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Terça-feira, 25 de junho de 2024

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Coluna de estreia: Crônica "Faxina interna"

“O telefone toca... Atendo e vou logo dizendo:

- “Oi bela, saudades de você, sua sumida!

Do outro lado da linha uma voz chorosa responde: “Amiga, o que acontece que só atraio homens errados para mim?

Me esforcei para encontrar uma palavra que pudesse acolher aquele coração sofrido, mas a única coisa que saiu foi : “não sei ”. Isso é resposta que se dá a uma amiga que busca sua ajuda?

“Adoraria te dar a receita do bolo, ter o poder de sumir com sua dor, mas o que posso é tentar junto contigo entender o que se passa. Da última vez que nos falamos você estava tão feliz, tão confiante na relação. O que houve, inguei.

Ainda chorosa, minha amiga foi relatando sua última frustração amorosa. Conforme a ouvia, a imagem de uma casa em desordem começou a se formar e tomar corpo em minha mente.

Sem pedir licença e ter absoluta clareza onde eu queria chegar, a interrompi com a seguinte indagação: - Há quanto tempo você limpou sua casa?

- O quê ?

- Há quanto tempo você fez faxina na sua casa?

- “PQP” eu aqui falando algo que está acabando comigo e você vem com essa de faxinar casa. Que foi, esqueceu de tomar o remedinho?

-Esqueci não, pode brigar comigo, mas antes me responda: “Há quanto tempo você deu uma geral em casa?

- Muito a contragosto, a bela do outro lado me disse que há mais ou menos três semanas ela e a ajudante colocaram a casa abaixo, deixando tudo absolutamente limpo e organizado. Ela relatou ainda que durante a faxina tirou do armário algumas roupas que não estavam lhe servindo mais, outras que havia enjoado, enfim... essas coisas que fazemos de vez em quando.

“Então, bela, agora me responda: há quanto tempo você não dá uma geral dentro de você”? Há quanto tempo você não examina suas crenças, revê suas verdades, o que te valia ontem continua valendo para hoje?

Nossa conversa seguiu nessa linha. Eu ouvia e falava, as palavras surgiam meio que instintivamente, sendo útil para as duas.
Não consegui dar uma resposta para minha amiga, mas juntas chegamos à conclusão que assim como de tempos em tempos faxinamos nossas gavetas, limpamos, arejamos e eliminamos o que não nos serve mais... Abrimos espaços para que novas roupas e adornos entrarem em nossos armários, nos deixando mais bonitas, transadas, rejuvenescidas, precisamos fazer a mesma coisa em nossa casa interior.

É fundamental abrir e arejar essas gavetas internas, haverá valores, verdades e conceitos a serem reafirmados. Eles até podem continuar sendo saudáveis e desejados, mas será que não tem por ali comportamentos automáticos, atitudes e pensamentos viciosos, crenças que nos colocam para baixo e faz com que atraiamos as mesmas pessoas e situações para nós”?

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*Isolda Risso é pedagoga por formação, coach, cronista, retratista do cotidiano, empresária, mãe, aprendiz da vida, viajante no tempo, um Ser em permanente evolução. Uma de suas fontes prediletas é a Arte. Desde muito cedo Isolda busca nos livros e na Filosofia um meio de entender a si, como forma de poder sentir-se mais à vontade na própria pele. Ela acredita que o Ser humano traz amarras milenares nas células e só por meio do conhecimento, iniciando pelo autoconhecimento, é possível transformar as amarras em andorinhas libertadoras.

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