NOE MONTEIRO DE BARROS
    05 Jan 2019 às 16:19

    Observando o seguimento de caminhoneiros, percebe-se que este setor não terá vida fácil, além dos gigantes do agronegócio investirem na aquisição de frota própria, vem mais a união investindo em hidrovias e ferrovias, ampliando a logística de transportes. Esse projeto é, a ideia de buscar alternativas para tornar nossos produtos mais competitivos, é essa, investir na logística de transportes, segurando também o preso do diesel, ao patamar mínimo o mais baixo possível.

  • AVANÇA LOGO MT
    02 Jan 2019 às 11:14

    TABELAR FRETE SÓ NO BRASIL , ADQUIRIR FROTA COM DINHEIRO PÚBLICO É FÁCIL ,ESSE TIPO DE COISA NÃO DA NEM PARA ACREDITAR QUE AINDA ACONTECE INSEGURANÇA PARA QUEM PRODUZ !!!!!

  • Carlos
    01 Jan 2019 às 17:29

    Ninguém lembra que quem compra a renovação de frotas de grandes empresas, são os autônomos e os pequenos. Quebrando os autônomos, vão vender pra quem esses caminhões????? Computem o caminhão usado apodrecendo como custo também...não se esqueçam...kkkkk

  • Regis
    01 Jan 2019 às 13:28

    Aposto que pra esses babáca o governo libera financiamento pra compra 300 caminhoes aí nos autônomos nao temos nem um incentivo isso é ridículo mas comprar caminhao e fácil qero vê te motoristas honestos qe vai trabalhar pra esses lixos

  • Roberto
    01 Jan 2019 às 11:32

    Esses ministro não estão preocupado com A safra não eles estão preocupado em lavagem de dinheiro com seus capitais adquiridos assim não tão nem aí se o frete é baixo ou não o ganho deles sao mais do que o gasto q terão com sua frota

  • Sebastião
    01 Jan 2019 às 10:13

    muito bom agora vao ver o quanto fica pra manutenção e ter funcionários por conta! nos áltonomos que trabalhamos nos mesmo nos nossos caminhoes já é difícil imagina

  • Alano Vieira
    01 Jan 2019 às 08:24

    Vão fabricar motorista também?

  • Silvio Samu
    01 Jan 2019 às 08:07

    Isso está complicado mas acho que uma política voltada para o valor do óleo diesel resolveria alguma o custo com combustível fica pesado no bolso do freteiro claro que o valor do frete tbm tem que ser acertado e acabar com esse impasse

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