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Seca nos Estados Unidos pode deixar comida mais cara

Globo Rural

27 Ago 2012 - 17:55

Foto: Reprodução

Seca nos Estados Unidos pode deixar comida mais cara
Secou o solo do Tio Sam e está chovendo negócios na agricultura brasileira. A estiagem severa na América já fez aumentar em quase 600% as exportações de milho do Brasil e, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda), vamos produzir na safra 2012/2013 pelo menos cinco milhões de toneladas de soja a mais que eles.

A última estimativa divulgada pelos americanos é de uma safra de 73,2 milhões de toneladas de soja, a menor em 24 anos, e 273 milhões de toneladas de milho, 13% a menos que a safra anterior. No Brasil, a colheita da soja poderá atingir 83,7 milhões de toneladas, de acordo com as principais consultorias de economia agrícola, ou 78 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Assim como o atual sucesso do milho brasileiro no mercado internacional (principalmente os mercados chinês e árabe), que tende a aumentar neste segundo semestre, as vendas da nossa soja no mercado futuro seguirão a mesma tendência. E o plantio pode expandir 10%. “Em curto prazo é bom para o Brasil, vamos vender grãos com preços altos, mas podemos nos preparar para uma alta na inflação, no preço dos alimentos”, explica o matemático Edgar Beauclair, professor da Escola Superior Luiz de Queiroz (Esalq/Usp). “Com a quebra da safra americana, os preços dos grãos [soja, milho e trigo] disparam no mercado internacional. Estas commodities são base para indústria de alimentos, das carnes bovina, suína e de frango ao pão. Os grãos serão os vilões da inflação nos próximos anos”, afirma.

Segundo o matemático, a cada 10% de alta nos preços das commodities, definidas na Bolsa de Chicago, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), índice que mede a inflação brasileira, sobe 0,8 pontos percentuais. “Nos sete primeiros meses deste ano, o preço internacional da soja subiu 35%”, explica.

A tese já começou a ser sentida na prática no Brasil. A BRF Brasil Foods, dona das marcas Perdigão e Sadia, anunciou no início da segunda quinzena de agosto, reajustes de 5% a 10% em seus produtos derivados de frangos e suínos para compensar os custos de produção. Em 2011, o reajuste foi de 3%. Em Palhoça (SC), criadores de frangos descartaram ovos e pintinhos vivos em valas por não conseguirem comprar ração e, no último dia 23 de agosto, em Campinas (SP), um produtor de frangos distribuiu 20 mil pintinhos no centro da cidade pelo mesmo motivo. Dos itens da cesta básica, o tomate subiu 437,1%, a carne bovina, 4,1%, o feijão 9,7% e a farinha de trigo, 5,1%.

Outra conseqüência da seca nos Estados Unidos provavelmente será refletida no preço dos insumos agrícolas nos próximos meses, alertou o presidente da Câmara Setorial de Insumos Agropecuários, Luiz Antonio Pinazza.

Segundo ele, a estiagem na América está provocando especulações no mercado, criando uma espécie de bolha. “A demanda adicional por insumos cria um ambiente de euforia no campo. O mercado de insumos estima um crescimento de área plantada com soja de 2 a 3 milhões de hectares”, diz ele. Entre os itens que mais devem subir constam as sementes, já que os preços altos incentivarão o plantio em países que têm esta condição, e os fertilizantes, já responsáveis pelo alto custo de produção no Brasil.

O governo dos Estados Unidos enfrenta um dilema: ou desacelera o programa de etanol à base de milho ou comprometerá a oferta de proteínas animais. A FAO declarou que seria conveniente que o país suspendesse a produção do etanol para compensar a falta de grãos no mercado e assim, tentar segurar a inflação.

O brasileiro José Francisco Graziano da Silva, diretor do órgão, defendeu a tese no jornal britânico Financial Times, e afirmou que a ONU vai retomar com urgência a discussão sobre biocombustíveis, para evitar uma crise de alimentos. “Espero que o produtor rural brasileiro, argentino e paraguaio, beneficiados agora com esta alta de preços, aplique esta renda extra em investimentos agrícolas de longo prazo, ou a situação ficará muito complicada para todo o agronegócio”, diz. A última vez que uma seca foi tão severa e comprometeu a safra norte-americana foi em 1988.

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