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Segunda-feira, 18 de novembro de 2019

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Presidente da Aprosoja não teme perda de mercado chinês e defende que Brasil retome soberania

Da Redação - Érika Oliveira

24 Mar 2019 - 08:00

Foto: Rogério Florentino/Olhar Direto

Presidente da Aprosoja não teme perda de mercado chinês e defende que Brasil retome soberania
A perspectiva do fim da guerra comercial entre Estados Unidos e China tem tirado o sono de produtores agrícolas brasileiros. China, desde que abriu sua economia para o mercado externo, é o principal comprador de produtos agropecuários brasileiros, ao passo que Estados Unidos o nosso principal concorrente. De olho em cada passo e negociação, a Aprosoja Mato Grosso garante que, apesar dos riscos, a costura de novos acordos é necessária para resgatar a “soberania” econômica do país. Para o presidente da entidade, Antonio Galvan, “medidas amargas” devem ser tomadas, ainda que o agronegócio assuma esta conta.

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“A população, de modo geral, todo mundo só fala uma coisa: que tem que mudar. Essa não é a palavra na boca de 100% dos brasileiros? Tem que mudar o que? Quando se propõe a mudar um sistema aí todo mundo começa a gritar o contrario. Quando se faz qualquer tipo de mudança alguém é atingido, não adianta. Todo mundo quer que mude, mas não quer que mude para si, sempre são os outros quem estão errados. O ser humano não consegue enxergar o próprio rastro. É algo [as negociações] que pode nos trazer um problema serio, ao nosso setor, não tenho duvida nenhuma. Mas para que as mudanças possam acontecer alguém tem que pagar essa conta”, criticou Antonio Galvan, em entrevista exclusiva ao Olhar Direto.

Na última semana, o comércio com a China entrou na pauta do encontro entre o presidente Jair Bolsonaro (PSL) e Donald Trump. Para analistas, ainda é cedo para avaliar os impactos das medidas anunciadas entre os dois países, mas alguns pontos podem ser destacados para entender de que forma as negociações entre Brasil e Estados Unidos podem afetar nossas relações comerciais com os chineses.

Cabe lembrar que ao longo dos últimos anos os Estados Unidos diminuíram consideravelmente a importação de produtos brasileiros, principalmente os mato-grossenses. Desde 2017, por exemplo, o país deixou de comprar carne in natura brasileira. O tema também foi abordado entre Bolsonaro e Trump, que se comprometeu a enviar para o Brasil uma equipe para verificar as condições sanitárias da produção frigorífica brasileira. Não há, no entanto, garantias reais de que os EUA retomem este mercado.

Enquanto isso, China e Estados Unidos dão passos largos rumo a uma reconciliação. A expectativa é que lideranças dos dois países se reúnam em breve para discutir as tarifas impostas a importações por ambos.

Paralelo a isto, o Governo brasileiro tem sido um crítico frequente das relações comerciais mantidas pela China, o que tem causado preocupação no mercado interno. Durante sua ida aos Estados Unidos, nesta semana, o presidente Bolsonaro voltou a apontar um suposto viés ideológico nessas relações, mas garantiu que o Brasil vai continuar “fazendo negócio com o maior número de países possíveis”.

O receio é de que uma guerra comercial similar à que foi iniciada pelos Estados Unidos, que provocou um déficit de quase R$ 3,4 trilhões aos americanos, se repita no Brasil. Galvan admitiu a possibilidade, mas defendeu que o país precisa “de um reconhecimento diferenciado lá fora”.

“A China precisa dessa produção, eles não vão se dar ao luxo, porque quem tem esse produto hoje no mundo, os três maiores são EUA, Brasil e Argentina. Pode ter algum atritozinho, mas a ponto de não comprar mais nada, acho que não existe. Aquela barreira que os EUA criou foi justamente para colocar a casa em dia, coisa que os governos anteriores estragaram. Isso é soberania econômica. O que o Trump está fazendo eu também acho que está correto. É problemático, claro, o produtor rural de lá levou um prejuízo enorme, mas para mostrar soberania, para te respeitarem como país, às vezes tem que se implementar medidas amargas. A gente não gostaria de pagar essa conta não, mas eu torço mais pela soberania brasileira”, pontuou.

14 comentários

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  • JUCABALA
    26 Mar 2019 às 10:02

    Lógico que não teme, pois qualquer prejuízo que tenham certamente vão se beneficiar com mais um longo e interminável REFIS para fingir que pagam impostos.... Esse povo sempre chora as pitangas. Se estão bem choram as pitangas. Se estão maus choram mais ainda.

  • jose
    26 Mar 2019 às 07:39

    Quero ver a "competência" do agronegócio se o governo cortar os subsídios.

  • Só na observação
    25 Mar 2019 às 18:16

    Esse senhor lidera um importante setor da economia no estado, mas pelo visto não enxerga um dedo adiante do nariz. Aff, dizer que tem esperança numa politica comercial camarada por parte do império de cima é estar comparando um lindo sonho com a morte. Ele tem que ver o que os países sul americanos que estão na OMC/ OCDE há décadas por imposição dos ianques, estão "ganhando" . Meu Deus, que nível raso de conhecimento!

  • juca
    25 Mar 2019 às 17:27

    Agrootários, votaram no Bolsonaro...

  • Paulo R. Sabão
    25 Mar 2019 às 13:26

    Santa engenuidade,pensar que EUA e China iriam ficar em guerra comercial, a vida toda. Quem não aproveitou!! não aproveira mais!! É bom procurar novos mercados.

  • Alan
    24 Mar 2019 às 19:45

    Os Brasil só vive de ciclos (ciclos da Cana de açúcar, ciclos do café etc...) Se tivesse industrializado essa matéria prima na década de 90 exportado talvez não estivéssemos tão preocupados. Cadê Biodiesel? Farinhas de soja, e laticinios com a base da soja. Sem falar no óleo para culinária. E isso o país e lento e imcapaz de pensar grande e só fica querendo subsídios

  • Bruno
    24 Mar 2019 às 18:14

    O líder dos produtores de soja sabe que Bolsonaro fará uma política de comércio que os prejudicará sem necessidade. E, finge que será pro bem do país, sem nomear estas melhorias e como se relacionam com a exportacao do que produzimos no MT. Ele sabe que o Jair erra ao agredir gratuitmente os chineses ou em não buscar que a China não pare de comprar bilhões de dólares em soja de nós, só pra agradar os EUA. Quem aposta que se o Haddad ou Ciro tivessem sido eleito o Galvan seria crítico?? Que galvan e inúmeros colegas são tão bons e serenos por terem votado no Bolsonaro?!

  • Luciana
    24 Mar 2019 às 13:12

    Como um homem com essa cabeça política atrasada pode ser líder do setor agropecuário,nós não temos nada que envolver com a questão política e ideológica da China com os Estados Unidos,briga de cachorro grande,nós temos que vender nossos produtos pra China e outros mercados e ficar na nossa,quietinhos,sem comprar briga de ninguém...

  • Valdiney mendes
    24 Mar 2019 às 09:50

    Este presidente vai deixar o Brasil sucateados. E submisso a USA

  • Ângelo
    24 Mar 2019 às 09:22

    Seria muito pedagógico ver toda essa turma do agronegócio quebrar nesse governo lesa-pátria do bolsonazzi. Quando Paulo Guedes mandar cortar drasticamente as fontes de financiamento desses "grandes empreendedores e bem sucedidos homens de negócios" que dependem do Estado até para as coisas mais simples haverá choro e ranger de dentes. Será divertido ...

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