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Quinta-feira, 17 de outubro de 2019

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Em reunião na Sinfra, indígenas garantem preços e horários fixos em balsa no Xingu

Da Redação - Isabela Mercuri

04 Jun 2019 - 09:15

Foto: Secom /MT

Em reunião na Sinfra, indígenas garantem preços e horários fixos em balsa no Xingu
Uma das lideranças Kayapó, o cacique Megaron participou de um diálogo com representantes da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra) e cerca de 20 outras lideranças indígenas na última segunda-feira (3), e garantiu que a partir da próxima semana os índios darão início a uma revitalização mínima da balsa localizada sobre o rio Xingu, no município de São José do Xingu, a 951 km de Cuiabá. Ele garantiu, também, que serão fixados os preços e horários. Megaron ressaltou que os índios têm sim a preocupação de que a embarcação esteja sempre funcionando.

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O coordenador regional da Funai em Colíder – com extensão a toda região norte de Mato Grosso - Patxon Metuktire, acrescentou que o Ministério Público Federal e a Marinha deram um prazo de 60 dias para que os indígenas realizem as modificações necessárias na operação da balsa. O encontro contou com a presença do cacique Raoni Metuktire, líder maior dos Kayapó no país.

De acordo com representantes da prefeitura de São José do Xingu, os índios atualmente cobram na balsa entre R$ 90 a R$ 100 para os carros pequenos e de R$ 400 a R$ 700 no caso de carretas. A embarcação tem capacidade para carregar até três bitrens. Hoje, a MT-322, onde está localizada a balsa, é rota de escoamento de grãos e transporte de gado.

Segundo a assessoria da Sinfra, alguns usuários da balsa denunciam cobrança abusiva de pedágio por parte dos indígenas e inconstâncias nos horários de operação do modal, além da falta de segurança. Diante disso, o Governo do Estado, via Sinfra, decidiu chamar os índios para o diálogo, atendendo ainda a uma solicitação do Ministério Público Federal (MPF) e da Marinha para que o Estado e a Funai intercedessem no sentido de resolver o problema.

A embarcação que os índios administram está localizada a 42 quilômetros de São José do Xingú em uma reserva dentro do Parque Nacional do Xingu, no prolongamento da MT-322, de responsabilidade do governo estadual.

Segundo o secretário adjunto de Concessões e Logística da Sinfra, Huggo Waterson, os indígenas precisam realizar adequações e melhorias na estrutura da balsa e normatizar o seu funcionamento, principalmente no intuito de garantir a segurança do usuário. “O que queremos é que a balsa opere dentro das normas de segurança, que haja boias, coletes salva-vidas para os usuários, como determina a Marinha, com preços e horários fixados”, explicou.

Durante a reunião, o secretário adjunto esclareceu aos indígenas que a responsabilidade pelo funcionamento da embarcação é deles, e que o Estado não tem objeções quanto à questão, porém parte da arrecadação terá que ser investida em segurança.

“O objetivo desse encontro é ouvi-los e dizer no que estamos sendo cobrados (MPF e pela Marinha), no entanto ninguém vai colocar obstáculo para resolução. O secretário da Sinfra (Marcelo de Oliveira) tem um grande respeito pela questão indígena e está pronto a ajudar no quer for possível à secretaria”, disse o adjunto às lideranças presentes. Ele lembrou, ainda, que o Estado está sob calamidade financeira e que nesse momento não pode garantir repasses para melhorias da estrutura.

Ainda em diálogo com os indígenas, o representante da Sinfra pontuou que somente após a regulamentação do serviço será possível a contratação de seguro, que é essencial nesse tipo de transporte para garantias ao usuário, bem como a manutenção do sistema em causa de sinistros.

Patxon Metuktire, que também é indígena da etnia Kayapó, explicou que atualmente a operação da balsa é coordenada por indígenas de até oito aldeias, cada uma delas impõem sua forma de trabalhar. “Eles têm uma governança própria e seus líderes, mas sabem que terão que se adequar, por isso eu trouxe hoje um representante de cada aldeia para que possam acompanhar o que está sendo conversado”, explicou.

Porém, o coordenador da Funai frisou que os índios mesmo estando nas suas terras sabem que estão prestando um serviço público, que são coordenadores da balsa e por isso aceitaram esse expediente junto ao governo do Estado. Estiveram presentes também na reunião o prefeito de São José do Xingu, Vanderlei Soares, e o assessor da Sinfra, Thiago França.

2 comentários

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  • Enoque
    04 Jun 2019 às 13:37

    A lição que não aprendemos com os colonizadores americanos é esta... ah se pudessemos voltar 500 anos...

  • Chico Bento
    04 Jun 2019 às 10:35

    Em que trecho do texto da Constituição Federal etá escrito que índio pode cobrar pedágios e travessias? Principalmente valores absurdos e abusivos como estes?

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