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Notícias / Agronegócio

Produção de etanol de milho em Mato Grosso gera debate na Câmara dos Deputados; questão energética é prioridade

Da Redação - Ronaldo Pacheco

Embora o tema ainda seja tratado com reservas, até mesmo entre os especialistas e setores do agronegócio, os deputados federais Carlos Bezerra (PMDB) e Fábio Garcia (PSB) assumiram a ponta do debate, na Câmara dos Deputados, sobre o crescimento da fabricação de etanol de milho, em Mato Grosso. Atualmente, Mato Grosso já transforma 220 mil toneladas de milho em 88 milhões de litros de etanol e essa indústria tem potencial para crescer muito mais em curto prazo.

Carlos Bezerra lembra que os produtores calculam que é possível chegar a 4 bilhões de litros de etanol por safra. “Um número impressionante, que é promessa de riqueza para o meu Estado”, disse ele, para a reportagem do Agro Olhar/Olhar Direto.

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Bezerra disse que tem acompanhado o desempenho da indústria alcooleira mato-grossense ao longo dos últimos anos. Ele ressaltou o esforço dos empreendedores para chegar a esse nível de produção. “E também consigo perceber o tamanho dos possíveis benefícios à economia do estado se a tendência de crescimento da fabricação de álcool se confirmar”, argumentou o parlamentar do PMDB.

Fábio Garcia avalia que Mato Grosso foi o Estado onde se instalou a primeira usina “flex” do Brasil: uma usina capaz de produzir álcool tanto a partir de cana-de-açúcar quanto de milho.

O deputado do PSB cita que foi no município de Campos de Júlio, onde uma destilaria que já produzia álcool de cana desde 2006 decidiu investir na adaptação de seus equipamentos ao uso do milho como matéria-prima.

Carlos Bezerra justifica que, na safra 2012/2013, o novo procedimento ainda estava em fase de testes, mas já produziu 12 milhões de litros do combustível. De lá pra cá, a produção continua aumentando, e a usina já consome mais de 20% de todo o milho produzido no município.

A segunda usina no estado a produzir etanol a partir do milho se instalou no município de São José do Rio Claro. Até o fim de 2014, eram só essas duas, mas ao longo deste ano os projetos de instalação de outras plantas seguem em diferentes fases de andamento.

Especialista em energia, Fábio Garcia lembra que o processo de fabricação do etanol a partir do milho tem subprodutos muito úteis. Cada tonelada do cereal gera entre quase 400 litros de álcool etílico, mas não só isso; também se produzem cerca de 18 litros de óleo, e 220 a 240 quilos de um farelo de milho conhecido como DDG. Esse farelo tem alto teor proteico e pode ser usado na alimentação animal, sendo bem mais barato que o farelo de soja.

“Minha empolgação vem da confiança em que o negócio do álcool pode ser benéfico para todos”, ponderou Bezerra. Além dos próprios empresários donos das usinas, também se beneficiam os produtores de milho, pelo aumento da demanda; os produtores de eucalipto, usado na secagem de grãos; e os pecuaristas, pela possibilidade de comprar uma ração mais barata.

Carlos Bezerra observou que os ganhos não são só para o setor privado, mas também para o setor público. Atualmente, a receita das exportações de milho de Mato Grosso não gera arrecadação ao Estado, devido à isenção de ICMS das exportações de commodities; isso mudaria com a transformação em etanol.

“Se os Estados Unidos produzem hoje mais álcool que o Brasil, isso se deve em grande parte a sua política clara de incentivo aos combustíveis renováveis. O Brasil deve seguir pelo mesmo caminho. Meu estado se orgulha de ser o maior produtor de milho do País. E eu parabenizo a Aprosoja e os produtores de Mato Grosso pela luta para nos transformar também em grandes produtores de etanol.”, completou Bezerra.
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