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Quarta-feira, 14 de abril de 2021

Opinião

Do que é feito o amor?

Autor: Dulce Figueiredo

03 Mar 2021 - 08:00

Graças à ciência, já sabemos que as sensações que temos quando estamos apaixonados é resultado de reações químicas e hormônios produzidos por nosso organismo, como a adrenalina, que causa aceleração dos batimentos, a dopamina que dá a sensação de felicidade e a noradrenalina, que provoca excitação sexual. Mas, no que se baseiam as relações? De quais elementos é feito o amor, e em qual proporção? Existe um segredo para fazê-lo durar mais tempo e tornar a relação mais afetuosa?

Muitos estudiosos têm buscado respostas satisfatórias para essas perguntas, e um deles é o psicólogo, pesquisador e professor estadunidense Robert J. Sternberg, criador da Escala Triangular do Amor. De acordo com ela, o amor é comporto por: Intimidade, paixão e compromisso, em diferentes proporções para cada situação. Porém, a partir dessa teoria, muitas outras pesquisas são feitas na tentativa de encontrar a "proporção perfeita", aquela que resultaria na relação saudável, duradoura e prazerosa.

Na perspectiva de Stenberg, a intimidade está ligada à vontade de estar próximo a pessoa amada, dividir emoções, oferecer apoio, se comunicar intimamente, proporcionar alegria, respeito e felicidade. Já a paixão, é o que liga o emocional ao físico: é sobre o envolvimento físico e emocional, atração física, desejo de estar próximo e satisfação mútua. É o desejo se que a sua felicidade seja a mesma da pessoa amada, e que vocês vivam isso juntos. A cereja do bolo é o compromisso, premeditado pela decisão. Primeiro, os indivíduos tomam a decisão e assumirem a relação, e depois, ao longo do tempo, se comprometem com ela. Esse componente é o principal responsável pela duração do relacionamento.
           
No Brasil, a teoria norte-americana ganhou uma pesquisa publicada pela Unisinos em 2013, buscando entender a relação de casais brasileiros com esses "componentes do amor" e sua satisfação com o relacionamento. Foram ouvidas 102 pessoas casadas ou em união estável por, em média, 13 anos, entre homens e mulheres de 19 a 79 anos de idade. Os resultados são bastante curiosos, e podem ajudar nas respostas e no equilíbrio almejado.
           
Dos entrevistados, a maior parte classifica a relação como satisfatória acima da média, a minoria diz estar satisfeito na média, e cerca de 35% revelarem não estarem satisfeitos ou terem problemas sérios na relação. As mesmas pessoas revelaram que o componente dominante na relação é o compromisso de permanecer unidos, seguidos pela intimidade e, por último, a paixão. O que o estudo pondera, é que o fator compromisso é o que estabiliza a relação, e faz com que o casal resista mesmo em momentos de crise, enquanto a paixão é "inconsciente", ou seja, precisa de estímulos e reforços externos junto de componentes fisiológicos (os hormônios e sensações) para acontecer, e assim não pode ser controlada. 
           
Pode-se concluir, então, que os casais de longa data estão comprometidos a permanecerem juntos, mas a satisfação com a relação nem sempre os acompanha no caminho. Isso pode ser ocasionado pela rotina, pela ausência de novidade, quando um indivíduo muda de comportamento e o outro não o acompanha ou por pequenos problemas que são deixados de lado ao invés de serem solucionados.

Porém, existem formas de reforçar a paixão e a intimidade do casal, para que a estabilidade do tempo não tire o prazer de estar com o outro: A psicoterapia pode ajudar a entender onde estão os problemas na relação, e como reacender a chama do amor novamente. 

Dulce Figueiredo é psicóloga
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