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Terça-feira, 16 de agosto de 2022

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DE QUEM É A CULPA?

Com preço nas alturas, especialista explica que valor pago na carne depende principalmente do varejo

10 Mai 2022 - 11:00

Da Redação - Airton Marques e Fabiana Mendes

Foto: Olhar Direto

Com preço nas alturas, especialista explica que valor pago na carne depende principalmente do varejo
Os amantes do churrasco ou aqueles que não descartam um bom corte de carne vermelha no prato têm enfrentado dificuldades para manter a tradição, já que o preço encontrado em mercados e açougues só aumenta. Segundo dados da Fundação Getúlio Vargas, divulgados pelo O Globo, em média, o preço das carnes subiu 11,8% nos últimos 12 meses. Mas, de acordo com especialistas da área, engana-se quem acha que a culpa pela inflação desta mercadoria é culpa exclusiva do produtor.

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Segundo Cleiton Gauer, Superintendente no Instituto Mato-Grossense de Economia (Imea-MT), diversos fatores, principalmente o varejo, entram na formação de preço do boi gordo, que resulta no preço final da carne. Nessa cadeia, o produtor é apenas um tomador de preços, já que em condições normais, os preços são formados a partir da associação entre o ferta e demanda.

Na prática, quanto menor a oferta de um produto e maior a demanda, o preço tende a subir, pois falta produto no mercado.

"O produtor é um tomador de preço e o mercado define o quanto ele vai receber e o quanto ele vai colocar na gôndola. Olhando para o lado do produtor, a gente olha especificamente para os incentivos da atividade. Se existe um momento em que desestimula a atividade é um preço menor, acaba diminuindo a oferta de produto, o preço aumenta e o produtor precisa retomar a atividade, recupera e a gente tem o equilíbrio de oferta e demanda, que é o que acaba comandando o mercado e definindo os preços para o produtor, que está na ponta inicial da cadeia", explicou.

A demanda por qualquer produto é influenciada por diversos fatores, internos e externos. Entre eles estão os preços do produto, a renda e potencial de compra dos consumidores, a presença de produtos substituto, a preferência dos compradores, entre outros.

Apesar de tal dinâmica, em muitos momentos os frigoríficos (responsáveis pela compra do gado e repasse para o varejo) apontaram que apesar da redução do preço da carne no atacado, muitos açougues e mercados não repassariam novo valor ao consumidor.

Em outubro do ano passado, por exemplo, em meio ao embargo da China, houve quedas de 15% a 20% na arroba do boi e na carne da indústria para o atacado, mas no balcão não teve nenhuma queda.

Atual cenário

Sobre o atual cenário, Gauer ressalta que o preço alto é resultado de uma conjuntura global, envolvendo não só a pandemia, mas também a guerra da Rússia com a Ucrânia. "Há uma inflação generalizada de todos os produtos, desde a cadeia logística, produção e na ponta final. Reflexos da pandemia, do desestimulos, reestruturação". 

"Todo mundo está fazendo contas. Desde o consumidor, poupando, até o produtor, que teve o incremento de toda a cadeia de insumos, seja fertilizantes e a própria cadeia de recria e engorda. Então, os produtores buscam alternativas para tentar reduzir esse custo e manter a lucratividade", pontuou.

Por falar em custo de produção, dados recentes do Imea mostram que o custo total para produzir uma arroba, no primeiro trimestre de 2022, foi de R$ 280,27. Alta de 12,5% no comparativo com o 4º trimestre de 2021.

O maior impacto é o custeio da atividade, que envolve vacinas, medicamentos insumos, suplementação, custos com pastagem, compra de animais e mão-de-obra.

Ainda segundo o Imea, em abril, o preço da arroba reduziu 4,44% para os machos e 3,61% para as fêmeas, em relação aos valores do mês passado, ficando em R$ 293,61 e R$ 282,84, respectivamente.
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