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Notícias / Agronegócio

Suinocultura atrai produtores do Sul e MT pode ser um dos líderes na produção nacional; especialista cita diferenças

Da Redação - André Garcia Santana

Somando aos milhares que aqui chegam desde a década de 70, moradores do Sul do Brasil continuam em marcha para Mato Grosso. Em busca da abundancia de elementos favoráveis ao agronegócio, gaúchos, catarinenses e paranaenses são atraídos agora pelo desenvolvimento da suinocultura, a quinta mais importante do Brasil. Só em 2016, 205 mil toneladas das, 3,7 milhões produzidas no país, saíram daqui. A expectativa é que o número cresça nos próximos anos e coloque a produção entre as líderes nacionais, de acordo como especialista Giorgio Dal Molin.  

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Em visita aos principais polos de suinocultura do país, o representante do projeto técnico-jornalístico Expedição Suinocultura, esteve na última semana em Nova Mutum, Tapurah, Sorriso e Lucas do Rio Verde para levantar informações sobre o setor no Centro-Oeste. Ao Agro Olhar ele explicou que a principal diferença entre os produtores das duas regiões é a cooperatividade. Enquanto lá o cenário é composto por investidores menores e mais unidos, aqui os empreendimentos são capitalizados por grandes empresários, com maior liberdade para negociar.

“Aqui tem muito mais produtores independentes, enquanto lá o sistema é mais integrado, então você observa que lá eles dependem muito das regras impostas pelos frigoríficos, aqui o pessoal tem um pouquinho mais de liberdade. Quando o produtor é independente ele tem, claro, que seguir as regras de sanidade, mas tem um pouco mais de liberdade para negociar como mercado. Outra diferença é que produção aqui é capitalizada por produtores maiores, o que contribui para sua independência”, diz.

A liderança na produção de milho é o que explica a migração. Em Santa Catarina, por exemplo, há outros recursos, mas é preciso importar todo o milho pra fazer a ração.  “A questão da logística acaba compensando porque a matéria prima é muito abundante aqui. Então desde os anos 90 e 2000 muitos vieram pra cá pra expandir essa atividade. Foi uma forma de diversificar, ter uma renda forte a mais. Antigamente para os produtores o milho não valia quase nada, então a suinocultura foi uma forma de agregar valor ao grão”, afirma Giorgio.

A fenômeno é endossado por Itamar Antônio Canossa, presidente regional Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat) em Sorriso (420 km de Cuiabá). “Com tanto milho disponível, podemos dizer que a suincultura é um efeito colateral. É só uma questão de tempo para o Mato Grosso expandir o mercado e ser um dos maiores”, afirma.

Ele pertence a terceira geração de suinocultores de sua família. "Meu pai e avô começaram em Seara (SC), mas foi no Mato Grosso, em 2001, que encontrei as melhores condições: aqui tem mais matéria prima, melhor relevo e água muito acessível”, Assim, se hoje somos responsáveis por menos de 10% da produção nacional de suínos, no que depender das famílias migrantes em poucos anos quadro pode mudar.

Embora os três Estados do Sul ainda detenham a maior produção de suínos no Brasil, (Santa Catarina é líder em exportações, depois Paraná, seguido do Rio Grande do Sul), Mato Grosso, segundo Giorgio, apresenta forte potencial de expansão. Fator mais uma vez atribuído ao território propício e aos números estratosférico da nossa safra de milho. O único empecilho aos investidores são as estradas. “O que falta é só investimento em logística, que impede uma melhor distribuição. E isso depende do Governo”, diz Giorgio.

A Expedição Suinocultura é uma iniciativa do Núcleo de Agronegócio Gazeta do Povo, que detém o know-how e a capilaridade da Expedição Safra, realizada há dez temporadas. O projeto consiste em um diagnóstico técnico-jornalístico da cadeia da carne suína no Brasil com roteiros pelos seis principais estados produtores: Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso.

Mato Grosso no retrovisor

Em pleno Cerrado mato-grossense, Sorriso conta com aproximadamente 15 produtores em escala industrial, segundo Canossa. Conforme informações da Acrismat, a origem de todos eles é o Sul do Brasil. “A maioria de Santa Catarina”, completa. Ele admite que a região tem uma única desvantagem: a logística distante dos principais polos do país. Em compensação, o estado é autossuficiente no principal produto para a ração animal: o milho, que em Santa Catarina precisa, em sua maioria, ser importado.

Itamar começou com 200 matrizes (leitoas reprodutoras) e hoje conta com duas propriedades de mil matrizes cada, o que gera 4,3 mil leitões por mês. Uma parte é vendida para um parceiro na cidade vizinha de Tapurah, para engorda antes do abate. Outra parcela vai ao Grupo Lucion, dono do maior frigorífico da região: o Nutribras. E adivinha de onde veio a família que deu origem ao grupo? Santa Catarina, mais precisamente da cidade de Abelardo Luz.
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