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Quarta-feira, 14 de abril de 2021

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engorda ou abate

Indústria propõe taxa para venda de gado

Portal DBO

02 Mai 2013 - 06:30

A criação de uma taxa a ser cobrada sobre os animais que deixam o Rio Grande do Sul para engorda ou abate em outros estados ou países voltou a ser o foco da cadeia produtiva da pecuária de corte gaúcha. A proposta foi debatida na última semana entre representantes do setor e o secretário da Agricultura Luiz Fernando Mainardi.

Conforme dados da Secretaria da Agricultura (Seappa), as vendas interestaduais cresceram 297% nos últimos cinco anos e os embarques de gado em pé subiram 197%. O Rio Grande do Sul abate, anualmente, 1,8 milhões de bovinos, enquanto a capacidade dos frigoríficos do Estado é de 2,5 milhões de cabeças.

O presidente do Sindicato da Indústria da Carne e Derivados do Rio Grande do Sul (Sicadergs), Ronei Lauxen, explica que a proposta é que o valor seja pago ao governo do Estado, para ressarcir investimentos em sanidade e que parte do recurso seja revertido para um fundo que está sendo criado para o setor, que deve ter contribuição da indústria e dos produtores e ser utilizado para promover melhorias na cadeia produtiva.

"Procuramos conscientizar o governo de que esta é uma atividade que agrega pouco valor e deixa de gerar empregos no Estado. Se este é um Estado que quer se modernizar, está na contramão."

Lauxen reconhece, porém, que esta seria uma solução de curto prazo para desestimular a saída de animais do Estado. Para eliminar o problema da ociosidade nas plantas, seria preciso ampliar a produtividade no campo.

O presidente da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), Carlos Sperotto, afirma que a medida representa uma reserva de mercado e classificou a taxação como “simplista”. “Acreditamos que este artifício não é solução definitiva. Precisamos de qualidade, que é o que os frigoríficos ( de fora) estão encontrando aqui e estão pagando mais por isso”, argumenta o dirigente.

Segundo ele, a indústria deveria trabalhar em uma proposta para buscar os animais que são abatidos informalmente, por exemplo, para solucionar a falta de bovinos para abate. “Não aceitaremos esta medida e defenderemos ferrenhamente a venda de animais, que é livre e legalizada”, completa.

O encontro reuniu representantes do Sicadergs, da Fetag, da FTIA-RS, da Fiergs, além da Associação Brasileira de Reciclagem Animal (Abra), da Associação das Indústrias de Curtume do RS (AICSul) e da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag) na última quinta-feira, 18, na Secretaria da Agricultura, em Porto Alegre, RS.

A Seappa ainda deve se reunir com a Farsul para debater o tema e, só então levará a questão para debate com as pastas da Fazenda e do Desenvolvimento e Promoção do Investimento e Assessoria Superior do Governador.

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