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Sábado, 22 de junho de 2024

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Gente caixinha

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Eu não sei se é uma questão hormonal, se é a idade que está avançando e com ela chegam as rabugices, ou quem sabe,sejada minha natureza. O fato é que ando cada dia mais impaciente com gente “caixinha”.

Não me pergunte porque chamo de caixinha, não tenho a menor ideia, muito menos de onde surgiu, mas é assim que sinto, penso e os chamo: “gente caixinha “.Todo e qualquer esforço que eu venha a fazer é impossível uma convivência entre eu e “gente caixinha”.

Gente caixinha é aquele tipo que prega o politicamente correto e incorreto em tudo. Gente caixinha não consegue dizer: não sei. Eles sabem tudo, sobre tudo e estão certos em tudo. São incapazes de soltar um palavrão, falar uma besteira e reconhecer uma asneira (feita por elas obviamente). Deslize alheiogente caixinha enxerga com uma rapidez e nitidez surpreendentes.

Gente caixinha jamais ri de si, e fala sério, quem não consegue rir de si mesmo é certo da cabeça? Eu não acho!

Gente caixinha vive te mandando pensar positivo, como se o fato de “só “ pensar positivamente fosse resolver seu problemão. Esse povo quer te impedir de ser humano e como humano, eu acredito que passamos por momentosque conseguimos versituações difíceis positivamente, ver o mundo em tons mais rosáceos, e outros de sentir que o mundo é uma porcaria e que tudo vai piorar.

Gente caixinha tem resposta e solução para tudo. Se não tem, inventa.

Se você concorda ou não com a solução proposta, se é boa para você ou não, não tem a menor importância. O que vale é o que ela pensa e ponto.

Gente caixinha de dez palavras que fala, em sete põe Deus e Jesus na reta, mas veja bem: gente caixinha “fala” o nome de Deus. Gente caixinha diz que tem uma fé inabalável e jamais, jamais mesmo passou pela sua cabeça em alguns momentos questionar Deus.

Eu acho que essas pessoas usam Jesus como escudo e não como exemplo de vida a ser seguido. Na minha cabeça torta acredito que se não viver o que se fala é melhor ser útil ao ouvido alheio e ficar quieto.

Gente caixinha não, o que vale é falar, dar exemplo me parece ser algo que não importa muito.

O companheiro(a) de gente caixinha é fiel, dedicado, amoroso, presente, trabalhador, honesto, compreensivo, paciente, lembra das datas comemorativas (sempre com lindos presentes) jantares românticos,etc...

E caso não for tudo isso, ela é. E está na vida dele(a) para salvá-lo (a) .

Os filhos dessa gente são verdadeiros gênios, estudiosos, amorosos todo o tempo. Não bebem, não fumam, não batem carro, não estouram cartão e passaram pela adolescência sem nenhuma crise existencial.

Por falar em crise existencial, gente caixinha desconhece isso. Ela é e sempre foi muito bem resolvida, nunca questionou suas escolhas, sua profissão, seus sentimentos, suas vontades, seus desejos.

Gente caixinha nunca avaliou se estava ou não no caminho certo, afinal ela sempre está certa.

Certa do que é melhor para si, para os filhos, vizinhos, comadres, para o condomínio e respectivos condôminos,e se ela estiver de bom humor até para o papa arrisca dizer o que é melhor ele fazer.

Quando a gente comenta com essa gente que remédio está pela hora da morte, ela te olha com uma cara e lança um olhar que faz você se sentira pessoa mais bichada e dispara: “eu não sei, eu não tomo remédio... Eu não sou doente e quando raramente sinto algo, faço uso só de florais e homeopatia”.

Cá entre nós, dá para confiar em alguém que não toma nem um remedinho?

Essa gente nunca dá “piti”, ataque de abelha ou que nome você preferir dar para aqueles momentos de descontrole que por tantas vezes temos?

Gente caixinha tem aquela aparência calma, pacificada, equilibrada, mas... muitas vezes é muito ácida, no menor escorregão seu, dá uma alfinetada e normalmente na ferida que mais te dói. Eu arrisco dizer que gente caixinha é muito mal amada, mal resolvida, tão mal resolvida que não aceita ser normal. É...

*Isolda Risso é pedagoga por formação, coach, cronista, retratista do cotidiano, empresária, mãe, aprendiz da vida, viajante no tempo, um Ser em permanente evolução. Uma de suas fontes prediletas é a Arte. Desde muito cedo Isolda busca nos livros e na Filosofia um meio de entender a si, como forma de poder sentir-se mais à vontade na própria pele. Ela acredita que o Ser humano traz amarras milenares nas células e só por meio do conhecimento, iniciando pelo autoconhecimento, é possível transformar as amarras em andorinhas libertadoras.

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