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Mão-de-obra é o principal entrave na agricultura de precisão em Mato Grosso

Da Redação - Viviane Petroli

24 Jun 2015 - 14:27

Foto: Assessoria Senar-MT

Mão-de-obra é o principal entrave na agricultura de precisão em Mato Grosso
A agricultura de precisão é utilizada por aproximadamente 42% dos produtores de Mato Grosso. Mesmo com a alta tecnologia das máquinas agrícolas, o estado ainda sofre com a falta de mão-de-obra capacitada no campo. Estudo revela que a mão-de-obra capacitada é o principal problema na agricultura de precisão em 88% das propriedades mato-grossenses.

O levantamento consta na “Pesquisa sobre mecanização agrícola em Mato Grosso”, desenvolvida pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), apresentado nesta quarta-feira (23) pelo Sistema Nacional do Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar-MT).

A pesquisa, realizada em 59 municípios com 318 produtores mato-grossenses, mostra que a média de área por propriedade é de 2.450 hectares, sendo na região Oeste com a maior média de 5.038 hectares/propriedade.

O estudo revela que em Mato Grosso um percentual de 42% das propriedades com utilização da agricultura de precisão. A maior concentração está no Oeste com 54%, no Sudeste com 52% e no Médio-Norte com 44%.

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Conforme o Imea, dentro do universo dos 42% das propriedades que usam a agricultura de precisão no estado 41% utilizam para mapa de fertilidade (georreferenciamento), 18% para mapa de colheita, 15% para mapas de pragas/doenças/plantas daninhas, 36% para aplicação por taxa variável e 36% para aplicação por zona de manejo.

“Todo o crescimento gera desafios e em Mato Grosso se tem o desafio com as máquinas, que estão cada vez mais modernas, e a mão-de-obra capacitada para operá-las. Esse é um estudo inédito e que nos dará alguns rumos e metas a seguir. Ele nos mostra o que ocorre no campo”, comentou o presidente do Sistema Famato/Senar-MT, Rui Prado, durante a apresentação do estudo.

Segundo Rui Prado, a preocupação do setor produtivo está na mão-de-obra. “Não basta apenas tecnologia nas máquinas. Precisamos de mão-de-obra capacitada. Temos em Mato Grosso a necessidade de capacitar, até 2020, um milhão de pessoas para o campo. Precisamos fazer um esforço concentrado de vários setores e entidades para melhorar o conhecimento das pessoas, o que para elas significa também em ganhos de renda”.

Hoje, o salário básico para quem opera máquina agrícola é de R$ 2,5 mil, podendo chegar a R$ 5 mil dependendo do tipo de máquina.

Revendas também tem problemas

Segundo o setor de revenda de máquinas agrícolas, o segmento também enfrenta dificuldades com mão-de-obra qualificada para o pós-vendas, ou seja, mecânicos. “Já vínhamos conversando com o setor produtivo quanto à questão de treinamentos. A própria indústria está buscando capacitar seus clientes”, revela Luiz Piccinin, diretor presidente da Agro Amazônia.

Aumento das vendas

De acordo com dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavaea), entre 2009 e 2013 as vendas de colheitadeiras em Mato Grosso cresceram 90% em relação a igual período de cinco anos anteriores. Já as vendas de tratores 107%.

“Um dos grandes itens que a capacidade de investimento do produtor proporcionou foram às máquinas agrícolas. Os dados da Anfavea mostram a renovação da frota de máquinas, que estava deficitária e velha”, salientou o gestor de projetos do Imea, Daniel Latorraca.

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