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Quinta-feira, 09 de dezembro de 2021

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83% ÁREA PLANTADA

Mosca branca pode causar perdas de quatro sacas por hectares na soja

Foto: Reprodução/Internet/Ilustração

Mosca branca pode causar perdas de quatro sacas por hectares na soja
A mosca branca pode causar prejuízos na lavoura de soja de aproximadamente quatro sacas por hectare caso a sua incidência tenha início já nos primeiros estádios de desenvolvimento da planta. O inseto pode causar prejuízos também no algodão. Em Mato Grosso a semeadura da soja atingiu 83,7% dos 9,203 milhões de hectares destinados para a cultura.

O plantio da safra 2015/2016 em Mato Grosso chegou a 83,7% dos 9,203 milhões de hectares destinados à soja. Em relação ao ciclo anterior há um leve atraso de 0,4 pontos percentuais, aponta levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). A região mais avançada é a Oeste com 94,2% de 1,081 milhão de hectares semeados, seguida do Médio-Norte com 92,5% de 3,148 milhões de hectares e do Sudeste com 89,1% de 1,945 milhão.

Com o avanço do plantio e o desenvolvimento da cultura os produtores mato-grossenses deverão redobrar os cuidados para as pragas, doenças e insetos que surgem nas lavouras. Um dos insetos que vem chamando a atenção dos produtores, desde a safra passada, principalmente, é a “mosca branca”.

Segundo a entomologista da Fundação de Apoio à Pesquisa Agropecuária de Mato Grosso (Fundação MT), Lucia Vivan, a cada safra têm-se visto um aumento na incidência da população de mosca branca nas lavouras mato-grossenses, em especial de soja e algodão, porém pode ser encontrada no feijão, tomate, entre outros.

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“Nos últimos dois anos as infestações vem aumentando entre a soja e o algodão. O cultivo do algodão vai de dezembro (plantio) a agosto (termino da colheita) e em seguida (setembro) vem à soja. Entre dezembro e abril ou maio temos as duas culturas no campo. Então, mantém-se substrato para que a mosca branca se alimente. Essa população acaba ficando pouco tempo sem alimento (entre termino da safra do algodão e início da soja) e mesmo que não tenha o algodão ou a soja para se alimentar há várias plantas daninhas que auxiliam, como a erva de Santa Luzia”, explica Vivan.

A infestação na soja muitas vezes ocorre quando a oleaginosa atinge os estádios R3, R4 e R5 ou até mesmo próximo da colheita. Quando a incidência começa nos últimos estádios de desenvolvimento da soja (ponto de colheita) Vivan comenta que não se chega a ter problemas de produtividade.

“Na soja infestações altas são consideradas infestações com mais de 15 ninfas por fólio. Geralmente contamos mais de 30 ninfas em um espaço de 2cm por 2cm na folha. Já chegamos a constatar mais de 100 ninfas em uma folha de soja. A partir de 15 ninfas por fólio pode-se ter problemas de produtividade. Lógico que se ocorrer mais de 15 ninfas e a soja estiver em estádio R6 o produtor não terá problemas na produção, mas se a soja estiver em estádio R2 e R3, por exemplo, em início de floração, ele (produtor) poderá ter perda de produtividade podendo colher de três a quatro sacas a menos por hectare”, pontua a entomologista.

Lucia Vivan comenta que muitas vezes ao final da cultura da soja não é realizado um controle “muito bom” para a mosca branca e essa população que já está alta na soja acaba sendo um problema para a cultura do algodão. “O controle para essa praga é mais difícil, pois há produtos que controlam os adultos e não controlam as ninfas e vice-versa. Então, o produtor tem de fazer uma mistura de produtos. O ideal é que se use com mais frequência produtos que controlem as ninfas do que os que controlam os adultos, porque se não ele controla apenas o adulto, sendo que os ovos já foram colocados”.

Identificação

Uma das formas de identificação da mosca branca, além das ninfas, nas folhas de soja, algodão e outras culturas, é a presença de uma solução açucarada. As ninfas vão sugando os nutrientes das folhas e como a mosca branca é uma espécie “homóptera” ela solta uma solução açúcarada, de acordo com a entomologista da Fundação MT. “A ninfa fica fixa na folha se alimentando direto e ela solta essa solução que cai na folha de baixo e isso vai formar um fungo que fará com que a folha fique preta. Com isso ela perde a área fotossintética ali e não faz a fotossíntese, o que leva a perda de produtividade e acelera o processo de maturação. Isso ocorre tanto na soja quanto no algodão”.

No algodão, salienta Lucia Vivan, são ainda mais sérios os prejuízos, pois além da perda de produtividade, pode-se perder qualidade da fibra em decorrência a esta solução açucarada.
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