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Segunda-feira, 13 de abril de 2026

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PRESSÃO NOS PRODUTORES

Falta de armazenagem limita renda e amplia custos no campo em Mato Grosso

Falta de armazenagem limita renda e amplia custos no campo em Mato Grosso
O avanço contínuo da produção agrícola em Mato Grosso consolidou o estado como líder nacional na produção de grãos. No entanto, a expansão das lavouras não foi acompanhada por investimentos proporcionais em infraestrutura de armazenagem, criando um descompasso estrutural que impacta diretamente a rentabilidade, a logística e a segurança alimentar.


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Atualmente, cerca de 50% da produção estadual consegue ser armazenada. O restante precisa ser escoado rapidamente durante a safra, período em que a oferta elevada pressiona os preços. Para a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso, esse cenário mantém produtores dependentes do calendário da colheita e das condições impostas pelo mercado.

Segundo o presidente da entidade, Lucas Costa Beber, o déficit vem se agravando nos últimos anos. Além da limitação física de silos e armazéns, os juros elevados têm restringido o acesso ao crédito, dificultando a construção de novas estruturas. A necessidade de venda imediata, diante da falta de espaço para estocagem, reduz o poder de negociação e afeta diretamente a renda no campo.

O vice-presidente da Aprosoja MT, Luiz Pedro Bier, destaca que o problema é generalizado, mas se intensifica nas regiões de expansão mais recente, como o Vale do Araguaia, onde a infraestrutura não acompanhou o ritmo da produção. Ele aponta ainda a recorrente insuficiência de recursos em linhas de financiamento como o FCO Armazenagem e o PCA, voltadas à construção de silos.

Sem capacidade própria de armazenagem, o produtor perde autonomia sobre o momento de comercialização e, frequentemente, é obrigado a vender durante a colheita — quando os preços tendem a estar mais baixos. A dependência de armazéns terceirizados e tradings amplia custos e reduz margens.

Outro entrave é a qualidade da energia elétrica. Em diversos municípios, o fornecimento é considerado instável ou insuficiente para ampliação das estruturas. Muitos armazéns operam com geradores movidos a diesel, elevando o custo operacional e comprometendo a viabilidade econômica do investimento.

Na prática, os reflexos aparecem na qualidade do produto e na margem de lucro. Produtores relatam dificuldades para separar grãos por padrão de qualidade e para administrar níveis de umidade em períodos chuvosos. Sem estrutura própria, a colheita precisa seguir parâmetros rígidos para evitar descontos aplicados por compradores, o que limita a flexibilidade operacional e pode gerar perdas adicionais.

Embora existam linhas de crédito específicas para armazenagem, o setor produtivo avalia que os recursos são insuficientes frente à demanda, além de apresentarem condições financeiras pouco atrativas e exigências de garantias que restringem o acesso.

Para a Aprosoja MT, ampliar a capacidade estática de armazenagem é uma medida estratégica para fortalecer o agronegócio estadual. A entidade defende políticas públicas e instrumentos financeiros que incentivem investimentos nas propriedades, argumentando que armazenar a própria safra é fundamental para preservar renda, reduzir perdas e melhorar a eficiência logística.

Sem a superação desse gargalo, parte significativa da produção continuará sendo comercializada sob pressão de tempo e custo — um cenário que compromete não apenas o produtor, mas toda a cadeia de transporte e abastecimento em um estado que lidera a produção nacional de grãos.
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