Olhar Direto

Quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

Opinião

Campanha política e comunicação

Autor: João Edisom de Souza

04 Dez 2020 - 08:00

Nelson Mandela afirmou que “se você falar com um homem numa linguagem que ele compreende isso entra na cabeça dele. Se você falar com ele em sua própria linguagem, você atinge seu coração”. Em politica essa afirmação fica mais evidente.

A comunicação com o eleitor tem um papel fundamental no desenvolvimento das campanhas políticas no mundo todo. Por estas terras estamos saindo de um processo eleitoral de dois turnos onde a comunicação merece destaque, tanto pelos acertos quanto pelos erros cometidos, uma vez que comunicação não é aquilo que eu falo, mas sim aquilo que o interlocutor compreende e propaga.

Se tomarmos como base os candidatos de primeiro turno para prefeito em Cuiabá verificamos aspectos de confronto entre a comunicação analógica e do corpo a corpo versus a comunicação digital.

O espaço é de transição, tanto que os candidatos Emanuel Pinheiro, com mais eficiência dentre os analógicos, e o candidato Abílio Junior, entre os digitais, receberam votos suficientes para serem conduzidos ao segundo turno.

No embate final do segundo turno ficou evidente que existia mais eleitores analógicos para serem conquistados do que eleitores digitais, Tanto que Emanuel foi de 82.367 votos  para 135.871, um acréscimo de 53.367 votos. Enquanto que Abílio, por ser digital, foi de 90.631 votos para 129.777, um acréscimo de 39.146 votos.

Outro fator que tem que ser levado em consideração é que as ferramentas por si só não se bastam e muitas vezes o conteúdo que te leva a um segundo turno atinge o teto em si mesmo e ai não é mais suficiente para conduzir até uma vitória.

O marketing político é comunicação instantânea e célere o bastante para não permitir erros. Na campanha de Cuiabá isso ficou muito evidente. Como o cunho da campanha foi a moralidade versus a eficiência, o paletó ditou o ritmo da campanha.

O mesmo adereço que levou o candidato Abílio ao segundo turno ficou obsoleto pelo excesso de repetição no segundo turno ao ponto de parecer ser cruel, uma vez que o castigo se torna superior o crime. Logo há uma neutralidade na comunicação do candidato pela obsessão repetitiva. Ao passo que Emanuel demorou até os minutos finais para trazer o adereço para sua campanha e, ao fazer, conseguiu a arrancada final desejada.

Outros fatores foram importantes também, mas este merece destaque pela sua relevância e entrará para a história toda vez que alguém com uma mácula resolver entrar em uma disputa eleitoral.
A finalidade da comunicação é fazer-se entender, por isso preciso saber para quem quero falar e o que é preciso falar. Ninguém fala com todo mundo ao mesmo tempo. Por isso toda publicidade e comunicação de campanha sofre críticas, uma vez que na sociedade a comunicação é feita por bolhas para as bolhas onde estão os grupos de interesse. Por isso no primeiro turno teve voto quem melhor se comunicou, mas não evoluiu, ao passo que o segundo colocado encontrou o caminho das pedras e chegou em primeiro lugar no turno que dava a vitória definitiva.
 
 
 
 
João Edisom de Souza é professor universitário e analista político em Mato Grosso.
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