Olhar Direto

Terça-feira, 30 de novembro de 2021

Opinião

Idadismo como opressor social

Já ouviu falar em idadismo? Parou para pensar que o idadismo é uma prática diária, social e opressora? Já percebeu que a idade é uma das primeiras coisas que atentamos em relação as pessoas? De acordo com a Organização Pan Americana da Saúde (OPAS), o idadismo, refere o preconceito etário em relação as pessoas mais velhas ou com maior idade. É uma palavra que vem do inglês “ageims”, é o nome que se dá a discriminação a pessoa considerada velha. É uma prática que surge com a sociedade industrial para categorizar e dividir as pessoas de forma causar desvantagens, prejuízos e injustiça, em um período de baixa expectativa de vida e precarização humana e insalubre.

O idadismo como indicador opressor preconiza o pensamento de incapacidade, impregna um estereótipo negativo interligado ao fator idade. A idade, por sua vez, é um dado numérico social que não descreve a potencialidade de uma pessoa em seu meio social, profissional, familiar e humano, foi estabelecida como um mecanismo de organização da sociedade (idade para estudar, idade para trabalhar e constituir uma família, idade para aposentar). Mas na atual sociedade essa divisão numérica e cronológica é muito relativa, depende de inúmeros fatores condicionantes, como acesso à saúde e a educação ao longo da vida, do bem-estar social de políticas públicas.

Por outro lado, temos o ageísmo anda junto com idadismo, outro indicador opressor etário, diz respeito a atitude, postura, comportamento, conduta que menosprezam as pessoas com maior idade. Ambos promovem a exclusão social e laboral precoce de quem envelhece. Ou seja, idadismo é sentido pelas pessoas a partir dos 35 anos, principalmente pelas mulheres.

O idadismo é percebido e praticado em três formas: a institucional, interpessoal ou contra si mesmo. O idadismo institucional se refere às regras, normas sociais, políticas e práticas institucionais que restringem injustamente as oportunidades e prejudicam sistematicamente indivíduos em função da idade deles. O idadismo interpessoal surge em interações entre dois ou mais indivíduos, enquanto o direcionado contra si próprio ocorre quando o idadismo é internalizado pela pessoa e usado contra ela mesma.

Em um país como o Brasil que envelhece rapidamente e se apropria de forma lenta de tal fenômeno, muito pouco se discute sobre o idadismo, mas muito se pratica. Isso é perceptível pela falta de atenção, apoio e agenda a luta contra uma cultura enraizada do idadismo. Enquanto os organismos internacionais como a ONU, OMS, OPAS discutem recomendações e ações acerca da redução do idadismo a partir de nova construção sociocultural do envelhecimento, com investimentos que possibilitam mudanças de mentalidade em relação a pessoa que envelhece. Enfim, me diga, diante da sua convivência social e intergeracional: você já praticou o idadismo?
 
Elizângela Farias, Pedagoga, Mestre em Educação: Currículo, linha de trabalho Política Educacional, Currículo e Envelhecimento.
 
 
 
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